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sexta-feira, 19 de junho de 2009
A minha nova música de despertar. Toda a gente devia.
'era como se desfocasse os olhos'...
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Naquele dia, eu ia sozinha, de bicicleta. Estava calor, pudera!, havia relvado - coisa rara - lembrou-me a Áustria (como é possível?). Lembro-me do exacto recorte da paisagem quando o Sol cai e as cores que se formam. Sei que havia um ligeiro desconforto pelo tom da minha pele, aquela presença ali assim. E sei-o, sei-o, sei-o: cruzaram-se sim!
Entrei em casa eufórica, o veneno já tinha começado a provocar-me uma comichão, que vinha sobretudo do coração. O pai tinha acabado de ir embora, para Bali, em breve dir-me-ia que não havia hipótese de mudar o meu vôo em Agosto. Ia embora daí a pouco mais de duas semanas. Até chorei, porque não podia ser. A Rita tinha o problema inverso. Fomos sentar-nos no alpendre, no chão... perna para um lado, com a cabeça nas mãos. (Depois tudo isto mudou, no dia da partida, e foi a maior adrenalina que senti.)
Patatipatata, resumindo e concluindo, depois das Bonecas de Ataúro, eis quem eu quero trazer...
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Apesar de sonhadora convicta, na minha vida, nocturna, é por fases que sonho intensamente.
Nesses sonhos cíclicos que acontecem, tenho experiências internas que podiam tomar lugar no sítio onde estou e que encontrei hoje.
Estou num pátio, na Ribeira, calçada portuguesa. O pátio é rectangular e grande, está coberto de videiras baixas. As mesas e cadeiras de ferro forjado, pesado.
À minha volta só eu, mas procuro um vulto que está muitas vezes lá, nos sonhos. Veste-se de preto, é alto e magro. Traz uma onda de mistério nos ombros, baixos. Os olhos são brilhantes e muito negros. Podia ser já charmoso, mas é muito novo. Nunca falou, embora tenha estado muitas vezes no grupo.
Caminhamos sempre muito, por ruelas estreitas, a noite caída até sair.
Paramos agora no pátio, mãos nos bolsos, onde uns dedos de Sol se espreguiçam entre as folhas densas da videira, entre as espirais que os ramos desenham.
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sexta-feira, 27 de junho de 2008
Aproveitem a benção da banda larga e ouçam enquanto lêem:
Maria tulipa e Pompeu. Gosto de nomes decorados de flores, é assim que se vão chamar os meus filhos (talvez ele não seja flor mas podia bem ser). Talvez por isso simpatize com a Margarida, e era com ela que estava a falar, no terraço do Motion, onde temos reaggea ao vivo às quintas feiras à noite. Depois de eles tocarem o No Woman No Cry, houve acesa discussão acerca do verdadeiro significado da balada. Reunimos as seguintes hipóteses:
• Não há mulher que não chore
• Mulher, não chores!
• Não! As mulheres não choram…
• Não tenho mulher mas não choro
A minha conclusão foi circular: tal como dizia no início da performance, não gosto da música. No entanto, essa não está no top five das piores de sempre para mim.
Há aquela do assobio, muito recente, que passa na rádio. Essa é das que menos gosto. Tocava no outro dia na praia do Caz Bar, na baía da Areia Branca. Éramos só quatro no areal feito pista de dança, sem havaianas sequer, pés enterrados na areia, com velas espalhadas pela praia, uma fogueira, cadeiras baixas de madeira, a música a tocar. Já deviam ser quase quatro da manhã, fujo até ao mar, olho para Díli, duas baías à frente, e penso que tem mais luzes do que devia ter, e quase não tem! Lado a lado, lá ao fundo, aqueles que apanham polvos, de lanterna na mão na maré baixa que se estende longos metros distanciando-se do areal. Pousada no meu ombro a entropia de constelações! Adoro não as reconhecer, embora diga, sempre que o queixo me cai com um céu daqueles, que devia ter trazido um mapa que permitisse reconhecer-lhes alguma ordem. Sei que nessa noite tocou a do assobio, e sei que será difícil esquecer-me do surrealismo da festa de quatro que se proporcionou.
Na lista das mais odiadas vêm a seguir duas veraneantes que sempre que ouço recuso-me, bato o pé e sento-me de braços cruzados. Summer Jam e Summer of 69.
We Are the Champions, iaque…
Troféu entregue à I Will Survive. Odeio odeio odeio as reacções que aquilo provoca nas pessoas, os comportamentos semi-selvátivos que se geram espontaneamente de pessoal aos abraços e pontapés com cervejas na mão, como se de um jogo de futebol se tratasse.
