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3 bitaites quarta-feira, 2 de setembro de 2009








Felenko Yefe - Momo Wandel Soumah

Não quero ver Setembro chegar, não quero.
Nada de calos nem poeira na sola dos pés, ou verniz vermelho na ponta dos dedos.
De repente fica frio, e já se veste mais um casaco, e outro, camadas que nos afastam de nós.
E longe vão os dias de sol na portada, e desvios do buraco da lagarta na maçã, trincando carneiros contados, cercando a dita, sem pudor mas com cautela, em noites de brisa quente, madrugadas de vento que sacode cortinas. Transparentes, luminosas.

Aquela frase que se repete pela ânsia dos pôres-do-sol contados e luz ténue no horizonte povoado. Talvez seja por ter nascido no magusto, pelo cabelo ter sido sempre da cor do Outono - mesmo naquela altura em que o pintei de mercurocromo e havia reflexos vermelhos e esverdeados - there's something about the fall, falling down on me.

Os chinelos dão lugar a botas com lã quente.
Já não me embrulho numa lipa leve para sentir o conforto do trabalho em casa - abraço-me de cobertores, aquecedores, incensos e música.
Saio à rua, pulsos arrepiados, e cheira a castanhas.
No Verão há quem não queira acabar de ler o livro - histórias demasiado boas, coisas que se demoram. Chegando Setembro, sei que dou por mim embrenhada, fechada lutando numa mesa e quadros, à minha volta que "Eu amo o Longe e a Miragem, / Amo os abismos, as torrentes, os desertos… ". Ficar a ver isto acontecer, é uma espécie de sina, ou aceitar uma missão.
Vejo, Setembro entrou, de mansinho, porque hoje já é dia 3.

De boas-vindas, indómita a vontade de escrever, te, uma carta.
É que sempre insisti fazê-lo. Mesmo em anos de silêncio escrito, em papel, que destinatários foram outros. Tipo cuidar de flores, tivera eu um bonsai, sempre voam envelopes, colagens, espirais azuis, mas nunca mais tomate vermelho, Matisse.

4 bitaites sexta-feira, 19 de junho de 2009



A minha nova música de despertar. Toda a gente devia.

0 bitaites terça-feira, 16 de dezembro de 2008







Canto de Ossanha - Maria João

Acompanhar o passo, que é estar assim no vai-não-vai de quem quer entrar nos carrinhos de choque, que é estar a dar saltinhos em falso na berma de piscina, que é estar a ver uma coreografia de fora e querer entrar na dança. Querer, mas ficar com um abacate no estômago, voyeurimo desta janela, que já não mostra o que se sabia, porque as coisas tomaram proporções diferentes.

Ó menina, que homem que escreve assim não se pode descurar! E isso de juntar facas e peito na mesma frase, é porque o caldo já está entornado!...

Brrr são caixas que se multiplicam enquanto os cenários se trocam, olho uma parede branca, e sai, em tremor, "ESTOU A DEMORAR MUITO TEMPO". Tento desenhar os limites exactos para que os galhos não se confudam, da árvore dos macacos. Luto uma luta constante de interesses caoticamente diversos por motivos diferentes em determinadas acções.

Ó menina, que o casamento não vem das letras! Posso querer porque canta assim, para ser porque escreve assim. Porque pinta assim. Porque toca assim. (E entretanto vou ficando para tia.)

Tenho a certeza que vivendo assim neste limbo a coisa há-de resvalar, dentro ou fora do carrinho de choque, dentro ou fora das águas azuis, dentro ou fora da pista de dança. Quando atingir o insuportável, vou manter o passo. Acompanhar o passo. Ei, eu quero entrar, estás a ouvir? Eu quero.

0 bitaites segunda-feira, 8 de dezembro de 2008


One Love - Sara Tavares

9 bitaites terça-feira, 25 de novembro de 2008

0 bitaites quarta-feira, 22 de outubro de 2008


Huh! (unkown) - Galaxy


Hoje sinto saudades, insuportáveis, como facas.
Não quero usar meias de lã nem golas altas, nem quero sentir o céu cinza em cima de mim, se dele não vai cair uma chuvada da qual não tenho de me abrigar.
Hoje só quero se for em tétum, e como abrigo, enrolo-me um tais.

--

Ohin ha'u nia laran moras, maka'as liu, hanesan catana sira mai ha'u nia an.
Ha'u lakoi hatais roupa mak manas, ha'u lakoi senti lalehan malahuk iha ha'u nia leten, tamba udan ne'e malirin, la'os hanesan Timor nian. Iha ne'eba ha'u lalika halai.
Ohin ha'u hakarak buat ida se buat ne'e ho tetum. Ohin, atu kous deit, ha'u hatais tais ida.

