1 bitaites quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

3 bitaites terça-feira, 23 de dezembro de 2008


0 bitaites domingo, 21 de dezembro de 2008

Ok, o acidente aconteceu, e voltei. Passado algum tempo, umas semanas, talvez uns meses, saiu-me um pedacinho de vidro de carro de um ouvido. Isso explicou porque às vezes sangrava por ali. Durante uns meses largos, sem explicação aparente para que acontecesse, um raio atingia a pequena rótula do dedo polegar da mão direita, provocando espasmos de dor lancinante que me imobilizavam. E depois, também sem motivo algum, a trovoada acabava. Esquizofrenia total.

Era tudo tão físico e real, mas, ao mesmo tempo, eu por vezes questionava-me quanto disso que eu sentia não viria só do meu estado de espírito, rebentado. Sempre assim com uma ocupação cerebral, julgo que um simples caso de disponibilidade emocional.

Depois decidi criar este blog, tirar os dentes e o parafuso, organizar as minhas ideias, e voltar a Timor, fechar um ciclo. Não imaginei na altura que, fechar este, abriria tantos mais.

Há seis meses dizia isto, ouvia isto, vezes sem conta
.

Entretanto, a escala que as coisas ganharam, e as proporções que as coisas vão tomando. Avançar com ideias que se distribuem por locais geagraficamente dispersos, coordenando um projecto, a partir de Portugal, onde são agora 23h de sábado, e ter de falar com pessoas que estão agora nos USA a almoçar, e com outras que estão em Timor, praia de domingo de manhãzinha. Ter agora de saber também que, se dos US não me responderam, é por causa do Thanks Giving, ou, de Timor, festejos da independência, lamentos da ocupação, do massacre. Ter vontades, projectos, sonhos, que nem sequer dão espaço ao pé de se queixar das dores nos ossos, do frio.

E vivo nestes dias uma realidade que, de virtual, se concretiza. Quando me cruzo com vidas que são a sério, e não só a ilusão do imaginado, letras e fotografias, e que representam ideias, não consigo deixar de pensar em alguma forma de as filtrar, tratar, digitalizar, e partilhar. É uma coladela que se multiplica convergindo naquilo que acredito ser o 7º sentido, uma qualquer extrapolação dos nossos dedos para as janelas do tecnológico.

4 bitaites terça-feira, 16 de dezembro de 2008


Ter o céu roxo colado à pele, nunca estes dedos gelados. Nunca o frio. Só nos momentos em que saio do mar, e por a água estar ainda mais quente que o ar que se cola, é que sinto um ligeiro arrepio. Por... Um segundo, vá!

Ouvir os espanta espíritos de bambú que fazem um tilintar, que nem se pode chamar assim porque esta palavra tem is a mais e ali o tom é outro. Mais grave e quente.

O cheiro doce no ar que são correntes de incensos que se cruzam com os cigarros kretek, e caril, quente, como a música dos espanta espíritos, dos templos hindús.

Sempre quentinha, sempre com panos, tecidos, lenços, écharpes, tapada.

Em Ubud, sozinha, acabo de conseguir trocar a viagem em cima da hora. De repente não estou em casa amanhã, mas volto sim, só que daqui a 5 semanas. Até lá, não sei. Passeio no mercado, recuso um frangipani de pôr no cabelo por 1$, páro em frente a esta senhora cujos dentes estavam da cor das sementes, e até é raro por aqueles lados. Penso o que pensará ela de mim, e o que terá dado na cabeça do outro para me pedir tantos milhares de rupias por um frangipani, e como isso seria impossível naquele momento, porque acabo de vir do banco onde levantei dois milhões e meio que estão todos num só maço, no meu colo, quando reparo já estou dentro de um labirinto e decidi que dali não saio enquanto não passar por todos os possíveis corredores antros de cor viva vestidos com todos os tecidos.

Meu dito meu feito e saio dali para fora, pela rua encontro a tasca open-space do leitão na brasa que é esquartejado à nossa frente, sento-me no chão, numa mesa de 4, o sítio está a abarrotar. Junta-se um casal, que, de serem europeus, não falam, eu na minha como a marmita saborosa, cominhos, cravinho, e de repente, PUM, cai-me no braço, cortante, peso pesado. Olho para o lado, mantenho a calma, no braço já não está. No chão, ao meu lado, uma iguana de 40 centímetros, verde fluorescente e estrábica.

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Canto de Ossanha - Maria João

Acompanhar o passo, que é estar assim no vai-não-vai de quem quer entrar nos carrinhos de choque, que é estar a dar saltinhos em falso na berma de piscina, que é estar a ver uma coreografia de fora e querer entrar na dança. Querer, mas ficar com um abacate no estômago, voyeurimo desta janela, que já não mostra o que se sabia, porque as coisas tomaram proporções diferentes.

Ó menina, que homem que escreve assim não se pode descurar! E isso de juntar facas e peito na mesma frase, é porque o caldo já está entornado!...

Brrr são caixas que se multiplicam enquanto os cenários se trocam, olho uma parede branca, e sai, em tremor, "ESTOU A DEMORAR MUITO TEMPO". Tento desenhar os limites exactos para que os galhos não se confudam, da árvore dos macacos. Luto uma luta constante de interesses caoticamente diversos por motivos diferentes em determinadas acções.

Ó menina, que o casamento não vem das letras! Posso querer porque canta assim, para ser porque escreve assim. Porque pinta assim. Porque toca assim. (E entretanto vou ficando para tia.)

Tenho a certeza que vivendo assim neste limbo a coisa há-de resvalar, dentro ou fora do carrinho de choque, dentro ou fora das águas azuis, dentro ou fora da pista de dança. Quando atingir o insuportável, vou manter o passo. Acompanhar o passo. Ei, eu quero entrar, estás a ouvir? Eu quero.

3 bitaites sábado, 13 de dezembro de 2008

Era uma vez um menino que se chamava Melchior.
Este menino tinha um amigo de quem gostava muito e que estava sempre com ele. Ao colo, era o galo. Manu era o nome do galo.

Como ele gostava muito de cantar, eram os amigo perfeitos e passavam todo o tempo do mundo juntos. Se ele acordava de manhã, levava o Manu e pousava-o no lavatório, enquanto lavava os dentes. Ao pequeno almoço, o galo ficava ao lado a comer os grãos de milho, impecável. Passeavam, com uma cordinha na pata porque o Melchior não queria o Manu longe dele.

Chegou um dia em que o Melchior teve de ir para a escola, e, claro, o que achou mais natural, foi levar o Manu com ele, porque andavam sempre juntos. Na sala de aulas, a professora não reparou no galo porque o Melchior foi assim discreto, disfarçar para uma mesa, onde se sentou e que era longe da mesa da professora. Até que a meio da aula, COCOIOCOCO, o Manu cantou muito alto, e ainda para mais não sabia dizer o R de Cocorococó, que é igual ao R e de Sara, saia, ra, ra, ra. Dizia que queria era ir passear pela cidade com o Melchior (melchioi). Ali era uma seca. Mas a professora nem entendeu nada disso, só ouviu o que considerou um berro e que deixou todos os meninos a rir. Furiosa disse "olha Melchior, isto assim não pode ser! onde é que já se viu trazer um galo para a escola que canta assim e os meninos já não pensam mais neste números e letras que escrevo no meu quadro?"

E depois eles foram embora, muito tristes, um ao colo do outro (já não me lembro quem era...), a pensar como é que se ia resolver aquela história toda. Até que o menino se lembrou de uma solução que era fingir que nada tinha acontecido, para os pais não se chatearem, e no dia seguinte levar o Manu na mesma, mas dentro da mochila. Nessa noite dormiram bem, na mesma cama, o Melchior pousava o braço sobre o Manu, sempre impecável, branco e de crista vermelha.

E no dia seguinte, meu-dito-meu-feito. Escova de dentes, cereais (se calhar foi ao contrário), e siga para as aulas com o Manu na mochila. Só que o problema foi que estava outra vez a professora a fazer sozinha desenhos no quadro e mais ninguém podia falar, e aquilo voltou a acontecer, de repente, outra vez COOOOOCOIOCOCO. Ui ela ficou furiosa, saía-lhe fumo pelas orelhas, e a cara, de vermelha, era igualzinha a um tomate ou um morango ou uma cereja grande.

E pronto, foi assim. Já se sabe, raspanete, não pode ser. Ele em casa contou o problema aos pais que lhe explicaram como há um tempo para tudo, e a partir de então passaram a encontrar-se desde o final das aulas até de manhãzinha. Decidiram aproveitar melhor o tempo, e passaram a dedicar uma hora por dia juntos a treinar as músicas que mais gostam. E a verdade é que, depois de tanto treinar (todos os dias, ao pôr do sol), amanhã, vão dar o primeiro espectáculo juntos!, num palco, com imensas pessoas lá em baixo a ver e a ouvir, e que vão ter de ficar caladinhas e bater palmas do final.

(Começo a pensar que tenho um problema grave em pôr um fim em algumas histórias, mas ele, eventualmente, acaba por aparecer. A Violeta percebe e faz-lhe sentido que acabe assim... A ver como corre a "primeira performance pública", como o pai, carinhosamente, gosta de anunciar.)

0 bitaites segunda-feira, 8 de dezembro de 2008


One Love - Sara Tavares

7 bitaites domingo, 7 de dezembro de 2008

The results of the giveaway contest are out!

(Ohh if only I could write this in Portuguese there would be so many sharp adjectives to fluently use!...)

