terça-feira, 12 de agosto de 2008

Foi assim, na véspera da partida, domingo, acordei de malas por fazer, fiquei sentada na cama a olhar o meu redor cheio de tais, roupa, sapatos, espanta espíritos, colares, sabonetes, papéis, medicamentos, livros, conchas, cestos, lipas, artesanato. Bloqueada, decidi ir para a praia. Talvez quando chegasse encontrasse um fio condutor de arrumação. Ou mesmo as coisas arrumadas.

Na praia, sozinha, contemplando já saudosa, aparecem dois para a sandes de abacate e galinha. Vão. Aparece um a partilhar o iPod. Vai. Aparece um convite para me juntar ao pessoal da música, lá ao fundo. Vou.

Chega o pôr-do-sol, não no mar, como é costume, mas acima da montanha que contorna a estrada para o Cristo Rei. O Sol desaparece e fica uma unha de Lua quase nova, brilhante. E o vocalista doce canta suave aquela melodia, o amigo assa na fogueira um atum. Perfeito para último dia.

Até que na hora da partida vejo que o meu telemóvel ultra quitado PDA GPS Wifi onde está TODA a minha vida desde há dois anos desapareceu. Por sinal, também desapareceu o do outro único malai presente no grupo de 10. Gerou-se uma tensão, uma inexplicação, uma confusão. Oito eram de confiança cega do meu amigo. Dois desconhecidos. Um dos amigos de peito, actor em filmagens para o “Balibo Five” (sobre os cinco jornalistas australianos mortos em Balibo em 1975) diz que um dos desconhecidos desapareceu.

Então, vamos todos para o Hotel Turismo com o motorista dele (actor timorense). Lá, o miúdo não se descose. A tensão cresce. Uma portuguesa de vestidinho de praia azul a stressar em tétum, um autraliano traído e 10 timorenses entre o envergonhado, o triste e o chateado. Dois de olhos postos no chão. Decidimos, os brancos, sair dali no momento em que eles se começam a preparar para despir na rua em frente ao Hotel. O líder, ema bo’ot, o actor, ex-vocalista dos Galaxy, imigrado para a Austrália, diz que algum deles foi quem roubou os telefones. E quem roubou, tem de ter os telefones consigo. Soube depois que o único que se recusou a tirar a roupa foi o segurança de actor. Não devolveu os telefones.

E foi isso que eu disse na polícia no dia seguinte antes de ir para o aeroporto.

Com esta série de imprevistos, nem jantei nos coqueiros, nem consegui avisar os convidados. Foram aparecendo no Bairro (os outros professores já tinham ido embora nos dias anteriores). Encomendei pizzas, fiquei com o australiano e o maninho rastafari Zerai (Zé da terra). Eles foram e voltei a sentar-me na cama a olhar, e assim fiquei até amanhecer. Só pensava que não queria arrumar as coisas. Estavam tão bem assim, no lugar delas.

De manhãzinha uma conversa difícil. Depois mais bloqueio. SOS Luísa ajuda-me com as malas que eu não consigo. Fui aos Correios mandar um caixote gigante de 20kg (há-de chegar!). Fui à esquadra fazer a denúncia à pressa com o polícia tuga mais lerdo do mundo (é ingenheira ou enginheira? Pode ser professora).

E corri para o avião a pensar que ia desistir, ia cancelar tudo porque ficou tanto por dizer, dar, entregar e fazer! Mas fui, a soluçar. Chegada a Bali, já se sabe, os relvados e terrenos organizados. A Rita, que já lá estava há uns dias, dá-me o contacto do Mr. Networking Connections Meco de nome, timorense de nacionalidade. Passo-lhe o meu bilhete, sem esperanças (há meses que tentava alterar o voo sem sucesso!). Ele liga-me no dia seguinte de manhã, 3 horas antes do check-in a dizer que consegue voo confirmado para Setembro, mas só tenho meia hora para decidir.

E pronto, em meia hora decidi.

Já passava da hora de embarque do voo antigo quando fui buscar o novo bilhete. Aproveitei também para encomendar um voo só de ida para Timor. Assim posso:

- jantar nos coqueiros

- reaver o telemóvel

- traduzir a crónica para tétum

- dar a volta a Timor Leste

- despedir-me como deve ser

- entre outros

Depois vou por terra até Timor ocidental, dali de barco para as Flores and so on and so on até chegar outra vez a Bali, dia 10 de Setembro.

Daí seguirei para a Europa, feliz, tranquila, serena de obra feita. (i hope!)

E pronto, resumidamente foi isto o que aconteceu.

1 bitaites:

Inês Dias de Carvalho disse...

ufaaa.... eu sabia que n m ías desiludir:p sabia que n virias antes de agora:))) vou continuar a ler-te!*

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