E foi com essa música que aconteceu a noite em que tudo parou e os batuques entraram sonantes. Estávamos então a discutir o cerne do Bob Marley… se é machista, egoísta ou simplesmente um solitário. Eu disse, pronto não gosto, mas até gosto de ouvir o No Woman No Cry tocada por estes gajos, agora se me viessem tocar o I Will Survive… Isso é que não! E pimbas. A menina indonésia desafinada salta para o palco onde a banda já estava a aquecer um som agradável e de repente… At first I was afraid… e eu NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOO POR FAVOR! Como é possível? Eu não quero! Eu não gosto! Não deixem! E todos os que participavam na conversa anterior só se riam. O mais cómico foi eu ter dito ao ouvido do australiano 2 minutos antes “The worst song ever is I Will Survive”, ele foi para o palco com o seu batuque, sem saber qual iam tocar e saiu essa. Esperneei, zangada. Queixei-me muito, quis muito que aquilo acabasse e, a verdade foi que passados trinta segundos, um curto-circuito acabou com a brincadeira, a electricidade foi abaixo. A cantoria parou.
Pensam que foi só isso? A cantoria parou para dar lugar a uma longa improvisação instrumental dos rastafararis em palco, aos quais se foram juntando mais e mais elementos, a fazer sons com tudo e mais alguma coisa: pauzinhos, latas de cerveja, copos, batuques, areia em garrafas. E os pés começaram a mexer-se muito e rápido e foi ESPECTACULAR. Voltámos ao bairro com a moral ao auge, ouvimos a Mariza na palhota enquanto comíamos leite creme às colherzinhas de café.
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quarta-feira, 21 de maio de 2008

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sábado, 8 de março de 2008
Descobri estas três pérolas na Colecção Berardo no CCB.
1. Starring Marina Abramovic in a feature film - Balkan Baroque (Here & Now) de Piérre Coulibeuf
2. Retrato de Jacqueline de Julian Schnabel (1984) (quase todo feito com cerâmica em pedaços)
3. Composição de Gunther Uecker (1963) (visto lá, a inclinação dos pregos dá outra imagem)
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Aconteceu-me há uns tempos atrás ir ver "Il Caimano" do Nani Moretti ao cinema do Campo Alegre e ser surpreendida pela projecção de uma curta chamada "História Trágica com Final Feliz", da Regina Pessoa, que agora vos deixo. Enjoy:
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
"eu quero ir eu quero ir eu quero ir eu quero ir atrás de ti...."
apareçam e vejam com os vossos ouvidos o que de bom se faz em Portugal:
JORGE CRUZ às 23h30 no contagiarte.
(para quem ainda não conhece, espreitem o post sobre ele)
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Espreitem-no!
(e o original, que se não fosse tão grave, até tinha piada).
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terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Era 6ª feira, e aproveitei a consulta do trabalho às 11h para nem ir trabalhar de manhã. Troca por troca, escolhi a fisioterapia, embora o tédio da conversa de há meses seja equiparável ao templo entediante onde tenho fingido que laboro, por opção patronal. Já não sei bem porquê, estava de trombas, apesar de ser uma manhã que aquecia e a sequência na rádio estava em harmonia com as minhas vontades. Entrei na clínica e aquelas perguntas iniciais ainda demoraram algum tempo. Lá ao fundo, sem olhar, sentia o olhar colado de uma bata branca. Entre mim e ele, só o balcão, a administrativa e uma carrada de perguntas, papéis e canetas. Não olhei, mas já sabia que o doutor era jovem e a intromissão visual começava a incomodar. Prolongou-se, eu respondia, assinava, um metro e sessenta, corava e via sem olhar os braços cruzados, entrei dia 26 de Novembro, a mão esquerda a coçar o queixo como quem está a perceber tudo, e cabeça a acenar para cima e para baixo, como se fosse um expert, e eu irritadíssima, 52 quilos, desviei os olhos um grau à esquerda da administrativa e olhei para ele no tom mais arrogante, a verdadeira bitch, "sim... que foi?!?!??".
- Eu conheço-te. Conheço-te sim. - e abanava a cabeça e coçava o queixo e tinha um sorriso. Só franzi as sobrancelhas, fiz cara de má e nem perguntei de onde. Fiquei a olhar, à espera, tirei a cara de má e pus a de expectante, com a testa levantada. - Eu conheço-te e já te vi a desmaiar.
Sorrio, confirmo, mesmo estando a olhar para o Dr. Perfect-Stranger. Em média desmaio uma vez por ano. Em 2007, apesar de tudo, não desmaiei. Pelo menos da forma como entendo que é o desmaio.