I feel such a huge thrill that I cannot stay in bed for one minute. So I really need to write this as a way to bring all my guts out (hmmmm maybe this doesn’t sound good in English - translating by word - but I hope you get the idea…). I have to explain to you, Liz, the meaning of the choice you have made.

I have just had a really depressive, woman-in-a-bad-day, greyish, cold Saturday. Feeling homesick from my other home, East Timor: I am back in Portugal since September. There, I can feel a warm life going through my veins, feeling sure, all the time, about the following dogmas: perseverance, truth, and will.

So today I was hiding under this low vibe umbrella… Two good friends came by for dinner, and as soon as I opened the door, both of them said: “what’s the matter? I hadn’t seen you with that look on your face since those days before you knew you would go back to Timor, in March…” The truth is that what I have been going through since I am back home is standing in a limbo between “I really want to do this” and “it is so hard, I am going to give up the dream for a more conventional future for myself”.

In order to make myself clearer (I hope!), let me go back to that period when I went for the first time to Timor, in March 2007. It was a short experience, because, after almost two months of teaching Artificial Intelligence and Internet Technology at the National University, I had a terrible car accident in the mountains. (You can check some breathtaking pictures about this in here .) The year that followed the accident, for me was a confusing blur of injustice, pain and will. I was evacuated back home in a drastic way when I was starting to develop a giant crush by that land, Timor. Leaving at that time was somewhat similar to abandoning an unresolved issue. I have also had my share of wheel chairs, which made me totally sympathetic with that cause (in Timor and Portugal the infrastructures accessibility for disabled people are a shame…). That unfortunate event taught me a lot about life goals and missions.

I broke
something
today,
and I realized
I should break
something
once a week...
to remind me how
fragile
life
is.
Andy Warhol
Therefore, after a hard self-confrontation period, and only in the moment I felt ready to go back (after 3 surgeries, long physiotherapy sessions and an unexplained “have-to” will), I simply did not hesitate. I packed for a new journey.

In my experience in Timor this year I have learnt several valuable lessons… Not only related with my job as a teacher, but especially about social issues, cultural differences, information gaps. Many times the question “but what do people really need?” has travelled my thoughts. The fact that I also learnt how to speak the local language enabled me to have direct contact with a reality that goes far beyond the one that we, westerners, are used to.

So now I have chosen as a cause to offer all my possible efforts to the digital divide problematic, and I want to relate digital exclusion issues with social entrepreneurship answers, specifically in Timor, for now.

Today, even though I was feeling so sad, I accepted my friends’ invitation to go out. We ended up singing Pixies Hey song under the cold December rain: “been trying to meet you, uh uuuuh”.

When I arrived home, almost dawn, and checked my inbox (geeky girls don’t go to bed before checking email…), I found out about your choice, your decision.

And from all this, once again I have learnt: it doesn’t matter how grey your day has been. What matters is that you carry with yourself the strength to sing really loud the things you truly believe in. And have faith in it, because if you do believe, then it will all turn into reality.

It is almost 8 a.m. now. I can finally go to bed with a big smile on my face. Thank you Liz.

5 bitaites quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Liz, and all,

I want you to have an idea of the very little that people in Timor have so that you can appreciate the very much that your laptops would bring to young women there.

I took the following photos when I was teaching Computer Engineerig in Dili from March to August this year. On the first one you see me with a good friend's familly (wonderful people!) and on another one, you see the interior of their house. So this is a 'privileged ' Dili's citizen (one with access to the University) familly house, in the mountains. At night the family gathers around the old radio to hear the news. Cost of the Internet is 3.000 USD a month for a 256 kbps connection.



As you can see, your laptops would truly make a difference for young women in Dili, Timor!

[Me teaching girls at the National University]

6 bitaites terça-feira, 2 de dezembro de 2008

PROCURA-SE
homem da bricolage para tapar os buracos nas minhas janelas.

9 bitaites terça-feira, 25 de novembro de 2008

2 bitaites segunda-feira, 24 de novembro de 2008

"Quando queremos muito uma coisa, arriscamo-nos a consegui-la", repetia não demasiadas vezes, e só em situações cruciais.
Foi o meu primeiro chefe, num primeiro emprego que eu queria muito. Não estava completamente certa, na altura em que me candidatei, de estar à altura daquilo que a empresa procurava num gestor de projectos.

Às vezes, deixava-me nervosa, com aquela pica que talvez até faça corar um pouco, e pensar que vou conseguir, vou ter de conseguir. Fazia-me duvidar. No bom sentido! (na direcção de quem encontra as respostas). Privilegiava a assertividade. Ensinou-me muito, não só nas duas semanas iniciais de formação intensiva, oito horas por dia fechados numa sala de reuniões. Injecção de conhecimento, lavagem cerebral de posturas, atitudes, palavras. Ensinava sempre, com calma, virava as arestas do projecto para a incidencia da luz certa, clarificava, confiava, acalmava. Ensinou-me a vida em metáforas de gestão.

"Quando queremos muito uma coisa arriscamo-nos a consegui-la."
O respeito que lhe tinha. Talvez por ser músico também. E pai. E excelente profissionalmente, não só aos meus olhos.
"Sara, é o Tinoco?", já sabiam, e perguntavam, se ao Sábado de manhã, eu com cara de nó na garganta, recebia aquela mensagem com os valores semanais de controlo de gestão. E o maior sorriso do mundo: "espectacular, conseguimos bater o record!"

"Quando queremos muito uma coisa arriscamo-nos a consegui-la."
Olhei-o como um laço. Não sabia como lhe dizer quando decidi ir para Timor. Demorei duas semanas a tomar coragem, e fui de mãos frias e suadas: "é isto que eu quero fazer agora". Parecia que estava a dizer ao meu pai que ia ser avô, ao que ele me respondeu que se é isso o que quero, "vamos preparar a passagem de pasta."

1 bitaites quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Foi mesmo cómico de manhãzinha.
Ainda o Sol não tinha nascido mas já deixava, lá ao fundo, longe, sombras de pássaros grandes, pretos, muito longe, muitos!, em bando de emigração, sobre uma linha ténue de horizonte, que drasticamente passava do negro da noite para um rosa que lhe ficava suave.

A dormir em pé, enquanto conduzo, vejo já que a poeira no vidro da frente está prestes a espelhar os primeiros raios de Sol, que cegam.
E então parei na bomba da circunvalação, dirigi-me à água, sem ver que a mangueira não estava colocada, rodei a torneira, molhei pés e calças. E meias. Com frio e sono, com vontade de mais conforto.

O senhor de uniforme - baixo, 50, bigode - veio avisar que a mangueira estava fora do sítio, quando já estava eu ali em pé, ao lado do carro, eu de braços caídos, a olhar para a injustiça que me humedecia os tornozelos. Ele viu, e eu e sei que fez aquele risinho interior que não sei descrever por palavras. E então ligou a mangueira à torneira, e eu apontei-lhe para os óculos.

E depois já não quis voltar à cama, tomei um grande pequeno almoço na Praça Velasquez e fui fazendo a minha vida.

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Conheci em tempos uma pessoa, sem a conhecer bem.
Bem como àquilo a que estamos habituados! E que falava muito sem parar dizia tudo em camadas confusas, em nuvens de relâmpago, em vertigens de inquidetude, em náuseas do desregrado. E desse tudo muito que deixou - e foi, de facto, muito! - descobri uma fenómeno que me intriga: não há uma coisa que tenha dito que eu consiga reproduzir.

É como fazer uma pesquisa no gmail e não conseguir descobrir a palavra que se achava dita, porque sempre outra foi usada no seu lugar! Tipo ficheiros secretos.

Curiosamente, o seguinte texto que aqui deixo, é de autor que desconheço. (Outra variante, de coisas que faltam.) E no texto dele, contou-me o meu tio, falta também uma coisa, em abundância. Guess what?

Sem nenhum tropeço posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo isso permitindo mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter com impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, mesmo sendo como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr inibido pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.
Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o 'E' ou sem o 'I' ou sem o 'O' e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo sem o 'P', 'R' ou 'F', o que quiser escolher, podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?
Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.

0 bitaites segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Opções, Vontades
Não sei agora se foi no metro de Madrid, no dia anterior, ou se estava já no avião de regresso a Portugal, sozinha. Vi-as ficar para trás, no aeroporto, e curiosamente fui eu só quem correu e conseguiu partir, de bengala na mão, pé dorido frio, e aquela pele colada de um sono demasiado curto após reveillon. Era o 1º dia de 2008. Foi numa dessas duas situações que escrevi a lista de objectivos para o ano, eram 12, dos quais 2 demasiado utópicos e que não dependem de mim, 1 que troquei por outro que entretanto se tornou melhor, 1 que desisti de conseguir (era juntar dinheiro... mas a crise...), 1 que ainda não consegui, e os outros 8 estão feitos.

Prioridades, Objectivos
É que é obsessivo, de doente, por me parecer a mim - aos outros! - o que uma pessoa é capaz de reflectir no tom de voz, quando perdeu o rumo. Ou encaminhou-se! Mas para bem longe de tudo aquilo que passa pelas mãos dos outros. É ter de, ter que, dizer aquilo assim e pronto. Que pareçam loucos descompensados.

Causas, Percursos
A minha vida é o surf. Sou um geek with a heart. Faço tudo pela protecção dos animais. Recuso-me a usar derivados do petróleo. A minha vida é jogar na bolsa. Não fumo antes das 17h. Leio todos os livros do Gabriel Garcia Marquez. Sempre e só. O Open Source é o meu coração. Só descansarei quando houver um ecoponto no meu bairro. Tenho todo o merchandising da Guerra das Estrelas. Vivo para o traçadinho do final do dia ali no café. Que acabe a violência contra as mulheres! (lindo...) Vou saber todas as línguas! O que procuro é uma mulher asiática, um varanda sobre o mar, o pôr do sol perfeito, o monstro de Lochness, um modelo de carro antigo, reproduzir o som dos pássaros. Não como cebola. Nem alho.

