sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Escrevo porque acabo de ter um ano extraordinário. Estou agora naquele espaço do passo que se dá para entrar no próximo, e não quero seguir, sem agradecer, contra tudo o que esperava, ter passado do preto para o branco, com todos os tons de emoções que se podem encenar pelo meio, nos mais diversos cenários do mundo.

Primeiro, era eu a entrar na Casa de Saúde da Boavista, ainda manca, com uma malinha nas mãos, e sozinha, "venho para ser operada". Dali saí inchada, mais leve do peso dos dentes e parafusos que de mim já não fazem mais parte. O luto do corpo invadido.

Depois era eu, em trânsito, no aeroporto de Hong Kong, a não acreditar, por não saber ainda, que a vida, fazendo-se, corre como uma roleta de ter histórias para contar. A altamente improvável diáspora.

E tudo o que daí surgiu, por andar com os braços abertos. A melhor coisa que fiz até hoje, quando contigo partilhei a madrugada, de Sol acima das nuvens. Cada qual com a sua paz.

As plavras mais lindas que dei, as palavras mais lindas que recebi. Assumir-me platónica e solitária, como forma de estar, e deixar, nos outros, pedaços assim. E da solidão, sempre que em dias como hoje, vir raios de Sol ténues, amarelos enquanto batem no paralelo granítico da Ribeira, sentir que as gotas de chuva são pesadas, nascem ouvidos quando vejo alguém a perguntar: se a tua casa estivesse a arder e só pudesses retirar uma coisa, o que escolhias?

Nada. Agora, vai tudo acontecer.
(O tom nostálgico vai mudar.)

1 bitaites:

mãenuela disse...

POR FAVOR!:
se arder vê se consegues atirar pela varanda a manta das tiras, porque fiquei com artroses nas mãos de fazer tantas .
Obrigadinha.

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