25 de Dezembro de 2006
Tarde passada em casa dos avós. Para abrir o bolo de anos do Menino Jesus vou à cozinha buscar uma faca. Meto a mão na gaveta. Tiro a mão da gaveta e sinto aquele frio que até podia ser uma carícia. Mas na gaveta não há ternuras. Nem olho para a mão e só digo "cortei o dedo" (que não se entenda que cortei o dedo fora). O pai começou logo a esbracejar imenso "tem calma! tem calma! isso não é nada! não vais desmaiar! tem calma". Eu ainda nem tinha olhado (nem ele), estava só a apertar o dedo e a virar-me para voltar para a sala. No virar da cabeça uma mancha no chão de duas ou três pingas de sangue chamou-me a atenção. O pai esbracejava, eu fui andando para o sofá onde estava o tio a gozar com a situação "mete o dedo na boca que assim o sangue sai por um lado e entra por outro".
Gota de sangue. Gota de água.
Começo a sentir aquela invasão que é a evasão de sentidos, começa por um cheiro asséptico que sinto sempre e não existe, como se me estivessem já a acordar como fazem nos filmes, cheirando éter ou lá o que é. Depois sinto uma pancada seca no sítio onde o pescoço encontra o peito, naquela parte do osso que tem uma quebra. É neste ponto que digo "vou desmaiar". Depois vou deixando de sentir por partes, de baixo para cima, e entro numa dimensão
v
e
r
t
i
g
i
n
o
s
a
de completa desorientação
de dúvidas
de sufoco
que aconteceu? onde estou? que se passa? quem são estes? que estão a dizer? porque falam tão alto? quem me está a mexer? quero respirar, quero sair, estou a cair, quem sou? fiz alguma asneira? estão-me a matar? larguem-me, quero ir, quero respirar, quero sair, não consigo, não consigo, não consigo, onde estou? o que é isto? quem são? o que querem? o que é que eu fiz? que está a acontecer? como vai acabar? isto não tem fim? vou cair? vou cair vou cair vou cair
vou cair.
Expiro inspiro expiro fundo,
Fico branca, fria, suada, a tremer.
Desmaiei. Quanto tempo? Para aí 10 segundos.
Mas as ideias não são as imagens, os 10 segundos podiam ter sido um dia inteiro de viagem, uma longa metragem de transe psicadélico, da luz ao fundo do túnel, imagens que correm o espaço, muitas coisas que acontecem e passam por mim e na minha cabeça aquelas perguntas e à minha volta sempre atitudes de desespero.
Nota: se alguma vez me vires desmaiar provavelmente antes irei anunciar. Nesta altura deves ajudar-me a deitar, levantar as pernas de forma manter a cabeça num plano mais baixo que o resto do corpo, permitindo assim que o sangue corra para o cérebro. Não berres, não atires água para a cara, não batas, não dês sinais de angústia. Isso influencia o "sonho" que estou a ter inconsciente.
De cada vez que desmaio nada volta a ser igual. É uma pequena morte. Cada vez que desmaio, perco um bocadinho de mim, nem que sejam só os 10 segundos que o desmaio leva.
16 de Janeiro de 2008
ela dizia
- euvoupicá/euvoupicá /euvoupicá, - como se fosse uma criança de 7 anos a dar lanço para mergulhar na piscina dos grandes. "Eu vou picar agora!", e só picou passado uns segundos.
- Parece que está a gozar comigo! Olhe que eu costumo desmaiar!
- Eu já piquei. Rebentou tudo! Arranja-me álcool, algodão, depressa! - desta vez não disse que parecia que estava a gozar comigo, mas pensei. Não olhei para o braço, olhei para a enfermeira e vejo-a vermelha, a suar, atrapalhada. Olho para a minha mãe encolhendo os ombros (tipo "que se passa? esta gaja não se cala? tem de dizer tudo o que está a fazer e mal?").
Cheiro, baque.
- Estou a sentir-me mal. Vou desmaiar.
[la petite morte roubada de typeforyou.org]
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porque nenhum me soube tocar esta música:
Entrei com a malinha na mão naquela sala fria de azulejos e vitrais e só disse "vim para ser internada" num tom mais trágico que o necessário porque não revela mais que aquilo que faço é sempre só meu.
Enquanto esperava pelo quarto leio a seguinte afirmação:
"A amargura de um não é a do outro e ninguém consegue estabelecer se o isolamento voluntário dói mais que o forçado." Ricardo J. Rodrigues Os Invisíveis
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