Estados de Espírito
Desenho uma estratégia em estratagemas esquemáticos de labirintos. É o que acontece quando não sabemos o rumo, sabemos o fim. Enfeito de uma forma tão minha aquilo que mais ninguém veria assim. Sei, sei das manobras de diversão e divagações, dos pontos de fuga e conspirações.

2 bitaites sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Chegam-me notícias daquele que acredito ser o homem da minha vida. Que é Timor, se Timor é um homem ou um mar. E acho lindo dizer isto. Ele já sabe agora, que parti, mas nunca o discutimos frente a frente. Isto traduz-se em telepatia intercontinental de "ha'u hein… ha'u hein". Digam isto devagarinho e com os agás aspirados para perceberem.

Ele disse "tenki ser". Ora a ideia de ser-se, muito menos obrigatoriemente (tenki = tem que)!, não existe por aqueles lados. Pelo menos transformada numa só palavra, como ser em português.

Este fenómeno da inserção pontual de palavras estrangeiras no tétum advém da necessidade de abstracção, ou até mesmo do desconhecimento de como o dizer na língua oficial local, já que não é essa a língua mãe de grande parte dos timorenses.

Obviamente que este fenómeno está também relacionado com o facto de existir uma partilha de pódium das línguas oficiais do país. O português vai marcando terreno com aquelas palavras poéticas como o nunca, o sempre, o ser.

E a verdade é que, por ser o tétum uma língua tão simples, que nem abstracções, pelo menos como as entendemos, as tem, consegue-se, ao traduzir para português, dizer poesia simples. Ao natural.

E por isso é que me apaixonei por Timor. Porque ele fala a minha língua.

4 bitaites terça-feira, 28 de outubro de 2008

De uma crónica publicada no JUP, intitulada

Hoje Não me Vou Queixar

Ai é tão longe, e doem-me as costas, ui que não tenho dinheiro, e a gasolina está tão cara, aquele gajo só me quer lixar. Não arranjo emprego, é tudo tão difícil, não consigo fazer nada, o trânsito, as compras. O verão fora de época, e a ela dói-lhe sempre a cabeça, a mim ninguém me compreende, os meus pais são forinhas, e este quer ultrapassar-me. Estás cheio de pressinha!! “Raisparta” o fumo, o barulho, o stress.

Existe um agente infeccioso que paira sobre os ombros das boas gentes desta terra. É geral: todos insistem em problematizar. E o errado nisto é que esse brainstorming de tudo o que é mau não funciona como alavanca na busca de soluções que confortem. Este agente infeccioso altamente contagioso, tem o dom de colar à pele uma máscara. A da fusão do coitadinho.

Para quem vem de fora, vê no Porto, se despido desta doença, uma cidade viva, agora de Baixa ressuscitada e coisas, eventos, turistas, casas lindas. Eu cá não vejo melancolia alguma. Mas ouço-a, quando sobre mim cai o eco das pessoas. Porque será tudo tão complicado?

Aos raros excêntricos, que se permitem a liberdade de acreditar, olha-se como patetas alegres. Coitados, andam tão enganadinhos!... E fazem coisas estranhas, como trazer estojos de lápis de cera nos bolsos, ou flores nas mãos. E aquela expressão na cara! De sorriso ao desbarato, como se fosse de se dar nos dias que correm!...

Isto dizem eles, verdadeiros coitados. Eles invejam porque “só a nós, os valentes, ocorrem ideias extraordinárias”, disseram-me em tempos.

E quem contou essa, também ofereceu outra história, valiosa, extraordinária. Num arquipélago tropical vulcânico, um milionário passeia no seu iate até atracar numa ilhota onde um pescador assa o seu peixe na fogueira. Diz-lhe o milionário que arranje um barquinho para que possa encontrar mais peixe e vender o que não precisa e com isso pode depois arranjar um outro barco, dividir tarefas, investir os lucros, abrir um negócio de conservas, guardar o excesso, para depois construir uma casa espectacular. O pescador pergunta-lhe só o que fazer depois de ter essa casa e todo o dinheiro. O milionário diz-lhe que aí pode descansar, viver tranquilo. “Mas isso é o que faço agora”, responde o pescador.

Um destes dias, enquanto subia uma das muitas montanhas que o Porto tem, ali ao lado de Mouzinho da Silveira, na rua de São João Novo, sentia o leve esforço que desperta o estar bem. Lá ao fundo ouvia alguém a cantar muito afinado, mas muito muito alto, alguma coisa romântica em inglês. Cada vez mais próxima a voz, mais e mais intensa no desenrolar da acção, em direcção a mim, ele vem… é este? Não! E passa o miúdo de 7 anos, oculinhos catitas, para o gorducho, com headphones, a interpretar cheio de feeling a balada do novo século. Enquanto ele descia em direcção ao Cubo na Ribeira, as pessoas paravam, vinham espreitar às portas das lojas, às janelas. E depois riam-se de tão inusitado cenário!

Daqui compreendo que o estado de espírito com que interpretamos as rotinas da nossa vida (que nada mais são do que a vida em si), depende do quão ágeis somos no balanço entre o deixar estar – aceitar, sem querer influenciar – e a marca da nossa diferença. A auto-determinação, que me permite saber, segura, que hoje, não me vou queixar. Vou cantar aos berros na rua, vou mostrar-me disponível, vou contar uma história, ensinar alguma coisa, a fazer um origami, vou por aí, aproveitar aqueles momentos em que sou só eu e a cidade. Vou sorrir sinceramente por conseguir ver nos gestos das pessoas que estão vivas, e sentem.

E com isto quero dizer o que se segue. Que está agora a começar o ano lectivo, ou o sexto bimestre, ou o Outono (pode escolher-se um começo aleatório). Está agora a começar um novo dia, e era lindo se, pelo menos durante este novo dia que começa, todos não problematizassem. A ver se o agente cai dos ombros para o chão, espezinhado por quem acredita que a vida pode ser boa, sem queixinhas.

2 bitaites quinta-feira, 23 de outubro de 2008


...tem aqui a resposta completa.

0 bitaites quarta-feira, 22 de outubro de 2008


Huh! (unkown) - Galaxy


Hoje sinto saudades, insuportáveis, como facas.
Não quero usar meias de lã nem golas altas, nem quero sentir o céu cinza em cima de mim, se dele não vai cair uma chuvada da qual não tenho de me abrigar.
Hoje só quero se for em tétum, e como abrigo, enrolo-me um tais.

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Ohin ha'u nia laran moras, maka'as liu, hanesan catana sira mai ha'u nia an.
Ha'u lakoi hatais roupa mak manas, ha'u lakoi senti lalehan malahuk iha ha'u nia leten, tamba udan ne'e malirin, la'os hanesan Timor nian. Iha ne'eba ha'u lalika halai.
Ohin ha'u hakarak buat ida se buat ne'e ho tetum. Ohin, atu kous deit, ha'u hatais tais ida.

0 bitaites terça-feira, 21 de outubro de 2008

Podem ler o Poema Português de Pedro Lebre traduzido de português para tétum e inglês por mim aqui >>.

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Fotos de Ricardo Meireles

0 bitaites sábado, 18 de outubro de 2008

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"Quéiu o veniz ruoixo puque o ruoixo é a minha côi peferida. O meu nome é violeta, sabias?"

1 bitaites sexta-feira, 17 de outubro de 2008

As ondas de mar revolto, um vento quente com lenço nos cabelos, mãos à minha frente balouçam com sardas de pele sábia, tudo muito lentamente, quase cantado. A história é só uma pergunta e resposta. Sabes porque o canto matinal dos galos soa a lamento? Porque eles lamentam, sim, que mais uma noite tenha passado e que a tenhas desperdiçado a dormir.

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Uma preocupa-se e quer compreender a situação financeira actual.
Outra pensa é passageiro, isto vai dar cá uma reviravolta!

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"Uma Frase e a 2ª História" já está escrita, mas será uma crónica publicada no Jornal Universitário do Porto (JUP) o que me impede de a publicar aqui para já (o JUP ainda nãp saiu... Está para breve!)



É meia porque ainda me sinto meia sem saber como a enfrentar – esta lição sobre o medo.

Depois de a ouvir, imaginei como reagiria se alguém na rua, comigo se cruzasse, com feições de bem e dissesse “vem comigo”. E esta semana tive oportunidade de reagir.

Uma tarde outonal, de chuva miudinha, céu carregado a ameçar mais e mais. Estou a chegar à paragem de autocarro de Sá da Bandeira. Trago o meu casacão verde, com o carapuço de pelinho à volta da cabeça enfiado, carrego uma grande cesta de palha de roupa suja (estou a ir para casa dos pais…) numa mão e a carteira na outra. Pessoas apressadas, abrigadas nas bordas dos prédios (não sabem que é por ali que os pássaros se largam…). A sede do BES é lindíssima. Dá vontade de ter dinheiro só para ir àquele banco.

Por entre as pessoas cruzo o olhar por milésimos de segundo, com desinteresse, com o olhar de alguém que parece o John Malkovich. Nem reparo que também ele olhou para mim, e as sobrancelhas se levantaram, como se já nos tivéssemos conhecido antes. Mas já estou a olhar para o lado, e nem vejo que à minha frente, a cara dele me diz “Olá, posso ser teu amigo?”

