Mostrar mensagens com a etiqueta porto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta porto. Mostrar todas as mensagens
0 bitaites sábado, 27 de fevereiro de 2010



Vi a polícia balizar a rua, do Bonjardim. Por cima deles, fruto de temporal ocasional, sacos plásticos vazios esvoaçavam em movimentos espiralescos e aleatórios. Alguém passava carregando à cabeça um colchão de casal manchado, enchia a parte de trás de um camião aberto com isso e mais molduras da última ceia e abat-jours de veludo verde.

Outro levantava a fita que tapava o caminho para um carro passar na mesma, por baixo. Fez uma sequência de gestos ao carro que vinha a seguir: não com o dedo, aponta para uma fachada, traz com a mão a fachada até si. Pergunto-me através da janela, terá caído mesmo? Fui ver. Diz que são efeitos do clima, mas eu não acredito.

A famosa casa entaipada e desenhada pelo BE, tanta casa sem gente tanta gente sem casa (já com uns acrescentos em grafiti com algumas especulações sobre a sexualidade do Sócrates...), tem caído aos seus pés um rochedo enorme, misturado pelo metal de uma antena que voou e caiu em cima do Clio ali estacionado. Do grupo de pessoas que discute à porta do tasco do outro lado da rua, ouço dizerem-me "Menina, isso não é nada! Tem de ir ver ali atrás."

Está lá uma catarse de rufos, caleiras e outras peças amontoadas. Ninguém fala do clima, falam do Rio e da expropriação pela Câmara. "Tiraram-nos isto tudo e depois não fazem nada. Agora querem que vamos viver para outro lado, estas casinhas tão bonitas, vivi aqui a vida toda", encostada à pia de pedra onde ainda lava a roupa comunitariamente com as vizinhas do lado, do bairro, da ilha.

1 bitaites segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010


Enviada a carta com a minuta ridícula e sem esperar que os meses parem de passar enquanto eles se decidem a avançar com o processo, pude voltar a visitar o engenheiro para lhe entregar uma cópia da dita acrescida do aviso de recepção bem como da cópia do recibo de renda de Fevereiro com o novo-velho valor actualizado-mantido de 20€. E venha daí o imbróglio seguinte.

Enquanto aguardava ansiosamente o parecer / despacho / comunicado porvir, refiz contas ao orçamento que o engenheiro já avisou que vai levantar problemas. Não sabe bem porquê, ainda nem olhou para ele atentamente, mas parece-lhe. "Que nós não somos enganados", eia! Belo princípio, andamos todos a querer arrancar os olhos dos outros. Em Fevereiro o entretenimento foi pois tirar medidas e aprimorar o belo do modelo III do processo. Vesti assim o meu alter ego de empreiteira, engenheira e orçamentista, e não sei bem como até comecei o mês com um sorriso na cara ao pensar na fachada cada vez mais cadente e decadente. É que o processo parece um jogo tipo o filme, mensagens em código que alguém mete na caixa do correio e não poucas vezes assina só com siglas da Câmara do Porto, misteriosas.

Recebi outra dessas na semana passada, vinda de alguém que se esqueceu de falar com o colega do escritório ao lado da grande instituição camarária. Mais umas palavrinhas a acrescentar ao meu vocabulário burocrático crescente. Desta feita, quesitos e a hipotética formulação dos mesmos, aquando da vistoria que será feita em Abril, não pelo Porto Vivo, mas pela Câmara em si, que agora acredita que tenho mesmo de fazer obras, e que quer intimar-me a fazê-las.
Errr... Hey! Eu quero fazer obras!! Fale lá com o seu colega de lado que ele até já tem os papéis todos com o meu pedido. Olhe que não é um pedido qualquer: são 5 quilos de papéis.

Graças a deus que já cá não estão em casa, senão teriam encurrilhado com a humidade do ar que se fez sentir em Janeiro. Foi mês de andar atrás de quem tratasse das caleiras, do fogão e chaminé.

Sempre e para qualquer dúvida dirijo-me ali à senhora do mini café (que é só um balcão). Por acaso conhece quem trate? Na maior parte das vezes ela não sabe, mas assim o cimbalino a 50 cêntimos dá também direito a 5 minutos de alimento à sua curiosidade mórbida sobre os motivos que me trazem aqui ao bairro. Quando apliquei a palavra bairro, o filho dela, 40, bochechas, camisa de flanela, engasgou-se.
- Conhece quem arranje fogões aqui no bairro?
- BAIRRO?!? Onde é que pensa que está?
- Bem, este é o meu bairro, é onde eu moro, é assim que o trato.
- Que com o gás não se brinca, menina, diz, e que mais vale comprar um fogão novo.

