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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Ha'u koko
Haluha ne'e hotu
No se ne'e los
Entaun acontese deit.
(Na foto, do outro lado)
'era como se desfocasse os olhos'...
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Ha'u koko
Haluha ne'e hotu
No se ne'e los
Entaun acontese deit.
(Na foto, do outro lado)
Etiquetas: timor
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sábado, 15 de agosto de 2009
Gostava de lavar a roupa à mão, foi esse o final de uma história e o início da resposta a uma pergunta, que veio depois de caminhada distante, longa até amanhecer, até o pé doer. Que gostava de pegar em cada peça sua, e deixar a água passar, esfregar o sítio de cada nódoa que não tinha mais que a sua própria história também.
E é isso motivo de separação?
Que começaram a ver a vida com caminhos diferentes, e aparecem máquinas de lavar a roupa, que diz que não quer usar, porque gosta de cuidar das suas coisas assim, com tempo.
Seguiu, ouve esta história, de um casal que vive na montanha. Ele, passa os dias no campo e à noite traz de modo os vegetais. Ela fica em casa, vende no mercado ou aos vizinhos, põe o olho nas crianças. Só que um dia ele não pode ir porque tem o pé ferido. Ela embrulha o cabelo numa lipa, pega no cesto e segue para o arrozal.
Ao regressar a casa, na estrada, baixa-se para apanhar uma flor, frangipani, lágrima de um santo qualquer. Coloca-a no cabelo e volta.
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sábado, 8 de agosto de 2009
Na International School on Digital Transformation, para onde fui directa de 2 dias de aeroporto à volta do mundo, entrei com ideias inspiradoras - não fossem os exemplos demasiado centrados no caso americano - sobre "Social Change Infrastructure: Building Values Into the Way our World Works" (Nicholas Reville).
Que é tempo de reflectir sobre os pontos onde a sociedade e a tecnologia se encontram, e fazê-lo como activistas e não como mero exercício de observação. [Aqui a primeira palavra que ficou a ecoar, e me fez reflectir antes o percurso que andamos e/ou ando a traçar.]
Criticando o poder que grandes empresas detêm para a manipulação da sociedade - claro que de um ponto de vista tecnológico, informativo e comunicacional - bate com o pé: "podemos decidir a forma que o nosso mundo tem", e apela:
(...) encontram-se sempre entrelaçadas a dignidade do homem e a responsabilidade da profissão na luta pelo direito, pois só esta é própria da advocacia.
I am a child of piracy. I would not be here if i was not a pirate throughout my life. I could only get through school by pirating the books. To me, criticizing the piracy is like spiting on my mother’s face.
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Foi ainda antes de sair mas já tinha largado grande parte. Fosse o caderno de um ano, com tudo tudo o que acontecia - um guia para memórias fracas - que acabou, e habituar-me à textura do novo papel. O telemóvel do qual tive de desistir quando se tornou uma vergonha ter chamadas a tratar de negócios - da vida! - perdidas na imensidão do que é estática e ruído.
Algures no tempo que por ali ia, veio ninho. Só meditação, que foram as duas semanas de escadote, esfregão da loiça (lixívia) e aspirador, na mão, e um prédio. E o que já sabia, que era partir quando, de ombros mais largos, já tudo tinha um sítio, o cheiro a verniz e um recanto que fosse - o reflexo de vidro irregular de antigo, na parede em frente caso esteja deitada.
A Violeta berra lá ao fundo do átrio que há-de ter espelhos "Tiia!", e eu fui porque ouvi, e, já agora, voltava a despedir-me. Que se passa Violeta? "O Baltazar mudou de casa contigo!", apontava para um topo recôndito, mas ele lá estava. E passados poucos dias eu estava no erli sun. Gosto de ir estando com as pessoas, uma por uma, a um ritmo que imponho na aparente indiferença.
O Baltazar é uma gaivota que aparece sempre, e que não ataca os sacos do lixo na beira da estrada que aguardam o camião que ao chegar faz sempre abanar o chão e as portadas da casa de Mouzinho da Silveira. O Baltazar observa, lá de cima, mas não tem intenções, não é gaivota com grito de morte, como as outras. Disse à Violeta que com o Baltazar não precisava de falar, nem quando estávamos sozinhos, mas que olhávamos sempre um pelo outro.
