Esta música transporta-me.
O destino tanto se identifica com o óbvio pub reles de couro vermelho colado ao motel na estrada dos camionistas americanos, como com o restaurante ocidental onde em jeito colonial os brancos em África se encontram para decadentemente apaparicar gins tónicos em vestes de linho (lembra-me A Costa dos Murmúrios), ou com aquele baile da aldeia alentejana perdida na Serra de São Mamede. A tónica está sempre lá, é a não-pertença às coordenadas actuais. E ela lá ao fundo, de microfone na mão, vestido solto sob os ombros, os olhos mais tristes, a voz mais doce.
Tenho um amigo que se apaixonou pela voz de alguém. Quando fala dela - quem sustenta a voz - trata-a por "A Voz". Diz que a música da voz dela o deixa arrepiado e que quer saber mais, tudo, que foi cativado pelo som. Já me aconteceu ouvir pela primeira vez a voz de alguém e ter a certeza que ali estava um porto de abrigo. Sentir-me segura agarrada ao telefone.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
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