domingo, 18 de janeiro de 2009


Das coisas mais impressionantes que vi foram cemitérios em locais inesperados, com ou sem fundo azul. O que impressionou nesses cemitérios não foi o desenquadramento da morte em cenário de vida tropical, mas sim o facto de a morte ter vindo, em massa, e em data única. Campas de todos os tamanhos, de nomes variáveis - por vezes, de apelidos iguais - e que coincidem na inscrição do dia final: massacres, esquartejamentos, "pedaços colados às paredes da igreja", encontram o seu descanso que se consome na doce balada do mar.

Pergunto-me sobre as marcas que ficam, na pequena vila de Liquiçá (na foto) onde todos os habitantes não têm outra opção senão recordar o que ali viveram em 1999.
Pergunto-me sobre o imaginário dos adolescentes que enquanto crianças assistiram a uma desgraça sangrenta assim.

E a ferida aberta que fica naqueles corpos que nunca apareceram depois de chacinas, torturas, genocídios pela auto determinação?

Amen.

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