sexta-feira, 20 de novembro de 2009


Dia sem luz nem sombra, o de ontem, cinzento, no qual se discutiu o jornalismo universitário na Faculdade de Direito, a convite da equipa do Tribuna.

César Príncipe (que cito no título deste post), interveio inspirando e demarcando a responsabilidade do jornalista enquanto manipulador / facilitador da consciência colectiva.

Começou por pegar no futebol com uma ironia subtil a propósito do jogo da noite anterior. Insistiu tão prolongadamente no assunto que com o exagero permitiu perceber o estado geral das coisas. O jornalismo é isso: numa tentativa de ilustrar o que é a sociedade local ou global, impõe hábitos. De consumo. Postura. Jornalismo é poder e é alienação, é luz e sombra.

Outro discurso, bem mais derrotista, falava em sangue, suor e lágrimas, capacidade de sofrimento, sabedoria na espera e trabalho, afinco, alma, dor, solidão, uma tragédia. Falava de crime e de cliques. Não gostei. A definição de jornalismo de proximidade não ficou muito clara, embora à primeira vista seja sonante. Resta conhecer as ferramentas de medida dessa distância e se Fénix renascerá das cinzas.

Estava já eu quase a chorar com o sofrimento do outro quando Príncipe responde “Que o sofrimento tem de ser democrático”, o que me fez sentir mais amparada. Depois, quando lhe agradeci no final em privado o discurso construtivo, reflectiu ainda sobre outras esferas. Falou do Muro de Berlim, e do entretenimento do espectáculo televisivo nas comemorações do 20º aniversário da sua queda. Enquanto o ouvia, senti e assisti a uma tempestade de areia nos olhos da população mundial. Quis saber dos outros muros todos que hoje ainda existem. Quis vê-los, lê-los, e outras aliterações e imposições sobre as quais pouca consciência existe.

1 bitaites:

Miguel Carneiro disse...

http://www.amalgama.blog.br/11/2009/vinte-anos-depois-de-berlim/

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