segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010


Enviada a carta com a minuta ridícula e sem esperar que os meses parem de passar enquanto eles se decidem a avançar com o processo, pude voltar a visitar o engenheiro para lhe entregar uma cópia da dita acrescida do aviso de recepção bem como da cópia do recibo de renda de Fevereiro com o novo-velho valor actualizado-mantido de 20€. E venha daí o imbróglio seguinte.

Enquanto aguardava ansiosamente o parecer / despacho / comunicado porvir, refiz contas ao orçamento que o engenheiro já avisou que vai levantar problemas. Não sabe bem porquê, ainda nem olhou para ele atentamente, mas parece-lhe. "Que nós não somos enganados", eia! Belo princípio, andamos todos a querer arrancar os olhos dos outros. Em Fevereiro o entretenimento foi pois tirar medidas e aprimorar o belo do modelo III do processo. Vesti assim o meu alter ego de empreiteira, engenheira e orçamentista, e não sei bem como até comecei o mês com um sorriso na cara ao pensar na fachada cada vez mais cadente e decadente. É que o processo parece um jogo tipo o filme, mensagens em código que alguém mete na caixa do correio e não poucas vezes assina só com siglas da Câmara do Porto, misteriosas.

Recebi outra dessas na semana passada, vinda de alguém que se esqueceu de falar com o colega do escritório ao lado da grande instituição camarária. Mais umas palavrinhas a acrescentar ao meu vocabulário burocrático crescente. Desta feita, quesitos e a hipotética formulação dos mesmos, aquando da vistoria que será feita em Abril, não pelo Porto Vivo, mas pela Câmara em si, que agora acredita que tenho mesmo de fazer obras, e que quer intimar-me a fazê-las.
Errr... Hey! Eu quero fazer obras!! Fale lá com o seu colega de lado que ele até já tem os papéis todos com o meu pedido. Olhe que não é um pedido qualquer: são 5 quilos de papéis.

Graças a deus que já cá não estão em casa, senão teriam encurrilhado com a humidade do ar que se fez sentir em Janeiro. Foi mês de andar atrás de quem tratasse das caleiras, do fogão e chaminé.

Sempre e para qualquer dúvida dirijo-me ali à senhora do mini café (que é só um balcão). Por acaso conhece quem trate? Na maior parte das vezes ela não sabe, mas assim o cimbalino a 50 cêntimos dá também direito a 5 minutos de alimento à sua curiosidade mórbida sobre os motivos que me trazem aqui ao bairro. Quando apliquei a palavra bairro, o filho dela, 40, bochechas, camisa de flanela, engasgou-se.
- Conhece quem arranje fogões aqui no bairro?
- BAIRRO?!? Onde é que pensa que está?
- Bem, este é o meu bairro, é onde eu moro, é assim que o trato.
- Que com o gás não se brinca, menina, diz, e que mais vale comprar um fogão novo.

A fuga fazia com que tivesse de estar a cozinhar enquanto tomava banho. Coisas da vida. Depois, a caminho do Largo do Padrão, trânsito infernal, ora levanto os olhos da poça ora reparo nos edifícios em redor à procura da loja muito boa para comprar fogões que o outro falou. Vejo a porta de alumínio e os outdoors recessos de neon que quase dizem "fogões a gaz" não fosse faltar o O o E e o Z num cor de laranja que se confunde de amarelo pálido. Um senhor de dentes pretos assobia do outro lado, que quer? é gás? Sim, é, e tento começar a demorar-me em explicações, que o antigo inquilino era um bocado porcalhão, ele interrompe constantemente, tenta adivinhar o final da história que me propus a contar ali no meio do passeio, ao lado de um tubo de queda roto quais quedas de água do Gerês. Diga-me lá a morada. Nós levamos lá a garrafa! Não sei porque dei a morada mas não é garrafa que eu quero, que aquilo estava uma miséria mas com o gás não se brinca, e mais vale comprar um novo. Ah então é um fogão que quer, pois que remédio, preços, onde é a loja. E assim veio um novo fogão a gás, no dia em que a dona Aurora foi levada pelo INEM para o hospital. Uma velhinha pequenina, com Parkinson, que me chamou pela primeira vez a atenção quando reparei no à vontade com que deixa a casa de pantufas e roupão e anda 50 metros até ao café das tijoleiras, aquele onde puseram uma mensagem ao lado da TV a dizer que ali é proibido ouvir o relato sem headphones quando está a decorrer jogo de futebol.

Estava eu dentro do mini café da auto-intitulada coscuvilheira que me pediu que me calasse para ver melhor o que o INEM estava a fazer ali. Olhei pela janela, e dentro de um Scarlett vermelho, um velhinho tratava de um raminho de flores tipo urze, se é que as flores podem ser rudes, num molhe dentro de copinho de plástico, pousado no tablier do carro, ao lado do terço pousado em renda de bilros.

1 bitaites:

neca disse...

ah! a minha foto neste post tinha ficado bem! embora a do Pedro Ferreira não fique atrás! São uns tubarões da burocracia!

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