sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Do que falam nem é marasmo mas de egocêntrismo na entrega às ondas lentas de melodrama.

A 3ª anestesia trouxe uma dessas ondas, por quatro dias cruzando as palavras do jorge. Tenho a certeza que que quatro horas de químicos, fora deste mundo, não são pacíficas, e o corpo vai fazendo um luto, vai rezando um terço.

Preciso de falar da Alice no País das Maravilhas em três situações diferentes. Ou quatro, ou muitas mais porque ela sempre me acompanhou.

Nos quatro dias de nostalgia virei-me para o passado, a Luna disse "há alturas em que em vez de se dar um passo em frente se deve dar dois atrás". Pus-me a ler relíquias manuscritas do passado e, numa versão já mais avançada, encontrei a Alice no mundo dimensional dos cubos, escrita na B321 como fuga à construção do armazém de dados e como derrame da epifania das três dimensões naquele cubo em construção. Uma visão que apareceu de repente e em que tudo fez sentido. Irei passar isso para o blog em breve.

O Lewis Carroll foi-me apresentado no meu 13º aniversário pela Cristina, que tinha sido minha Professora no 5º ano de Educação Visual e Tecnológica. Ofereceu-me o livro Meninas, com montes de fotografias das meninas, que o matemático esotérico fotografava, entre elas a própria Alice e as suas irmãs. Depois vi uma peça em Lisboa, sobre a vida do Charles Dodgson, ortónimo do Carroll, marcante. Apresentou-me o mundo da menina que eu até aí via em VHS mais ingénua, tão encantadora.



No bloco operatório entro num mundo de feiticeiros de Oz, espelhos, e ela, claro. É um estado de estar sem estar, "é um não querer mais do que bem querer, é um solitário andar por entre a gente", e vêm oferecer sonhos em cardápio.

Quando li O Mistério de Ariana, do Gilles Deleuze escrevi algo no moleskine que o ligava à Alice. Decidi agora investigar (agora que vasculho o passado) e encontrei a delícia do non sense e da matemática, como um quente e frio, um melão e presunto, um kebab com molho de alho, um hagen dasz cream & cookies, ou o magnum picante do meu imaginário.

Estava eu nesta pesquisa e liga-me a Ju "a Alice! Vamos vê-la na terça feira à tarde no Coliseu..."

Dizem agora, pode ser diferente depois.

4 bitaites:

Inês Dias de Carvalho disse...

era como se pudesse comentar... é tanta informação, palavras, pensamentos, que para sintetizar num bitaite, digo apenas... continua a escrever praí, que eu gosto de ler isto.

joana disse...

E eu também gosto de ler isto :) Gosto da maneira como escreves, já sabes, és uma linda poeta...
Acho que a tua inspiração vem mesmo das estrelas, quando olhas para aquele planeta de luz baixinha com tres vulcoes que dão pelos joelhos e uma rosa em redoma de vidro...e vês onde mora a Alice dos sapatinhos vermelhos...iguais aos da amiga Dorothy que mora noutro planeta ali perto, tem que se ir por uma estrada amarela...
No meio do silencio, como quem flutua no mar com os ouvidos debaixo de água, ela come cerejas o dia todo, ao mesmo tempo que dá as mãos a uma pequena violeta sentada numa bossa fofa feita em lã recentemente e por isso é nova. Como há pouca luz o seu olhar fica lost com as inumeras constelações que a rodeiam e a sua cabeça poe-se a imaginar maravilhas num outro mundo onde ela pudesse estar naquele preciso momento entrando pela toca de um coelho...

Mas na terça nós vamos é ver a real, a berdadeira...

ou pelo menos a sua sombra...

Só que antes disso ainda há Carnaval.. heheeee... que bom, é só mundos de fantasia... :)

Até jah nha crécheu....

beijuuuuuuuuuuu

joana disse...

E eu também gosto de ler isto :) Gosto da maneira como escreves, já sabes, és uma linda poeta...
Acho que a tua inspiração vem mesmo das estrelas, quando olhas para aquele planeta de luz baixinha com tres vulcoes que dão pelos joelhos e uma rosa em redoma de vidro...e vês onde mora a Alice dos sapatinhos vermelhos...iguais aos da amiga Dorothy que mora noutro planeta ali perto, tem que se ir por uma estrada amarela...
No meio do silencio, como quem flutua no mar com os ouvidos debaixo de água, ela come cerejas o dia todo, ao mesmo tempo que dá as mãos a uma pequena violeta sentada numa bossa fofa feita em lã recentemente e por isso é nova. Como há pouca luz o seu olhar fica lost com as inumeras constelações que a rodeiam e a sua cabeça poe-se a imaginar maravilhas num outro mundo onde ela pudesse estar naquele preciso momento entrando pela toca de um coelho...

Mas na terça nós vamos é ver a real, a berdadeira...

ou pelo menos a sua sombra...

Só que antes disso ainda há Carnaval.. heheeee... que bom, é só mundos de fantasia... :)

Até jah nha crécheu....

beijuuuuuuuuuuu

nuno fradinho disse...

aquela árvore em frente à janela que inspirou o mais fomoso dos diários esteve para cair. mas uma data de gente uniu-se e segurou-a, tal como está... é bom saber q a tua inspiração assim também perdura, sara minha!

saudades!...

Enviar um comentário

 

Copyright 2006 | Template cedido por GeckoandFly e modificado e convertido para Blogger Beta porBlogcrowds.
Muito obrigada :) Se queres conteúdo reproduzir, basta pedir!