1 bitaites terça-feira, 14 de outubro de 2008

musicovery.com

0 bitaites segunda-feira, 13 de outubro de 2008



Apesar de sonhadora convicta, na minha vida, nocturna, é por fases que sonho intensamente.

Nesses sonhos cíclicos que acontecem, tenho experiências internas que podiam tomar lugar no sítio onde estou e que encontrei hoje.

Estou num pátio, na Ribeira, calçada portuguesa. O pátio é rectangular e grande, está coberto de videiras baixas. As mesas e cadeiras de ferro forjado, pesado.

À minha volta só eu, mas procuro um vulto que está muitas vezes lá, nos sonhos. Veste-se de preto, é alto e magro. Traz uma onda de mistério nos ombros, baixos. Os olhos são brilhantes e muito negros. Podia ser já charmoso, mas é muito novo. Nunca falou, embora tenha estado muitas vezes no grupo.

Caminhamos sempre muito, por ruelas estreitas, a noite caída até sair.

Paramos agora no pátio, mãos nos bolsos, onde uns dedos de Sol se espreguiçam entre as folhas densas da videira, entre as espirais que os ramos desenham.

0 bitaites domingo, 3 de agosto de 2008

1 bitaites quarta-feira, 16 de julho de 2008

ai ai... bainhira ó nia liman komesa kona ha'u...

Taka-Matan - Galaxy

(não tenho tido tempo, estou cheia de trabalho, estou muito deprimida porque o meu tempo aqui está a acabar e não pode ser. deixo para já esta música, adoro adoro adoro, e o próximo post será sobre as fugas inebriantes que os concertos deles me proporcionam)


8 bitaites sexta-feira, 27 de junho de 2008

Aproveitem a benção da banda larga e ouçam enquanto lêem:



Maria tulipa e Pompeu. Gosto de nomes decorados de flores, é assim que se vão chamar os meus filhos (talvez ele não seja flor mas podia bem ser). Talvez por isso simpatize com a Margarida, e era com ela que estava a falar, no terraço do Motion, onde temos reaggea ao vivo às quintas feiras à noite. Depois de eles tocarem o No Woman No Cry, houve acesa discussão acerca do verdadeiro significado da balada. Reunimos as seguintes hipóteses:

• Não há mulher que não chore
• Mulher, não chores!
• Não! As mulheres não choram…
• Não tenho mulher mas não choro

A minha conclusão foi circular: tal como dizia no início da performance, não gosto da música. No entanto, essa não está no top five das piores de sempre para mim.

Há aquela do assobio, muito recente, que passa na rádio. Essa é das que menos gosto. Tocava no outro dia na praia do Caz Bar, na baía da Areia Branca. Éramos só quatro no areal feito pista de dança, sem havaianas sequer, pés enterrados na areia, com velas espalhadas pela praia, uma fogueira, cadeiras baixas de madeira, a música a tocar. Já deviam ser quase quatro da manhã, fujo até ao mar, olho para Díli, duas baías à frente, e penso que tem mais luzes do que devia ter, e quase não tem! Lado a lado, lá ao fundo, aqueles que apanham polvos, de lanterna na mão na maré baixa que se estende longos metros distanciando-se do areal. Pousada no meu ombro a entropia de constelações! Adoro não as reconhecer, embora diga, sempre que o queixo me cai com um céu daqueles, que devia ter trazido um mapa que permitisse reconhecer-lhes alguma ordem. Sei que nessa noite tocou a do assobio, e sei que será difícil esquecer-me do surrealismo da festa de quatro que se proporcionou.

Na lista das mais odiadas vêm a seguir duas veraneantes que sempre que ouço recuso-me, bato o pé e sento-me de braços cruzados. Summer Jam e Summer of 69.
We Are the Champions, iaque…

Troféu entregue à I Will Survive. Odeio odeio odeio as reacções que aquilo provoca nas pessoas, os comportamentos semi-selvátivos que se geram espontaneamente de pessoal aos abraços e pontapés com cervejas na mão, como se de um jogo de futebol se tratasse.