Com o Baltazar numa janela diferente agora, ainda penduro cortinas, ainda organizo a lista de contactos, e tento lidar com o facto de ter o mundo à distância de uma mensagem, ou através da lente que se chama Google, com quem andei a meter-me meses a fio, e agora levo com o que dizem que pedi - saturação - quando o que mereço e me protege, dizem, tem outro nome.
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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Estou em processo. O meu silêncio fala na voz do desenquadrado, que o pior jetlag é o cultural. E a lentidão não é mais do que não conseguir acompanhar o que corre por dentro. Assim, em câmara lenta, desculpo-me. Estou em progresso.
PS - Não é que tenha deixado de gostar de silêncio, de cerejas, de mãos, da violeta, de bossa nova, de olhar, do LOST, de luz baixa, de constelações, de lã, de sapatinhos, de flutuar no mar, de canecas de café fraco, de incenso e velas, do cheiro do frangipani, de quadros brancos para escrever, de cremes, do Platão e/ou de fado, mas aquilo à direita estava a irritar-me. E o mesmo para as palavras do Rui Veloso, "esse teu ar grave e sério / (...) / nesse teu jeito fechado / de quem mói o sentimento".
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quarta-feira, 22 de julho de 2009
Já no destino, que não é mais do que ponto de partida, folheio de trás para a frente ainda sem tempo de o pensar. O toque à janela quando menos era esperado, em noite de luar lulik, em forma de bela tal qual o acessório tradicional. O lábio inferior a tremer, a cabeça apontada para baixo, pousada nuns joelhos à frente, soluço que desagua em riso de lágrimas, ou vice versa, não percebi. Três noites num colchão na praia, como lençol só o manto de céu estrelado. Sala de partos, quase a desmaiar só de ouvir (ver não via que fechei os olhos com força), a futura mãe a arfar silenciosamente, a médica cubana de bisturi na mão "preparem-na! tem de ser cesariana! Sara, vamos lá?" Ai onde... E logo depois o funeral em Santa Cruz, missa cantada por baixo do Sol intenso, e pessoas espalhadas pelas campas. A síncope no coração ao avistar Timor aproximar-se do avião.
A maratona pelo aeroporto de Frankfurt, correndo desalmadamente em menos de 10 minutos o que no regresso demorei 45 a andar. Para não perder, não perder, chegar rápido lá, a Díli, onde deixo, mais uma vez, a pele e sensações que num clique se apagam e duvido que tenham mesmo acontecido. Voltarei, para verificar.
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Segunda escala, em Frankfurt, passadas exactamente 48 horas de ter deixado Díli, e sem ainda ter chegado ao destino. Pudera! Parece que vou no sentido errado. Observo todo e qualquer um que passa e só me apetece saltar do banco num berro “PÁRA TUDO!! A partir de agora cada um fica no seu sítio, vamos lá parar de causar estragos mundo fora." Mas calo-me e planeio já a próxima viagem.
D’O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, para os amores platónicos e consequentes concretizações, descubro a pólvora aqui. É que isto de ir assim é ter o privilégio de sair da caverna que Platão alegorizou. E depois como se explica? Sombras de vida que vemos com sinais de fumo em forma de cifrão e valores deturpados para um sentido que se quer desumano. E o tempo sempre a passar.
Daí a ânsia constante na véspera de toda e qualquer viagem. Não tenho medo dos aviões. "Eu sou um solitário", tal como o tio guerrilheiro que morreu com um balázio das mílicias indonésias em Lospalos. Foram buscá-lo a meio da noite. Quando a aldeia ouvia o carro a aproximar-se, já sabia o que ia acontecer. Só não sabia a porta que seria aberta em cada noite. Escrevia em português na janela "Eu sou um solitário", e era de facto.
O que temo sempre antes de partir é saber que ao voltar nada mais será igual, como o par de dados que se baralha em palmas de mão fechadas em coração, dados atirados à mesa, certo que resultado incerto. Todas as referências são abaladas o que causa profunda estranheza no reencontro com o que é próximo. O que é próximo? "Sara, sabes, é que não se percebe totalmente essa forma de olhar." Pois sei, sim, see you.
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