Assustei-me. A tendência é levantar os braços e não deixa-me em paz que queres quem és tu? E ele com o olhar mais triste do mundo ”olha, não vás, dás-me um cigarro?” E eu fui, embora, esconder-me na paragem, espreitar para trás, depois de camuflada. Ele continuou com o guarda-chuva, e mancava calmamente ao atravessar a rua.

O que ele me fez, não se faz, foi um jogo. Um jogo de confiança, um teste aos limites que o medo impõe.

Então, estamos num ferry ferrugento, já se sabe. A volta de 180º aconteceu há pouco tempo, mesmo antes dele começar a dançar tango no convés e de dizer que na bandeira do Brasil não devia estar o globo, mas sim o rabo das brasileiras. Um monumento nacional, disse. Sentamo-nos (deixei a varanda de onde testemunhei tamanho pião), e ele faz-me o convite. Quer que no dia seguinte vá a casa dele, em Bali, ter uma experiência maravilhosa, que nunca antes tive, e que nada de negativo me acontecerá. Não tem nada a ver com drogas, não me vou sentir ameaçada, ninguém me vai tocar. Não posso saber o que é, e tenho até ao final da viagem de barco para decidir. Caso decidisse sim, iria no dia seguinte, lá, ver do que falava. Caso decidisse que não, ele contaria do que se tratava, e eu já podia mudar de ideias.

Para tomar a decisão, houve muito que me passou pela cabeça. Incluindo o saco cheio de máscaras em que o ajudante indonésio deles mexia, enquanto ele me fazia tal convite. Dois gajos colossais de figura exótica, um remo e um saco de máscaras. Estou a dois dias de voltar para Portugal, depois de 5 semanas sozinha, em Timor e na Indonésia, tudo correu bem até agora. Este senhor é bom, não há dúvida. Mas quero assim tanto ter uma experiência mistério? Agora?

Claro que não. Digo-lhe isso quando já se vê o porto de Padang Bay, na ilha de Bali, ao fundo. E depois ele diz que sou cobarde, que o meu sexto sentido deixa muito a desejar. E conta-me o que tinha acabado de recusar. Eu não vou contar. É o nosso segredo.
E depois, sinto uma síncope no coração. Fico muito triste, quase miserável. Tenho vontade de chorar. Vêm flashes do que é o medo, de tudo que recusamos sem mais motivo para além daquele que é o nosso limite, de conforto. E a conversa que tivemos depois disto, na hora e tal que passou enquanto esperávamos lugar de estacionamento para o ferry, tomou uma dimensão filosófica, que até direito deu à planificação pormenorizada de uma caminhada pelas montanhas do Nepal.

E com palavras de Krishnamurti rematou. Um dia vou poder redimir-me, é o que espero da lição.

“Hay duas fuerzas que dominan al hombre una es el amor y la outra es el miedo.”

1 bitaites quarta-feira, 15 de outubro de 2008

"Mas sei que não vou por aí"
Cântico Negro, José Régio

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Era certinho, sagrado.

Todos os dias, saída das aulas por volta das 18h30 caminhava calmamente, havaianas, até ao Bairro. Nos meses de Junho e Julho, anoitece mais cedo, é Inverno, e talvez por ser a época seca, desenham-se tons densos de rosa e laranja no céu. Sem ou quase sem nuvens. Eu gosto mais dos pôres do Sol com nuvens, mas o certo é que aquela gama cromática, dava uma óptima entrada na penumbra que se seguia.

Entrava em casa, cobria-me de tunicas e lenços, para voltar a sair. Não estava frio algum, mas tinha de me tapar. Com a penumbra vêm também os mosquitos, que me adoram.

Saía de casa, descalça, e ao lado da minha casa (é a 2?), entre a parede do meu wc e o muro imponente que separa da rua que vai para Colmera, existe um pequeno arvoredo. Papaias, que são altas, e duas árvores, semi-raquíticas onde a rede que trouxe do Camboja encaixou muito bem.

Colocava as duas espirais de incenso insecticida em dois pequenos raminhos partidos: um perto da cabeça e outro perto dos pés. Deitava-me, a olhar o topo do Hotel Timor, vestia o iPod, fechava os olhos, ou deixava-os semi cerrados, e começava a cantar muito e bastante alto. Essencialmente a Marisa Monte, Sloppy Joe, e uma ou outra música timorense :)

Se alguém chegava ao Bairro, não me via, mas ouvia. O meu sítio era secreto. A rede é tão pequena que só eu caibo lá (talvez um dos seguranças às vezes batesse ali uma sestinha). Se fossem perguntar por mim a minha casa, os senhores professores que vivam comigo (cada um com a sua panca!), apontavam envergonhados para Sul: a miúda está doida... não a ouves?

E às vezes lá aparecia um ou outro, e a minha terapia diária de evasão terminava assim.

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musicovery.com

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têm de seguir o link, sorry. Visitem a página do meu irmão.

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O quarto de leitura.



O quadro do brainstorming.

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Apesar de sonhadora convicta, na minha vida, nocturna, é por fases que sonho intensamente.

Nesses sonhos cíclicos que acontecem, tenho experiências internas que podiam tomar lugar no sítio onde estou e que encontrei hoje.

Estou num pátio, na Ribeira, calçada portuguesa. O pátio é rectangular e grande, está coberto de videiras baixas. As mesas e cadeiras de ferro forjado, pesado.

À minha volta só eu, mas procuro um vulto que está muitas vezes lá, nos sonhos. Veste-se de preto, é alto e magro. Traz uma onda de mistério nos ombros, baixos. Os olhos são brilhantes e muito negros. Podia ser já charmoso, mas é muito novo. Nunca falou, embora tenha estado muitas vezes no grupo.

Caminhamos sempre muito, por ruelas estreitas, a noite caída até sair.

Paramos agora no pátio, mãos nos bolsos, onde uns dedos de Sol se espreguiçam entre as folhas densas da videira, entre as espirais que os ramos desenham.

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Na Feira do Adiante tive uma lojinha com a Violeta. Só apareciam pessoas para vender, e eu lamentava-me em alta voz por não conseguir vender coisas. Ao que ela responde: "Tia, tens de ter paciência. Uma coisa de cada vez... não é?"

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Um momento em que estou, só.
Quando apago todas as luzes, deixo as portadas abertas para as cúpulas que se multiplicam no horizonte.
Cai em mim uma vontade indómita, do coração ao estômago, daí para as pontas dos dedos, frios. Cai-me um estado de sentir-me fado.
Caem as pálpebras e quero estar onde pudesse a música ser outra, ou esta, mas de saudade virada ao contrário. "Ouvindo-a sou quem seria / se desejar fosse ser..." [mariza]

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«Tengo que contarte esta historia en español. Es una historia turca, muy corta, en menos de un minuto vas a saberla.

Un hombre en la aldea donde vive se queda a la puerta de la mujer que ama. De lo otro lado, se pregunta "¿quién es?" y él respondió "soy yo". Entonces ella le dice para ir a la montaña por un año y luego regresar.


Un año después, él regresa. Golpes en la puerta y le preguntan "¿Quién es?". Él responde "Eres tú".»

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Festa do AdianteFeira dos usados do Grande Porto (metro do Marquês e Faria Guimarães)

VISITEM O BLOG
http://feira-do-adiante.blogspot.com

Rua do Bonjardim nº 1176
Sábado, dia 27 Setembro. Das 16:00 ás 20:00 e das 22:00 ás 24:00.
Domingo, dia 28 Setembro. Das 16:00 ás 20:00.

Esta feira dos usados, a FESTA DO ADIANTE, visa dar novas residências, renovados significados e principalmente novos companheiros às coisa que ocupam espaço e não são usadas. Com isto podem-se fazer uns trocos.Estas coisas são por exemplo objectos esquecidos, livros, cds de música, objectos de decoração, coleccionáveis e roupa.

Vem juntar-te a nós através desta troca ousada! Estamos à tua espera.Traz amigos também!

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Estou outra vez dentro de um barco, ferry, velho, ferrugento.
Estou deitada num banco corrido cujo estofo plastificado sucumbiu à evidência da sua idade.
Estou a escrever uma carta de amor em tétum. Quero ser como o do Amor em Tempos de Cólera e escrever histórias assim. Aceitam-se encomendas. Estou desempregada.
O banco corrido é curto demais para estar deitada, então sorrateiramente ponho o meu pezinho no banco do senhor do lado (não deve ser muçulmano porque estamos no Ramadão, é de dia e ele está a fumar um cigarro kretek com cheiro intenso a cravinho).
Estou a trincar a tampa da caneta – há’u nia laran monu ba ó – a olhar o infinito por estar a ouvir aquela música.

O infinito do horizonte entre Bali e Lombok, um dos estreitos mais profundos e perigosos do mundo, é intersectado por duas figuras que não deviam ali estar. Muito altos, morenos, cabelo comprido com um je ne sais quoi de explorador, grandes, ombros largos. Cabelo grisalho. Sardas. Trazem um remo na mão.

O infinito do meu iPod é intersectado por um idioma que não devia ali estar. Falam francês, só podem ser do Tahiti que os franceses não são assim. Ilha da Páscoa? Lá falam francês? Bem, certamente de alguma ilha exótica do Pacífico porque destas figuras não há para os meus lados. “Excuxe me, are you from Tahiti?”.

