quarta-feira, 9 de abril de 2008

O dia de hoje finalmente trouxe tranquilo e sereno sorriso.
Apesar das poucas horas de sono – dar aulas às 8 é duro – decidi não continuar com a neura de ontem, que já não podia ver ninguém no meu caminho e só queria fugir para me deitar numa qualquer relva isolada.

O céu limpou-se de nuvens.
Nas aulas, os alunos têm imenso potencial e de facto percebem e aprendem rápido e falam português e riem-se das piadas e sabem continuá-las. Quando acabo aparecem dois antigos alunos do ano passado a visitar-me, que bom! Sigo depois até ao médico-jeitoso a perguntar onde posso fazer fisioterapia, ao que ele me responde com um passe para a clínica chinesa – estou curiosa…

Pelo Nolasco aguardo na palhota enquanto toco guitarra. Comprei-a na 2ª ao fim da tarde no Jacinto, supermercado para locais, por $18. A mais foleira que se pode pedir, mas vale pelo espectáculo que se montou no Jacinto: apareço eu, malai assumida, sozinha a pingar suor e com a camisa colada às costas, de bicicleta na hora do fecho, e insisto em transportar a viola na mochila. (Enquanto escrevo estou a tentar não perder o gafanhoto verde alface gigante da minha sala de vista.) Tendo em conta que a mochila do mini-portátil é três vezes menor que o dito instrumento, o encaixe seria tarefa fisicamente impossível não fossem as "manas" a criar uma autêntica escultura com cordas no meu tronco. Não foram necessárias 24 horas para que as bolhas nos dedos da mão esquerda rebentassem, compulsiva, já toco quatro músicas. Vamos almoçar a um restaurante timorense lindo de flores de plástico, toalhas de plástico, tempé, tofu, peixinho frito, arroz branco, abóbora ($1,75). Alguns olhares jocosos da comunidade – que faz esta malai com o rapaz – e Timor ainda surpreende em cada sorriso. Neste ponto do dia já me sentia perfeitamente bem.

Sigo para o aeroporto onde passamos a sala de embarque e entramos na pista de aterragem para ver haka neo-zelandês – a mudança animal aborígena intensa rugbyesca do turno de 6 meses da polícia (houvesse banda larga para carregar o vídeo para o Youtube!).

O céu pintou-se de rosa enquanto seguia pela marginal montada na Vespa da Luísa. Faço contas a quem vem e sei agora que somos fugitivos de algum tipo de desconforto. Porque será que aqui tudo faz sentido? E até quando? Desce o sumo de abacate com chocolate na Dona Fina, sobem os olhos para o céu - no regresso ao bairro, tenho um braço da Via Láctea à volta dos ombros.

4 bitaites:

Joo Magoo disse...

Que bom guitarradas em Timoriiiii.... ò Jacinto vem cá ver isto!
Adorei os braços da Via Láctea à tua volta, espero que te inspirem muito pra tocar e continuar a sorrir.
eu imagino....

Beijos mil linda. Ate jah.

mãenuela disse...

o q é nolasco?
aprendi com o afonso, numa noite de quarto muito minguante, num planalto da argentina, q a terra faz parte da via láctea ( ...COMO AS MÃES SÃO IGNORANTES...) e por isso fiquei a saber que podemos ser abraçadas por qualquer dos braços da via lactea, em qualquer local que nos encontremos, basta que seja noite .

sarita disse...

Nolasco é o segundo nome de alguém cujo primeiro é duplamente hilário: cómico e literal (com agá maiúsculo). É também o segundo nome de alguém que era meu aluno no ano passado e que agora é inginheiro da Timor Telecom, e que não gosta de ser tratado pelo primeiro nome (vá lá saber-se porquê...).

Inês Dias de Carvalho disse...

...já n vejo a via láctea há mto tempo... fiquei com sede de ser abraçada por ela e, por isso, abri a persiana do meu quarto e virei os olhos para ela, para sentir o que tu sentiste.



senti o que tu sentiste, mesmo sem a ver...:)

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