Quando cheguei ao «eco-lodge» de Ataúro, peguei no livro de visitas para me ler de há um ano atrás. 31 de Março de 2007, “Genuíno, único, desconcertante” e quase me dava para a lamechice ao ler testemunhos meus e doutros que estavam comigo. Na altura sabia lá eu como é que o novelo se desenrolaria… É bom poder voltar e viver tudo de novo, igualmente único.
…andámos descalços, um atrás do outro, por caminhos estreitos de terra com as espigas de milho alinhadas à direita e o areal comprido da maré vaza do lado esquerdo, a arrancar flores e ervilhas comestíveis.
…ao final da tarde, acocorados com os pés no mar levantámos pedras para conhecer as formas das mil e uma espécies - estrelas do mar, peixinhos, conchas vivas, anémonas, algas, caranguejos, búzios com patas.
…tocámos e cantámos o arménio é um trolha da areosa 327 vezes. Quando a história de vida que a música retrata já cansava, passámos ao improviso de outras vidas àquele ritmo.
…à uma da manhã percorremos a margem entre a areia e o mar, eu com uma lanterna a apontar as plantas, o outro junto à água, para caçar os caranguejos fugitivos com as tenazes apontadas ao céu entre mim e ele. Assámo-los vivos na fogueira e comemos com casca.
…até às três jogámos Bintang, levei uma abada e recebi uma grande lição de estratégia do aluno a quem dei um zero a Inteligência Artificial no ano passado.
Às seis da manhã vi o Sol nascer no mar.
Fui a única, mas não senti nem um dos 3 terramotos que houve durante dia e noite.

…fizemos corridas a subir caminhos íngremes, atravessamos mais campos de milho.
Entrámos nas casas das pessoas, peguei num bebé de mês e falei com a mãe quase sem recorrer a palavras, observada pelos 9 filhos em redor, ofereceram-nos côcos, depois de me saciar com a água ele pega na catana e saca o branco do fruto, prepara-me uma bengala a partir duma árvore qualquer, seguimos, seguimos, paramos com alegria. Passadas 4 horas já vemos a praia ao fundo, os pés dormentes latejam em sonhos com o mar a massajá-los.

Quando chegamos à palhota, eu calada prestes a explodir, e foi o que fiz quando entrei sozinha no meu descanso. Brincar com a vida não.
Ai, mas nem por isso deixo de estar encantadíssima.


6 bitaites:
que fotos lindas, tudo aí parece ter uma cor diferente :) gosto de vir aqui ler as histórias que contas, dá vontade de ir a correr para timor!
para a próxima é melhor veres o barco antes de te meteres nele... cruzes, acho que eu tinha morrido mesmo mas de medo!
ó sarinha, não te metas em barcos a mmeter água...
que lindo fim de semana tiveste!
Nós por cá, todos bem
uauuu
Que aventura!!!! estou encantada com ataúro e como já vi umas fotos desse paraíso imagino como deve ter sido mágico o fim de semana, nada melhor do que uma boa companhia para viver isso tudo. Terramotos,tempestade no mar..não falta acção por aí. ;)
e continua...Aguardo :)
Beijos,
Bárbara
foi maravilha no fim de semana contigo, naquela momento que eu senti o valor das coisas que eu fazia antes como servico que tenho fazer para sobreviver. uma coisa que se calhar tu nao sabias que e' Gosto ver as pessoas felizes na sua vida e quando tu estas com medo, triste e atrapalhado com penssamento e' facil de ver na tua cara...fica feia....somos animais intelegentes e temos de tentar a sair das coisas que nos nao gostamos....foi muito bom estar contigo, beijinhos grande nao grita como ah....eh...ai...carangueso. na foto tou ajudar as pessoas que tem medo.
tanta coisa que a natureza nos pode ensinar sobre o mundo, o sol, o universo... este gira volta das estrelas.
k vontade de caminhar pelo mato contigo e dar-te os cocos das árvores a beber...
diz-se celebrar missa :)
Beijos mil corazon aventurero
"Timor,
O teu segredo, a tua indelével brancura,
De extremo peninsular que por meia ilha se apaixona,
É do teu avô crocodilo a viagem, da criança, a travessura.
Como uma chávena de café negro sobre o nappron branco
Que cada vez que há visitas está presente,
O teu segredo é também a história do igual fazer-se diferente.
Timor,
Deixa-me chamar-te Terra-Rosa, ardente
E amar-te uma vez mais, agora sem praia e sem esteira,
De um amor de ir e vir, de ciência, de poesia e da utopia
De nos conhecermos para além dessa alegria contida
E de nos re-inventarmos à nossa maneira,
Para que juntos, dos antípodas, lutemos por essa humanidade
Em que cada um é toda a humana gente."
I read somewhere how important it is in life, not necessarily to be strong but to feel strong.
To measure yourself at least once.
To find yourself at least once in the most ancient of human conditions.
Keep going Saranowski ;)
Enjoy the most!
Enviar um comentário