“No, I’m not. What about you?”
“Portugal.”
“Garota portuguesaaa! Eu nássi em Isspanha. E vô aprôveitá qui você aqui está fazendo essa linda viagem comigo para partilhar consigo um sonho que tenho. Talvez você ache que é utópico, mas é um sonho que eu tenho e espero poder concretizar um dia. Que é assim: um dia eu vou conseguir juntar tooooodos os passaportes espanhóis e fazer uma grande montanha com eles. Depois vou pegar em toooodas as bandeiras, e fazer um grande monte de bandeiras amarelas e vermelhas. Ao mesmo tempo vou reunir também toooodos os passaportes portugueses e fazer outra montanha, e outra com as bandeiras de Portugal. Depois, pego num fósforo e atiro. Quando tudo for cinzas, eu, Victor Vidal, serei o Primeiro Presidente da Nova Nação de nome Ibéria.”

Assim, sem mais nem menos. Eu já não ouvia português há uns tempos. E do meio do nada, o gajo de aspecto excêntrico que interrompera o trincar da minha caneta, transformou o meu ar céptico, de quem viaja sozinha, e fez-me rir até doer os maxilares. Não me queria acreditar no que acabara de ouvir.

Disse-lhe que não me parecia bem. Então e o fado, e o hino, e a história… e a língua…
Ao que ele responde “não tem mal… faz assim, se quer ir comprar sapatos só tem de dizer Yo quero comprar uns sssssapatos. É o portunhol. Uma palavra de cada língua. Mas quando você quer dizer sapatos, tem de dizer o ss como os espanhóis. Porque isso é o que os espanhóis têm de bom.”

E continua…

“Eu estou muito deprimido. Você deve ter reparado que estou viajando num ferry com um remo na mão. A polícia não me deixou atravessar numa canoa e esse era um grande objectivo meu, fazer um filme com o meu amigo sobre esta travessia mítica. Estou cansado, mas antes de dormir, vou-te contar três histórias….”

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Finalmente sentei-me e comi um iogurte.
Passadas duas semanas de Porto. Exactamente um mês depois de deixar Timor e partir para a Indonésia. Com tantas histórias para contar dessa viagem roots sobre montanhas (das a sério ou figuradas) e uma mão de pessoas autênticas.

Não há nada como poder comer um iogurte natural açucarado com pepitas de straciatella enquanto lembro coisas com um grande sorriso. E poder dizer bem alto "eu fiz isto!! eu fiz isto!", "eu estive ali!", "ele disse-me assim...".

Uma das histórias mais surreais que posso lembrar assim, sem ter a certeza que foi mesmo, aconteceu num ferry público que liga Lombok a Bali. Outro barco depois de muitos dias de muitos barcos. Com a cabeça na almofada à noite a balouçar. E este barco atravessava um dos estreitos mais profundos e perigosos do mundo.

A meio da viagem, de repente, em poucos segundos, o barco imponente deu uma volta de 180 graus. Da mesma forma que os barcos podem fazer um pião no mar alto, também pessoas como o excêntrico Victor Vidal, ou Django, podem aparecer.

Foi ele que ao longo das 6 horas de viagem (com intervalo de três horas de sono porque o coração lhe doía por a polícia não o ter deixado atravessar o estreito num barco a remos), me contou três histórias, duas frases, um sonho utópico. A meia lição, estonteante.

Acabo de encontrar este post sobre o personagem. Eu também tenho muito mais a dizer por ele.

E este post apesar de ter começado em tom de "então vamos lá fazer um overview desta temporada away", significa outras coisas. Que a vida continua bem, tal como foi antes.

1 bitaites domingo, 21 de setembro de 2008

Preciso de fotografar o que é o reflexo de uma grade trabalhada num vidro fosco de portada antiga do prédio de Mouzinho da Silveira. Mas não tenho máquina portanto faço-o com palavras.

E os recortes no limite da paisagem, que é o céu, porque estou alta, multiplicam-se em formas, curvas, relógios, cúpulas vítreas, sinos, rosas do vento, cruzes, o Norte.

A chuva vertical, não oblíqua, simplesmente deixa cair o seu peso frio de lágrimas atravessadas por raios de Sol. Todos batem nas pedras da calçada.

0 bitaites quarta-feira, 17 de setembro de 2008


3 bitaites terça-feira, 16 de setembro de 2008

Não é que essas diferenças me sejam indiferentes. Não! De todo! … Mas penso que simplesmente aprendi a aceitar, a não julgar por ser mais fácil.
Contaram-me a seguinte história, sucinta, passada numa tribo amazónica: um homem está sentado numa cadeira sobre um tapete e uma mulher, sentada no chão, perto dele, lava-lhe os pés com dedicação.
Aos ocidentais presentes é pedido que comentem tal cenário. Para todos a descriminação da mulher é facto assente. Qual a surpresa quando nos é desvendado que naquela tribo nada de mais sagrado há do que a terra. Só as mulheres estão autorizadas a tocá-la. Os homens, para terem permissão, precisam da bênção delas.
Por isto não julgo.

Viajei do leste do oriente animista, passei pelo mix católico esotérico, fui-me aproximando de uma vertente mais ortodoxa, daí foi um salto para o islamismo. Com alívio, no final, o jeito relaxado dos hindus, com o seu cuidar das flores e oferendas. E depois, aqui, o ateísmo convicto, lê-se nos olhos a descrença.

Em Bali, não critico as loiras em topless nem as gordas em fio dental. Só fico chocada porque vim de onde o banho em público no feminino é feito em calções até ao joelho e t-shirt sem decote. Também não critico os risos histéricos dos japoneses quando posam teatralmente para as mil e uma fotos de grupo na praia. Nem a conversa dos surfistas da praia de Kuta.
Em Lombok, não critico os casais gay. Até os admiro. Também não critico os risos sem respeito de quem lhes vende abrigo.
Nos aeroportos, não julgo os chinocas stressados que me ultrapassam descarada e violentamente nas filas de aeroporto. Na terra deles devem ter sido obrigados a desenvolver esse instinto animal.
Cantores pop indonésios a dançar como o Michael Jackson.

A leveza com que se circunscreve o mundo inteiro em curtas semanas passando pelas culturas como por corredores de supermercado. E das prateleiras só os preços se decora. Não critico, mas não quero isso para mim.
Não julgo quem dá e espera reconhecimento.
Não critico a ganância, a preguiça, a má disposição, a mentira. Mas dou de mim tudo quando recebo o oposto.
Há espaço para todos aqui.

5 bitaites quarta-feira, 3 de setembro de 2008



Cheguei a Moni ao final da tarde. Do meu bungalow virado para a montanha inspiro proteccao. Montanha e Paz. Foho no Dame. Cansada da viagem de barco, 17 horas no esterco, exausta ainda pelos ultimos dias em Timor. As 4h30 da manha o ojek (motorista de moto) esperaria-me em frente ao bungalow, para me levar a subir o Kelimutu com o intuito de ver la o Sol nascer.

As 4h30 da manha desco do quarto, esta la o ojek. Aparece o Heru, com cara de pai para cima de mim. Marca presenca, faz olhar protector. Pede-me o numero de telefone. Olha mais uma vez para o ojek e diz-me em bahasa indonesia ate ja, em ingles que lhe telefone se precisar de alguma coisa.

Conheci-o na noite anterior no restaurante ali ao lado. Nao havia electricidade, o gerador nao estava a funcionar. O pequeno bungalow de montanha parecia idilico a luz de 3 ou 4 velas, e uma mesa corrida. Sentei-me ao lado do grupo dele: a mulher e a filha. So ele eh que falava ingles e parece-me que ficou todo comovido com a minha viagem. Um homem bom, bonito, com presenca, olhar directo. No dia seguinte, quando voltei do Kelimutu, ofereceu-me boleia ate Ende, tratou do meu transporte ate Bajawa, ofereceu-me cha de gengibre.

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Tem-me aparecido as pessoas mais incriveis nesta viagem. Em cada ponto de descanso, se comeco a ansiar pela minha solidao, ou por isto ou aquilo, aparece sempre uma pessoa boa. Sem eu procurar! A pessoa boa ajuda-me, mesmo que eu nao precise. Leva-me, liga-me a quem preciso, alimenta-me, protege-me. Sei que a pessoa eh boa porque da para ver no olhar dela. E porque sempre me oferece comida.

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Os mentos de morangos sao sempre maravilhosos. Na praia tropical, em frente a lareira, numa montanha enregelada, em viagem solitaria, rodeada de amigos, a ouvir musica ou na igreja. Abro uma embalagem e como-a compulsivamente sem oferecer.

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Geologicamente falando, a ilha das Flores eh uma sucessiva sobreposicao de planos incriveis de montanhas vulcanicas, densamente cobertas por uma vegetacao que transborda vida verde. Biologicamente falando eh um museu vivo de frutas e madeira, embora nao tenha visto de memoravel aquilo que justifica tal nome de baptismo.

A ilha eh linda e grande. A ilha era dos portugueses, mas os portugueses ofereceram-na aos holandeses, em troca do mini-distrito de Liquica (Maubara) em Timor Leste. Tenho pensado muito nisto. Porque raio eh que terao trocado uma ilha inteira cheia de riquezas como esta, por mais um bocadinho de Timor?

Cheguei a conclusao que eu tambem ja fiz o mesmo, ao trocar a possibilidade do meu mes e tal de ferias a explorar a Indonesia por mais uns dias em Timor, e depois so duas semanas para esta viagem. Sao opcoes que nao se justificam e so se sentem. De coisas mais praticas, falarei ao vivo.

