9 bitaites terça-feira, 10 de fevereiro de 2009


Naquele dia, eu ia sozinha, de bicicleta. Estava calor, pudera!, havia relvado - coisa rara - lembrou-me a Áustria (como é possível?). Lembro-me do exacto recorte da paisagem quando o Sol cai e as cores que se formam. Sei que havia um ligeiro desconforto pelo tom da minha pele, aquela presença ali assim. E sei-o, sei-o, sei-o: cruzaram-se sim!

Entrei em casa eufórica, o veneno já tinha começado a provocar-me uma comichão, que vinha sobretudo do coração. O pai tinha acabado de ir embora, para Bali, em breve dir-me-ia que não havia hipótese de mudar o meu vôo em Agosto. Ia embora daí a pouco mais de duas semanas. Até chorei, porque não podia ser. A Rita tinha o problema inverso. Fomos sentar-nos no alpendre, no chão... perna para um lado, com a cabeça nas mãos. (Depois tudo isto mudou, no dia da partida, e foi a maior adrenalina que senti.)

Patatipatata, resumindo e concluindo, depois das Bonecas de Ataúro, eis quem eu quero trazer...

2 bitaites domingo, 8 de fevereiro de 2009

E esta música que não me sai da cabeça. Não é fácil viver constantemente esta banda sonora, em todos os momentos, enquanto os outros falam, desde que acordo até que o faço outra vez.

17 bitaites segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

3 bitaites quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

antes


e depois

1 bitaites

Sarita mora no musseque,
sofre no musseque,
mas passeia garrida na baixa
toda vermelha e azul,
toda sorriso branco de marfim,
e os brancos ficam a olhar,
perdidos no seu olhar.
Sarita usa brincos amarelos de lata
penteado de deusa egípcia
andar de gazela no mato,
desce à cidade
e sorri para toda a gente.
Depois, às seis e meia,
Sarita vai viver pró musseque
com os brancos perdidos no seu olhar!
António Cardoso

2 bitaites terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Meu deus, disse o q disse, o improvável aconteceu, e depois não mais conseguiu dormir, por tremer.
Começou assim «esta noite as horas todas passaram a sonhar contigo», a voz apareceu em palavras de intenção, subir todas as montanhas do mundo. Todos os que por ali passavam, só de olhar, enchiam-se de uma compaixão solene «é o amor isto nos meus olhos?»

E há um ano atrás,
Em vez de jogar com os genes,
vai jogar com as essências
ouvir o sussurro do vento que percorre as nossas montanhas do avesso.

0 bitaites domingo, 18 de janeiro de 2009


Das coisas mais impressionantes que vi foram cemitérios em locais inesperados, com ou sem fundo azul. O que impressionou nesses cemitérios não foi o desenquadramento da morte em cenário de vida tropical, mas sim o facto de a morte ter vindo, em massa, e em data única. Campas de todos os tamanhos, de nomes variáveis - por vezes, de apelidos iguais - e que coincidem na inscrição do dia final: massacres, esquartejamentos, "pedaços colados às paredes da igreja", encontram o seu descanso que se consome na doce balada do mar.

Pergunto-me sobre as marcas que ficam, na pequena vila de Liquiçá (na foto) onde todos os habitantes não têm outra opção senão recordar o que ali viveram em 1999.
Pergunto-me sobre o imaginário dos adolescentes que enquanto crianças assistiram a uma desgraça sangrenta assim.

E a ferida aberta que fica naqueles corpos que nunca apareceram depois de chacinas, torturas, genocídios pela auto determinação?

Amen.

3 bitaites terça-feira, 13 de janeiro de 2009


5 bitaites quarta-feira, 7 de janeiro de 2009


I'm an Author for Global Voices

O Global Voices Online é um projecto de jornalismo cidadão da Universidade de Harvard que pretende "agregar, selecionar e amplificar a conversação global online – iluminando locais e pessoal que outros meios geralmente ignoram".

Leiam o Global Voices Manifesto e... check me out!

7 bitaites segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

[Chamo-lhe chilrear dos pássaros porque tenho vergonha de o chamar pelo nome - que me descubram - e quem tiver de perceber, perceberá.]

Sempre tive tendência a gostar de grande egos, dos que falam muito na primeira pessoa. E digo isto enquanto ouço o Jorge Cruz "tu és o que és e eu sou, eu sou eu". E do meu, nada sei, não que não o tenha - talvez até seja grande - mas não o sei explicar em mim, embora consiga só de olhar, identificar quem é que o tem, e tem grande, como eu, erradamente, gosto. O chilrear dos pássaros tem um grande ego.

Vício é o nome de alguém que já me foi muito querido. Acarreta com ele mil palavras que estão sempre por dentro, a teclar, ou a refrescar, para saber. E há sempre aqueles, que nem sonham, que o são em mim, e eu sigo e procuro e quero saber. Porque quero saber? Era o que acontecia com a primeira palavra do dicionário do telemóvel. O chilrear dos pássaros é um vício, obsessivo, anónimo.

Quando olhamos para o ferido e pensamos "eu não quero ver isto", quando entramos no carrossel da vertigem e pensamos "eu não quero estar aqui", quando ganhamos coragem e vamos falar e pensamos "ai já não posso voltar atrás". O chilrear dos pássaros tem a velocidade dos planetas, e o eco das montanhas, embora talvez não vejamos nem ouçamos isso, porque embala.

 

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