E foi com essa música que aconteceu a noite em que tudo parou e os batuques entraram sonantes. Estávamos então a discutir o cerne do Bob Marley… se é machista, egoísta ou simplesmente um solitário. Eu disse, pronto não gosto, mas até gosto de ouvir o No Woman No Cry tocada por estes gajos, agora se me viessem tocar o I Will Survive… Isso é que não! E pimbas. A menina indonésia desafinada salta para o palco onde a banda já estava a aquecer um som agradável e de repente… At first I was afraid… e eu NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOO POR FAVOR! Como é possível? Eu não quero! Eu não gosto! Não deixem! E todos os que participavam na conversa anterior só se riam. O mais cómico foi eu ter dito ao ouvido do australiano 2 minutos antes “The worst song ever is I Will Survive”, ele foi para o palco com o seu batuque, sem saber qual iam tocar e saiu essa. Esperneei, zangada. Queixei-me muito, quis muito que aquilo acabasse e, a verdade foi que passados trinta segundos, um curto-circuito acabou com a brincadeira, a electricidade foi abaixo. A cantoria parou.

Pensam que foi só isso? A cantoria parou para dar lugar a uma longa improvisação instrumental dos rastafararis em palco, aos quais se foram juntando mais e mais elementos, a fazer sons com tudo e mais alguma coisa: pauzinhos, latas de cerveja, copos, batuques, areia em garrafas. E os pés começaram a mexer-se muito e rápido e foi ESPECTACULAR. Voltámos ao bairro com a moral ao auge, ouvimos a Mariza na palhota enquanto comíamos leite creme às colherzinhas de café.

1 bitaites sábado, 8 de março de 2008


[Para ouvir enquanto se lê]

Sento-me à espera das tágides absorvo o colosso do rio e a outra margem que podia ser ilha. Reparo nas texturas das águas, nos voos picados dos pássaros e pelo passeio, aqui e ali, casais ou solitários. A música do par mais próximo acorda-me dos meus sentidos. Caramba!, a voz de duas mulheres no meio de risos apaixonados e sussurros de felicidade, cigarros e beijinhos.
Ninguém tem nada a ver com ninguém. Procuramos formas de adaptação dos outros a nós num jogo forçado de planos que se intersectam.

Cruzo-me noutras esferas com as duas senhoras nos cinquentas, a do cabelo caju e a das pontas loiras / raízes negras. Uma que me faz lembrar de ter pena daqueles que têm o cabelo sempre igual com um redemoinho irritante - parece que a Lua e outros astros não passam pelas cartas astrais que os definem. Outra cujo cabelo nem liso nem ondulado - é sim frisado-queimado o que faz parecer com que a cabeça esteja envolta numa nuvem ameaçadora de electricidade estática. E as fguras quase elegantes, não fosse a magreza extrema de vincos na cara. Ambas faux maigres da flacidez que lhes sobra na alma. Nisto dá-se a dança da porta passe por favor, ó por quem sois, gesto de braços a indicar caminho aberto, sorriso com covinha na cara, uh, oh, em vez do obrigada sai-me "pindéricas", e tapo depois a boca com a mão.

Troco Santa Apolónia pelo Campo das Cebolas, perco o comboio, rogo uma praga à má conselheira do autocarro, começo a fazer contas aos últimos sete dias. Primeiro em pessoas, o avô doente, o ferrari, o companheiro de viagem, o tipo blockbuster e a carla cinanima, os tios, a mãe divorciada do MBA, o wim, a violeta.
Ai!
O poeta,o trovador, o presente e o bem falante.
Depois somo tarefas, as vacinas, a FEUP, a dança os exames genéticos, o e-learning, as disciplinas, as compras, o cinema.
Com calma deixo assentar a dose injectável de cultura, uma tarde em Miguel Bombarda, colagens pintadas do Pomar, métricas do Alvess, cinema do Fantas, surrealismo em Belém.

E com esta verborreia compulsiva de checklists deixo a contagem decrescente começar dentro de mim.

2 bitaites sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

"eu quero ir eu quero ir eu quero ir eu quero ir atrás de ti...."

apareçam e vejam com os vossos ouvidos o que de bom se faz em Portugal:
JORGE CRUZ às 23h30 no contagiarte.