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Ainda na demanda do tasi mane, fiz-me a estrada na biskota Dili-Maliana. Terca feira as 6 da manha. Era para ter saido na Segunda, mas a noite de Domingo foi demasiada em divagacoes e nao acordei depois. Em Maliana tinha ficado de ligar ao Pedro Laranjeira, ex-aluno UNTL/FUP, uma pessoa boa, engracada, sorriso aberto, olhar cativante, bigode, pai de quase 2, com quem ja troquei boas e algumas conversas. O telemovel esta desligado. Vou ou nao vou para Bobonaro? Ele disse que estaria por la a fazer o projecto de medicao florestal com a cooperacao Portuguesa (dar-lhe-a passaporte para portugal daqui a pouco tempo). Esta indecisao nem chegou a ser porque os colegas da biskota ja me tinham enfiado na outra com aquele destino, onde o pessoal estava animado, mesmo apesar dos sacos de arroz serem mais que muitos. Nao sabem que os percebo e mandam bitaites "porque eh que ela pode trazer esta mochila enorme ca dentro e as minhas coisas estao em cima do tecto?". Fecho o bico e rio-me por dentro.

Bobonaro, o fim do mundo, nao so por ser longe de tudo, isolado, mas porque tem aquele aspecto de que o mundo ali ja acabou e o que sobra sao so as ruinas de tudo escavacado, desleixado, incendiado, abandonado. Ai meu deus onde me vim meter levem-me a policia. Na policia descubro o acampamento. Descubro tambem que ao contrario do que pensava nao so la esta o Pedro e o Marco (coordenador portugues, recem-caloiro em Timor), mas tambem 15 outros agrarios timorenses. Tasse bem, uma tenda para mim, outras duas para voces. Entre o passeio as termas, o jantar partilhado de marmita, o desfazer do acampamento na manha seguinte, ouco-os a discutir muito, mas nao percebo nada. "Pedro, hau la hatene... Bele explica mai hau?", "Depois explico professora." Entro na pickup ao lado dele, os outros marmanjos todos atras, na caixa aberta, coordenador inclusive:

"Eh que nos queremos leva-la ao tasi mane, e pensavamos que o coordenador hoje nao vinha para o campo conosco. Mas ele afinal veio e nao conseguimos assim fazer o desvio de 4h as escondidas dele! Estamos a tentar arranjar uma forma..."

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No momento em que o barco deu o primeiro sinal de arranque, tudo o que me estah dentro se apertou, como se enxagua uma toalha. Custa-me, que hei-de fazer?, custa-me largar esta ilha. Pensei que por terra e mar fosse mais facil do que larga-la de aviao, sem olhar para tras (e para os lados so vejo asas, calham-me sempre esses lugares). Mas mesmo assim custou, a toalha apertou, vejo agua a sair, deito-me no chao sobre o tais que estendi.
O telefone tocou, aquela voz que me eh tao familiar a outras rotacoes, tao distante para estes assuntos. "Mana, ro sa'e ona ka?". Sim, acertaste, o barco acaba de sair. Desta vez nao volto atras. Levanto-me ate a varanda, para verificar que estou no ir. Espreito o tilintar do mar de agua cristalina, sinto-me tentada a saltar. A toalha do meu dentro aperta, aperta.

Sao hobbies do coracao, os que eu invento, naqueles tempos mortos em que ate o ponteiro das horas ouco. Escolho vestir os headphones de alguma fantasia distante, inalcancavel, e ouvir, ate la chegar, a sincope platonica das minhas emocoes.

Estou num barco grande, ferrugento. Os pneus que o corpo ostenta lateralmente de derretidos, desconfio que ja passaram por um incendio. Dos cerca de 300 passageiros, diria que 250 sao muculmanos. Da multidao de tripulantes, sou o unico branco. A unica branca. Assim que me vi neste cenario, vesti as calcas, despi a saia, vesti a tunica por cima da tshirt, cobri o pescoco com outro tais. Ainda assim, os pes, as maos, a cara, o cabelo, mostram-me exotica aqueles olhos. Para me esconder mais, visto os tais headphones, e este caderno. Deitada no chao asqueroso, como os outros, mostro a minha "cara salgada" de ma (por oposicao a cara doce). Tambem eu trouxe a minha marmita de arroz embrulhada em papel castanho tipo encomenda, e como com as maos (isto eh um toque pessoal, porque me esqueci de trazer talheres). Desde o ataque de riso contagioso do pai da Zulmira que nao aguentou o meu exotismo na mesa (que eu como com a boca fechada e devagar, como uma boneca...), nestas situacoes de choque cultutal, tento ser o mais javardolas possivel. Mas so sujo quatro dedos de cada mao. O mindinho instintivamente ficar ao ar tipo bandeira.

Montes de bebes em cuecas, esteiras, colchoes, lipas, espalhadas pelo chao, mesmo debaixo dos bancos cor de laranja distribuidos simetricamente. Sao iguais aos dos antigos STCP.

3 bitaites quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Troco mil e uma paisagens de tirar a respiracao por uma conversa simples, uma pequena invasao musical. (como se diz invasao sem parecer que eh alguma coisa ma?)

As vezes penso que estou louca, fora de mim, por estar fora de tudo, fora fora fora da realidade. Quando finalmente me sentei a estudar o lonely planet, ja em kupang, entrei em colapso: sera que tenho tempo de chegar onde preciso quando quero? O instinto que me sai natural eh meter me outra vez no caminho para timor. Qunado estou triste eh assim. Mas isso ja era demasiada loucura pegada, e o que o guia me mandou fazer foi ir a um pequeno bar decadente em cima da praia, falar com o ed. Mais tarde ele disse me que queria ter tirado uma foto da minha cara naquela altura. Eh que era so stress a raiar dos olhos. Vou a uma agencia de viagem, o rapazinho quer mais sacar me o numero de telemovel do que vender o bilhete de barco. Vou ao posto de turismo, as especialistas quase nao falam ingles. Acho que falo eu melhor o bahasa indonesia. Mas a confusao eh grande.

Com o Ed dei por mim confortavel. Mal cheguei, o bebado australiano cliente assiduo ha nao sei quantos anos diz "wassup mate? you cannot worry like that... here it is not worth it. you'll get there". Respirei fundo, sentei me de costas para o mar, logo a seguir troquei de direcao e quando reparei ja ali estava ha 6 horas. Parece que eu sou boa pessoa porque ja duas outras me disseram que nao posso ser assim tao simpatica e prestavel. Preferi ficar a ajuda lo com o site do bar dele, com as fotos do local (o photoshop faz maravilhas), a falar sobre os problemas da parte ocidental da ilha desde que a confusao se instalou no lorosae, do que meter me por ai a ver as vistas. As vezes mais vale umas palavras do que mil imagens.

Os outros podem nao perceber, mas eu sei ver so de olhar, quem me pode querer mal. Nao eh instinto. Eh que a vida ja muito me ensinou, e a estas pessoas do oriente oriental, ja as conheco de gingeira. Quase nunca sorrio.

O Ed, sei que me nao quer mal. Ajudei-o com a tecnologia e a decoracao, ele ofereceu me os cafes, os sumos, o jantar. E foi assim que se passou um dia na indonesia gastando 5 dolares. Hoje, ele levou me a umas aldeias perdidas, em troca das minhas fotos. Sentamo nos com um velho artista local, o ultimo construtor de sasandos no mundo. Sasando eh uma especie de viola, mas com cordas em toda a volta de uma cana de bambu. O velho tocou, cantou, falou, fumou. Eu so percebi a musica dele.

3 bitaites quarta-feira, 27 de agosto de 2008

o monumento ao papa em tasi tolo:

o alin, irmao mais novo substituto:

um fim de semana inesquecivel, roots, inserida no seio da familia da zulmira, 100% tetum. forte. ainda recupero das emocoes...

o por do sol na noite do concerto reggea na praia:

4 bitaites segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Ai finalmente!, parece, com alivio, com sorriso, com o coracao cheio.
Vou embora.
Fiz o que tinha a fazer, espero voltar, mais ou menos em breve. Parece que o mar do Sul eh um mito: pelo menos todas as minhas tentativas de la chegar sairam frustradas. Entao desisto, e assim fica aquela aura de misterio no ar do que sera um mar timorense que se chama Homem. Eh um mito tao grande, que eles nem tem palavra em tetum para designar o Sul onde se encontra. Ou seja, nunca ninguem la vai...

Entao ficamos assim. Felizes.

1 bitaites sábado, 16 de agosto de 2008

Já sei qual o motivo que me trouxe a Timor, desta vez. Vim procurar a palavra mais linda do tétum. E o que encontrei é expressão, único.

Oin seluk liu. Traduzir à letra não pode ser, nesta língua em que o quem se confunde com o se. Diz-se isto de alguém, que é único, e a ideia (da dita tradução) é de que não há outra cara como a dele.

Agora que encontrei a expressão, já podia seguir viagem, sentir outros ventos, mas fica sempre a vontade de poder dizer outra vez oin seluk liu. Ouvir também sabe bem, e é tão confortável por aqui ficar, percorrer a pé os caminhos, mais, ou menos, povoados, fazer tudo com calma, falar devagar e muito.

0 bitaites quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Olho para esta cama de rede, entre dois pilares, e penso que em tempos me fascinaria calcular, com todos os vectores e forcas graviticas do mundo, qual a forma, mais cientificamente inteligente, de me deitar sobre ela, evitando o desgaste do seu lado direito fragilzado, de mil e uma linhas em rompimento.

Olho para a cama de rede, azul, um tais, e vejo, ali acima, bem no centro, um espanta espiritos de cristais cor de rosa, num gradiente dimensional, simetrico, perfeito. Ouco o tilintar suave, implicito na aragem da noite, embalado pelo balanco denso das copas das arvores que me cercam.

Entre mim e ela - a cama de rede -, tenho uma unica vela vermelha, baixa. Todo o restante bairro de Vila Verde sofreu um colapso de luz. Um corte, digamos.

