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bitaites
segunda-feira, 31 de março de 2008
Cidade
Díli continua feia, cinzenta. Os edifícios ainda não foram postos de pé, as lixeiras estão por criar, as casas continuam queimadas, há ainda mais refugiados pelos jardins e escombros. Parece que se habituaram à caridade das ONGs, e alugam as suas casas por rendas inflacionadas ao pessoal da ONU e outros malais que tal, e vivem do arroz oferecido nas tendas que há por aí. É um problema do caneco. Por outro lado construíram passeios (o ano passado a cadeira de rodas tinha de ir pela rua), há mais iluminação à noite e os taxistas já não têm medo de guiar à noite porque a moda da pedrada acabou.
Bairro
O Bairro da Cooperação em Colmera está muito estranho. Não foi só cortarem o bambuzal (?!) da casa quatro e a planta de aloé vera que eu ia esfregando no cabelo, queimaduras e picadas. A palhota não abriga guitarradas, os alpendres estão abandonados, a casa cinco está por habitar. Quem cá vive (mais ou menos 15 pessoas – em 2007 seríamos uns 30) faz par com outros internacionais extra-FUP e está instalado naquela rotina de quem fica muito tempo. Tirando esses há só o bigode e a alice na casa um, reincidentes e recém chegados, um pouco mais velhos de idade mas muito mais activos e jovens de espírito que muitos nos vintes.
Casa
Na casa três vivo com o G. e o G., caloiros, da minha idade e formação. De repente até parece que sou uma veterana nos assuntos timorenses. Engraçado, ser especialista em Timor não é difícil. Há um quarto elemento, semi-timorense, conhecido pelos seus passeios
Quarto
O quarto quatro é sem dúvida dos piores do bairro: mínimo, virado para as traseiras, com o foco potente de luz de presença nocturna bem apontado para a minha almofada. O mosquiteiro azul-turquesa das missangas e florzinhas está montado, mas a janela não está estrategicamente virada para o conjunto palhota-árvore-flores do ano passado. Não é assim tão importante, passo mais tempo na sala que a companhia é boa e temos montes de assuntos geeks para tratar :)
Por três vezes cheguei a casa com o pé esquerdo descalço. Ele queixa-se muito dos chinelos, dos sapatos sem meias com calor, da areia que roça. Andar descalça pela cidade é o que muita gente faz, e é da maneira que ganho calo na pele de bebé. As bolhas que fui ganhando hão-de também calejar, e o calor húmido é natural e liberta-me os movimentos.