(para quem ainda não conhece, espreitem o post sobre ele)



2 bitaites segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008



Bill Withers - Use Me na voz da Fiona Apple

My friends feel it's their appointed duty
They keep trying to tell me all you want to do is use me
But my answer yeah to all that use me stuff
Is I wanna spread the news that if it feels this good getting used
Oh you just keep on using me until you use me up
Until you use me up

My brother sit me right down and he talked to me
He told me that I ought not to let you just walk on me
And I'm sure he meant well yeah but when our talk was through
I said brother if you only knew you'd wish that you were in my shoes
You just keep on using me until you use me up
Until you use me up

Oh sometimes yeah it's true you really do abuse me
You get in a crowd of high class people and then you act real rude to me
But oh baby baby baby baby when you love me I can't get enough
I and I wanna spread the news that if it feels this good getting used
Oh you just keep on using me until you use me up
Until you use me up

Talking about you using me but it all depends on what you do
It ain't too bad the way you're using me
Cause I sure am using you to do the things you do
Ah ha to do the things you do

0 bitaites domingo, 10 de fevereiro de 2008


Esta música transporta-me.
O destino tanto se identifica com o óbvio pub reles de couro vermelho colado ao motel na estrada dos camionistas americanos, como com o restaurante ocidental onde em jeito colonial os brancos em África se encontram para decadentemente apaparicar gins tónicos em vestes de linho (lembra-me A Costa dos Murmúrios), ou com aquele baile da aldeia alentejana perdida na Serra de São Mamede. A tónica está sempre lá, é a não-pertença às coordenadas actuais. E ela lá ao fundo, de microfone na mão, vestido solto sob os ombros, os olhos mais tristes, a voz mais doce.

Tenho um amigo que se apaixonou pela voz de alguém. Quando fala dela - quem sustenta a voz - trata-a por "A Voz". Diz que a música da voz dela o deixa arrepiado e que quer saber mais, tudo, que foi cativado pelo som. Já me aconteceu ouvir pela primeira vez a voz de alguém e ter a certeza que ali estava um porto de abrigo. Sentir-me segura agarrada ao telefone.

0 bitaites quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Recebi uma dádiva do Duarte-dos-Bálticos, que foi o endereço do Myspace do Jorge Cruz (clique com o botão direito do rato, abrir numa janela nova, para que possam ouvir enquanto continuam a ler).

Tão bom ouvir cantar e cantar em português.
No domingo meti-me no carro e fui ouvir o concerto de apresentação do álbum Poeira na FNAC do Norteshopping. Ainda com os lábios à Angelina Jolie, da cirurgia, e com os químicos todos no corpo, alto programinha, ir pró shopping em domingo de saldos. Mas lá, quando me sentei mesmo à frente dele e, palavras com som, as deixei entrar em mim, que bom. Apeteceu-me chorar.

*[Anda Menina] ninguém ensina o amor ou o silêncio quando houver espaço eles vão morar em ti
Primeiro: Não é que esta música tenha sido a melhor opção de arranque, até porque me irrita um bocado tanta ternura, mas permitiu desfocalizar do som para conhecer o artista dos 6 instrumentos e o seu fantástico “one man show”: guitarra acústica, guitarra eléctrica, harmónica, pandeireta, maracas, voz, real-time samples.

*[Canção da tua Rua] ando a ver se te descubro noutro corpo num qualquer
Segundo: Eu gosto de homens que não têm vergonha de serpentear o tronco.

* [Adriana] mas se te vejo Adriana eu quero ir eu quero ir eu quero ir eu quero ir atrás de ti, eu quero ver-te no meu espelho para intimidar-te com o meu olhar e confessar-te que foste eleita para eu me dar
Terceiro: Gosto do uivo do Jorge Cruz a querer muito ir atrás dela, Adriana. Dá-me vontade também… e bato com o pé, faço ondas com os ombros, baloiço a cintura e dou aquela sequência de berros suspirados “eu quero ir eu quero ir eu quero ir”, e quero tanto.

*[Canção desta Cidade] só quero fugir desta cidade talvez transplantar o coração
Quarto: A temática da fuga e das vontades é uma constante, e nesta grande balada é contagiante. Achei fenomenal o transplante da viagem.

*[Nada] nada te empurra nada se ri quando te esmurra nada te chefia nada te guia nada te ofende ou te desvia nada te pára tu és a escala a mão que embala
Quinto: fiz uma maluquice, comprei o cd, não me arrependo, obrigada Duarte :)

2 bitaites sábado, 19 de janeiro de 2008

porque nenhum me soube tocar esta música:


Entrei com a malinha na mão naquela sala fria de azulejos e vitrais e só disse "vim para ser internada" num tom mais trágico que o necessário porque não revela mais que aquilo que faço é sempre só meu.

Enquanto esperava pelo quarto leio a seguinte afirmação:
"A amargura de um não é a do outro e ninguém consegue estabelecer se o isolamento voluntário dói mais que o forçado." Ricardo J. Rodrigues Os Invisíveis

 

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