Vou subir para a cama de rede, e deitar-me preguicosa nela. Deixar uma perna de fora, cruzar os bracos acima da cabeca, e contar os cristais que se iluminam com o cintilar da vela.

4 bitaites terça-feira, 12 de agosto de 2008




1 bitaites

Gostava de conseguir pintar ao jeito balinês, mas com palavras, o que é este cuidar das flores que todos nutrem aqui. Uma cabana com alpendre sobre o arrozal. Em redor floresta densa, tropical, céu carregado, muitas flores. Aranha com pelo na parede, lagarto a passear na minha janela, uma iguana que cai do tecto em cima do meu braço. Desequilibrou-se, coitada. Café Bali, coqueiros no horizonte cor-de-rosa e o guia da Indonésia acabado de comprar.

Quando acordei, depois de 12 horas de sono, mandei uma mensagem que dizia “I feel so good….”. Indeed. Não sei se me sinto exausta pela intensidade das duas últimas semanas, ou se pelo ritmo acelerado que há aqui: tantos carros, neons, consumo, gente, cores.

E por isso siga viajar, siga consumir paisagem, quilometros e flores!

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Foi assim, na véspera da partida, domingo, acordei de malas por fazer, fiquei sentada na cama a olhar o meu redor cheio de tais, roupa, sapatos, espanta espíritos, colares, sabonetes, papéis, medicamentos, livros, conchas, cestos, lipas, artesanato. Bloqueada, decidi ir para a praia. Talvez quando chegasse encontrasse um fio condutor de arrumação. Ou mesmo as coisas arrumadas.

Na praia, sozinha, contemplando já saudosa, aparecem dois para a sandes de abacate e galinha. Vão. Aparece um a partilhar o iPod. Vai. Aparece um convite para me juntar ao pessoal da música, lá ao fundo. Vou.

Chega o pôr-do-sol, não no mar, como é costume, mas acima da montanha que contorna a estrada para o Cristo Rei. O Sol desaparece e fica uma unha de Lua quase nova, brilhante. E o vocalista doce canta suave aquela melodia, o amigo assa na fogueira um atum. Perfeito para último dia.

Até que na hora da partida vejo que o meu telemóvel ultra quitado PDA GPS Wifi onde está TODA a minha vida desde há dois anos desapareceu. Por sinal, também desapareceu o do outro único malai presente no grupo de 10. Gerou-se uma tensão, uma inexplicação, uma confusão. Oito eram de confiança cega do meu amigo. Dois desconhecidos. Um dos amigos de peito, actor em filmagens para o “Balibo Five” (sobre os cinco jornalistas australianos mortos em Balibo em 1975) diz que um dos desconhecidos desapareceu.

Então, vamos todos para o Hotel Turismo com o motorista dele (actor timorense). Lá, o miúdo não se descose. A tensão cresce. Uma portuguesa de vestidinho de praia azul a stressar em tétum, um autraliano traído e 10 timorenses entre o envergonhado, o triste e o chateado. Dois de olhos postos no chão. Decidimos, os brancos, sair dali no momento em que eles se começam a preparar para despir na rua em frente ao Hotel. O líder, ema bo’ot, o actor, ex-vocalista dos Galaxy, imigrado para a Austrália, diz que algum deles foi quem roubou os telefones. E quem roubou, tem de ter os telefones consigo. Soube depois que o único que se recusou a tirar a roupa foi o segurança de actor. Não devolveu os telefones.

E foi isso que eu disse na polícia no dia seguinte antes de ir para o aeroporto.

Com esta série de imprevistos, nem jantei nos coqueiros, nem consegui avisar os convidados. Foram aparecendo no Bairro (os outros professores já tinham ido embora nos dias anteriores). Encomendei pizzas, fiquei com o australiano e o maninho rastafari Zerai (Zé da terra). Eles foram e voltei a sentar-me na cama a olhar, e assim fiquei até amanhecer. Só pensava que não queria arrumar as coisas. Estavam tão bem assim, no lugar delas.

De manhãzinha uma conversa difícil. Depois mais bloqueio. SOS Luísa ajuda-me com as malas que eu não consigo. Fui aos Correios mandar um caixote gigante de 20kg (há-de chegar!). Fui à esquadra fazer a denúncia à pressa com o polícia tuga mais lerdo do mundo (é ingenheira ou enginheira? Pode ser professora).

E corri para o avião a pensar que ia desistir, ia cancelar tudo porque ficou tanto por dizer, dar, entregar e fazer! Mas fui, a soluçar. Chegada a Bali, já se sabe, os relvados e terrenos organizados. A Rita, que já lá estava há uns dias, dá-me o contacto do Mr. Networking Connections Meco de nome, timorense de nacionalidade. Passo-lhe o meu bilhete, sem esperanças (há meses que tentava alterar o voo sem sucesso!). Ele liga-me no dia seguinte de manhã, 3 horas antes do check-in a dizer que consegue voo confirmado para Setembro, mas só tenho meia hora para decidir.

E pronto, em meia hora decidi.

Já passava da hora de embarque do voo antigo quando fui buscar o novo bilhete. Aproveitei também para encomendar um voo só de ida para Timor. Assim posso:

- jantar nos coqueiros

- reaver o telemóvel

- traduzir a crónica para tétum

- dar a volta a Timor Leste

- despedir-me como deve ser

- entre outros

Depois vou por terra até Timor ocidental, dali de barco para as Flores and so on and so on até chegar outra vez a Bali, dia 10 de Setembro.

Daí seguirei para a Europa, feliz, tranquila, serena de obra feita. (i hope!)

E pronto, resumidamente foi isto o que aconteceu.

3 bitaites quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Fui alvo de uma maninga.
Fala-se muito disto aqui, entre os locais, que, tanto elas como eles, tem de ter muita cautela com aqueles de quem se aproximam. Dizem que mesmo sem explicacao, mesmo nao havendo compatibilidade, se nao se tomar cuidado, o outro pode fazer umas "coisas assim" que nos fazem derreter em manteiga.

E as coisas assim podem ser so um toque no braco, ou um olhar que se cruza, ou o fumo de um cigarro. Depois dessa coisa assim ter sido lancada feita feitico, quem nao gostava passa a um estado de cegueira cardiaca temporaria.

Eh comum elas ou eles pedirem a uma tia matan do'ok (que ve longe, bruxa talvez) que faca aquelas coisas assim, que podem ser ver as tripas de uma galinha acabada de matar, ou mexer nas folhas das espeigas de milho, ou ate talvez ler as palavras da lama. Ali esta o segredo da maninga.

Timor lancou uma maninga em mim.

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Solucei um nim, assim, ela perguntou "entao e as beringelas, nao as queres usar?", e eu, como nao quero, devo dizer nao, ah portuguesa, mas o cerebro a timorense pensa que sim, de facto nao quero, e entao solucei um nim.

4 bitaites

Do aviao, em Bali,
desfocados pelas lagrimas,
relvados, casas com telhados,
terrenos organizados.

Ja em baixo,
que tedio,
elevadores e o ocidente,
em tudo.

Timor,
sem referencia alguma,
so a arbitrariedade do proprio lugar.

E eh por estas e por outras que se decide uma hora antes do embarque para a europa que NAAAAO. Eu nao vou para la. Eu vou voltar ali, fazer o que nao deu tempo e vemo nos portanto em meados de setembro. Weeeee adrenalina!

0 bitaites domingo, 3 de agosto de 2008

4 bitaites sábado, 2 de agosto de 2008


O Segredo de Ataúro

Há uma lenda timorense que diz que há muito tempo atrás, a ilha de Ataúro e a ilha de Timor formavam um corpo só. Um dia, uma senhora na sua rotina diária da lavadura da roupa no rio, viu dentro de água uma cobra desmesurada e ameaçadora. A mulher apavorada corre, grita na demanda do marido, que num gesto agarra a catana e faz-se ao caminho para confirmar a presença de tal monstruosidade. No mesmo local, corta o animal em dois com o instrumento afiado: o corpo para um lado e a cabeça para o outro. Quando isto acontece, também as terras se separam: Timor fica no sítio, Ataúro afasta-se. Desde então que é preciso viajar de barco para lá chegar.

Sábado dia 19 de Julho, abandono o ruído presente em Díli para me refugiar na silenciosa sonoridade natural de Ataúro que rejuvenesce. Ali reparo como é simplesmente bonita a simplicidade da vida em Timor, embora impressione, de quando em vez, que exista tanta ausência. De uma forma abundante. Como será possível que este local idílico esteja tão indisponível, quase como se fosse um segredo bem guardado?

Mar de águas azul-turquesa, transparentes, quentes, com uma fauna invejável, nitidamente visível e variadíssima nas formas e cores. A paisagem em redor, com todos os tons de verde que a montanha pode oferecer nesta altura do ano, e um céu que nos abraça e nos convida ao paraíso.
O Nakroma atraca, a temperatura é doce, a sombra do gondoeiro imponente protege a pequena multidão que aguarda transporte para as aldeias.

Uma anguna faz o percurso até ao resort de eco turismo, que é todo feito de palhotas elevadas, na vegetação que antecede o areal da praia, camas baixas, sem portas nem janelas, com mosquiteiros que balançam tranquilamente. Um convite à contemplação, ao retiro, a tudo o que é ameno e embala.

Esta terra tem potencial, tal como Com, onde se encontra uma organização quase perfeita da pequena vila piscatória, muitas guesthouses a preços acessíveis a todos, pessoas ocupadas e, pelo menos aparentemente, contentes. Mas Com tem a vantagem de estar ligada por terra a Díli. E as praias em Ataúro são, sem dúvida, melhores.

