sábado, 12 de setembro de 2009

(English version of Pablo Neruda's poem "Who dies?" can be found here)

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música, quem não encontra
graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destroi o seu amor-próprio,
quem não deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma
em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem
não muda de marca, não se arrisca a vestir um nova cor ou
não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro
sobre o branco e os pontos sobre os "is"
em detrimento de um redemoinho de emoções justamente
as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está feliz
com o seu trabalho, quem não arrisca o certo
pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite
pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias
queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona
um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre
que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples facto de respirar.
somente a perseverança fará que conquistemos
um estágio esplêndido de felicidade.
Pablo Neruda

7 bitaites:

Annie disse...

este poema encaixou-se em mim com um desconforto suave.:) e tens/tem toda a razão. :)

Anónimo disse...

tambem a mim... tambem a mim...

Anónimo disse...

É o prazer de viver que dispersa, suprime a concentração, paralisa todo o impulso para a grandeza. Mas sem prazer de viver... Não, a solução não existe... A menos que seja uma solução fazer de um grande amor uma raiz e nele encontrar a fonte de vida sem o castigo da dispersão.

Albert Camus, in 'Cadernos'

sergiomco disse...

Inspirei e suspirei a ler este poema, não o conhecia, gostei muito. Kisses *

Igor disse...

tenho este poema colado na parede do meu quarto, na minha residência natal, há já alguns anos, portanto.
é para me ajudar a não esquecer! :)

Nuno Medon disse...

olá! este poema diz tantas coisas que nos fazem pensar...tantas verdades! beijos e uma boa semana!

L.G. disse...

O texto é bonito mas não é de Neruda. Confirmei em tempos com a Fundação homónima:

----- Original Message -----
From: Informaciones Neruda - info@fundacionneruda.org
Subject: Re: Texto «¿Quién muere?»

Ese poema NO pertenece a Pabo Neruda.
Gracias por preguntar.
Fundación Pablo Neruda

É apenas mais uma das muitas "verdades Google", erros que se tornam factos de tantas vezes repetidos...

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