A fuga fazia com que tivesse de estar a cozinhar enquanto tomava banho. Coisas da vida. Depois, a caminho do Largo do Padrão, trânsito infernal, ora levanto os olhos da poça ora reparo nos edifícios em redor à procura da loja muito boa para comprar fogões que o outro falou. Vejo a porta de alumínio e os outdoors recessos de neon que quase dizem "fogões a gaz" não fosse faltar o O o E e o Z num cor de laranja que se confunde de amarelo pálido. Um senhor de dentes pretos assobia do outro lado, que quer? é gás? Sim, é, e tento começar a demorar-me em explicações, que o antigo inquilino era um bocado porcalhão, ele interrompe constantemente, tenta adivinhar o final da história que me propus a contar ali no meio do passeio, ao lado de um tubo de queda roto quais quedas de água do Gerês. Diga-me lá a morada. Nós levamos lá a garrafa! Não sei porque dei a morada mas não é garrafa que eu quero, que aquilo estava uma miséria mas com o gás não se brinca, e mais vale comprar um novo. Ah então é um fogão que quer, pois que remédio, preços, onde é a loja. E assim veio um novo fogão a gás, no dia em que a dona Aurora foi levada pelo INEM para o hospital. Uma velhinha pequenina, com Parkinson, que me chamou pela primeira vez a atenção quando reparei no à vontade com que deixa a casa de pantufas e roupão e anda 50 metros até ao café das tijoleiras, aquele onde puseram uma mensagem ao lado da TV a dizer que ali é proibido ouvir o relato sem headphones quando está a decorrer jogo de futebol.

Estava eu dentro do mini café da auto-intitulada coscuvilheira que me pediu que me calasse para ver melhor o que o INEM estava a fazer ali. Olhei pela janela, e dentro de um Scarlett vermelho, um velhinho tratava de um raminho de flores tipo urze, se é que as flores podem ser rudes, num molhe dentro de copinho de plástico, pousado no tablier do carro, ao lado do terço pousado em renda de bilros.

3 bitaites quarta-feira, 2 de setembro de 2009








Felenko Yefe - Momo Wandel Soumah

Não quero ver Setembro chegar, não quero.
Nada de calos nem poeira na sola dos pés, ou verniz vermelho na ponta dos dedos.
De repente fica frio, e já se veste mais um casaco, e outro, camadas que nos afastam de nós.
E longe vão os dias de sol na portada, e desvios do buraco da lagarta na maçã, trincando carneiros contados, cercando a dita, sem pudor mas com cautela, em noites de brisa quente, madrugadas de vento que sacode cortinas. Transparentes, luminosas.

Aquela frase que se repete pela ânsia dos pôres-do-sol contados e luz ténue no horizonte povoado. Talvez seja por ter nascido no magusto, pelo cabelo ter sido sempre da cor do Outono - mesmo naquela altura em que o pintei de mercurocromo e havia reflexos vermelhos e esverdeados - there's something about the fall, falling down on me.

Os chinelos dão lugar a botas com lã quente.
Já não me embrulho numa lipa leve para sentir o conforto do trabalho em casa - abraço-me de cobertores, aquecedores, incensos e música.
Saio à rua, pulsos arrepiados, e cheira a castanhas.
No Verão há quem não queira acabar de ler o livro - histórias demasiado boas, coisas que se demoram. Chegando Setembro, sei que dou por mim embrenhada, fechada lutando numa mesa e quadros, à minha volta que "Eu amo o Longe e a Miragem, / Amo os abismos, as torrentes, os desertos… ". Ficar a ver isto acontecer, é uma espécie de sina, ou aceitar uma missão.
Vejo, Setembro entrou, de mansinho, porque hoje já é dia 3.

De boas-vindas, indómita a vontade de escrever, te, uma carta.
É que sempre insisti fazê-lo. Mesmo em anos de silêncio escrito, em papel, que destinatários foram outros. Tipo cuidar de flores, tivera eu um bonsai, sempre voam envelopes, colagens, espirais azuis, mas nunca mais tomate vermelho, Matisse.

1 bitaites domingo, 28 de setembro de 2008

2 bitaites sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Festa do AdianteFeira dos usados do Grande Porto (metro do Marquês e Faria Guimarães)

VISITEM O BLOG
http://feira-do-adiante.blogspot.com

Rua do Bonjardim nº 1176
Sábado, dia 27 Setembro. Das 16:00 ás 20:00 e das 22:00 ás 24:00.
Domingo, dia 28 Setembro. Das 16:00 ás 20:00.

Esta feira dos usados, a FESTA DO ADIANTE, visa dar novas residências, renovados significados e principalmente novos companheiros às coisa que ocupam espaço e não são usadas. Com isto podem-se fazer uns trocos.Estas coisas são por exemplo objectos esquecidos, livros, cds de música, objectos de decoração, coleccionáveis e roupa.

Vem juntar-te a nós através desta troca ousada! Estamos à tua espera.Traz amigos também!

1 bitaites domingo, 21 de setembro de 2008

Preciso de fotografar o que é o reflexo de uma grade trabalhada num vidro fosco de portada antiga do prédio de Mouzinho da Silveira. Mas não tenho máquina portanto faço-o com palavras.

E os recortes no limite da paisagem, que é o céu, porque estou alta, multiplicam-se em formas, curvas, relógios, cúpulas vítreas, sinos, rosas do vento, cruzes, o Norte.

A chuva vertical, não oblíqua, simplesmente deixa cair o seu peso frio de lágrimas atravessadas por raios de Sol. Todos batem nas pedras da calçada.

 

Copyright 2006 | Template cedido por GeckoandFly e modificado e convertido para Blogger Beta porBlogcrowds.
Muito obrigada :) Se queres conteúdo reproduzir, basta pedir!