Na caminhada com a senhora Basília pela estrada impecável, limpa, ladeada por cercas cuidadas, pintalgadas de buganvílias vistosas, ela lamenta a escassez da água nestes meses de Junho a Agosto. Que a sua horta não corresponde como devia, a ilha não é auto-suficiente, o povo precisa mesmo do tal dólar que também insiste em não crescer. O que a sustenta é o seu outro bendito trabalho. O dedilhado suave das guitarras que por lá cantam, misturado com os leves passos deste jeito tão feminino de caminhar, conseguiria pôr os céus a chorar de felicidade pela serenidade que aqui existe. Mas estamos na época seca, as lágrimas não podem cair. E assim fomos seguindo. Ela faz bonecas de pano, e veste-as de tais e bordados. Pertence ao grupo Boneca de Ataúro desde 13 de Novembro de 2006, juntamente com outras oito mulheres e um homem, coordenados pela artista plástica Piera Zürcher, suíça, que altruisticamente tem dedicado todo o seu tempo ao projecto e à comunidade. A ideia nasceu de uma proposta do Padre Luís, italiano, que ansiava por emprego na ilha. No fundo trata-se de lutar contra a naturalização do inóspito, do desregrado.

As actividades têm vindo a multiplicar-se com o aparecimento de outros grupos de trabalhos artesanais, e se bem que grande parte da comunidade de Díli conhece pelo menos as estátuas elegantes de madeira fumada, a multiplicidade de biojóias feitas com sementes locais e as ditas bonecas, do outro lado do mar existe uma grande dificuldade em encontrar os materiais, devido ao transporte insuficiente. O Nakroma viaja só ao Sábado para Ataúro e regressa no mesmo dia, muitas vezes menos de três horas depois de chegar ao destino. Para quem precisa de ir a Díli comprar materiais e mantimentos, ou tentar vender os seus produtos, tem forçosamente de procurar alternativas de privados, se não quiser passar uma semana na ilha de Timor, já que tem de aguardar pela próxima viagem do Nakroma, só no Sábado seguinte. Para quem vem da ilha de Timor com o intuito de explorar, este período de tempo é irrisório tendo em conta a dificuldade em chegar à Vila de Maumeta. Dá para atracar, comer alguma coisa por ali, em Beloi, e regressar.

Surpreendentemente, mesmo assim muita gente quer lá ir, e regularmente os bilhetes esgotam. Para poder passar lá um fim-de-semana é preciso fazer um esforço enorme na procura de transporte alternativo que permita regressar Domingo ou Segunda-feira. O esforço também é grande no pagamento desse transporte alternativo, visto que há privados que pedem até 600 dólares americanos pelo aluguer de um barco seguro, mas cuja lotação é de 15 pessoas.
Ou seja, a necessidade de alternativas financiadas pelo Governo existe e o mercado é real e abundante.

E sei que foram elas, as mulheres, mas quase podiam ter sido também as buganvílias de Ataúro, na sua dança com a brisa, ao som sereníssimo do mar turquesa, que me sussurraram ao ouvido este pedido. E assim, passo a mensagem.

“Com estas palavras, o grupo de mulheres de Ataúro pede ajuda.
Aqui, desenvolvemos muitas actividades que resultam em produtos únicos e serviços de sucesso em Timor: Biojóias, Boneca de Ataúro, bordados, cestos, estátuas e refeições.
Queremos e precisamos de:

  1. Comprar materiais para usar no nosso trabalho;
  2. Mostrar aos visitantes a beleza da nossa terra e o seu potencial turístico;
  3. Vender aquilo que produzimos para podermos garantir dinheiro para comida nos meses de pouca água.
Queremos e precisamos, mas não temos transporte regular e suficiente.
Assim, nós pedimos que ouçam as nossas palavras de isolamento, porque Timor é um só, e também temos direito a melhorar as nossas vidas.”
in Jornal Nacional Semanário, 02-08-08

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Caos, caos, tudo um caos!

2 bitaites domingo, 27 de julho de 2008

Estava a ouvir as ondas brandas, meigas, a beijar a areia no meu fundo. No ar, o cheiro do churrasco a convidar o apetite, a abraçar a sugestão. Era bem grande o carau! Vi-o a ser decapitado e esquartejado, no areal em frente ao restaurante Victoria, ontem, acho eu, quando me dirigia ao pôr-do-sol à Areia Branca. A bicicleta, a altas velocidades, em sintonia com a direcção do vento, depois das aulas.

A estrada que liga Díli ao Cristo Rei, sempre na linha do mar, vestida de palco de festa, em Metiaut, onde tudo estava florido, a música popular timorense, de baile, o dito cheiro, e as ondas a bater, no meu fundo.

Eu, zen, Erli Sun, já noite, numa palhota em cima do mar, onde sempre quis estar durante o meu tempo em Timor. Nunca antes tinha lá estado, sei lá, talvez pelas vicissitudes da vida. Moris hanesan ne’e (já devem estar a ver com quem estava). E o cenário compunha-se para que um qualquer fenómeno disfarçado, desconhecido, fosse tomar lugar.

Eu estava a tentar perceber, no meio disto tudo, afinal quem sou eu, quem é o outro, e porque é que eu sou esta e não outra qualquer, só hoje à noite, qual é o sentido da vida, etc. Até que passei uma linha ténue, perene, que permite entrar no mundo das memórias. Sustentam a nossa vida, dão-lhe referências.

(Tenho andado com uma tão intensa actividade cerebral que não poucas vezes pergunto se só tinha pensado, ou se tinha também dito em voz alta. E isto repete-se iterativamente, fazendo com que na própria dúvida resida a dúvida da oralidade.)

E a referência que encontrei, ao analisar aquele lugar, foi a de uma noite alentejana, da qual não sei se já falei, mas que recorrentemente invade os meus pensamentos. Apesar das invasões sucessivas, não me apetece escrever mais do que o seguinte:

Havia velas naquela noite, e a festa popular da aldeia norte alentejana, bem próxima da fronteira, acontecia no cimo de uma pequena montanha. Talvez ainda fizesse parte da Serra de São Mamede. Havia um campo de futebol, meia dúzia de gatos pingados, música para o bailarico, cadeiras de plástico à volta do campo cimentado e murado. Havia grinaldas de plástico, presas aos pilares, ou coladas aos muros. Cheirava a churrasco, havia vestidos com manga de balão. E três malais: eu, Joana e Raquel.

Já não sei onde queria chegar com isto, mas acho que era para dizer que o ambiente que encontrei naquela festa (eram os Media Awards, prémios de jornalismo) – ao observá-la do outro lado da rua, sentada na palhota em cima do mar – me fez lembrar aquela festa de outros tempos, do outro lado do mundo.De repente lembrei-me que existe uma vida a sério fora daqui, com pessoas reais e acontecimentos banais.

2 bitaites sexta-feira, 25 de julho de 2008

...ontem cantou uma música só para mim :)

0 bitaites quarta-feira, 23 de julho de 2008

sarita incendiadora de causas:

sarita (lá ao fundo) instintos maternais:

3 bitaites

No fim de semana fui até Ataúro.
Mmmmmmm que bom! espectacular, incrível, e outros adjectivos mais e tantas interjeições descritivas do estar bem.

Por mais vontade, ocasional, que tenha de partilhar, de vez em quando, alguns momentos (de ter este ou aquele ao meu lado), digo que sozinha é sempre melhor (que horror eu não disse isto).

É assim, foram todos passear, eu fiquei sozinha naquela palhota elevada 3 metros do chão por canas de bambú, sem portas nem janelas, só colchão no chão, lençóis brancos e o mosquiteiro a dançar de brisa ao som sereníssimo do mar. E para lá fui sozinha. Passei a cerca baixa, despi a túnica e entrei na água quente, olhando para baixo a ver os pés tão nítidos, uma flor de verniz vermelho desenhada no dedão, em cada arrepio de temperatura, subtil, não fosse aquela a temperatura, só pensava que bom que bom que bom que isto é.

Quando eles voltaram somos poucos e ainda bem, porque fico com a guitarrinha suave do argentino Jose Larralde e os ensinamentos de "Herencia pa un hijo Gaucho". Lindo.

Tudo à flor da pele, sinto que caminho sobre um presente eterno (escolho palavras a dedo).
Do fim de semana resultaram:

  • duas sessões de cinema/curtas na Vila para os locais
  • um workshop de animação para os jovens
  • um artigo para o jornal sobre o potencial da ilha, os empregos das senhoras em artesanato
  • e ainda... o índice da minha tese de mestrado!
O ponto alto foi mesmo quando depois de muitas horas de conversa com as senhoras (só eu e elas, entre os 30 e os 56 anos) repartidas entre sábado à tarde e domingo o dia inteiro, conversas essas que tinham como objectivo dar-me a perceber como é que a vida delas mudou desde que começaram a trabalhar nos bordados e bonecas, lhes contei, em tétum, uma lenda timorense que mostra uma explicação fantasiada para o isolamento delas, o motivo pelo qual a ilha de Ataúro e se separou da ilha de Timor. Foi lindo. Lindo lindo lindo lindo lindo lindo lindo. Queria que elas encontrassem formas de se adaptar ao facto de não terem mais do que uma vez por semana barco público que as ligue à capital. Porque Ataúro tem potencial turístico, porque precisam de comprar materiais, porque o trabalho delas tem de ser divulgado.

Ficaram todas incendiadas, tagarelas, revolucionárias. Começaram a escrever um manifesto para o Governo, que eu traduzi para português, e há-de sair no jornal daqui, bem como as minhas palavras de enquadramento.









 

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