4 bitaites segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Mergulhei há 4 dias num imenso universo de trabalho, não quero falar.
Vejo, leio, organizo,escrevo, fecho, mais ou menos por essa ordem, embora sempre ao sabor de um acaso que me torna pouco produtiva, ou eficiente na produção, que muito depende da inspiração.
Também cozinho, limpo, durmo e como, mas, para essas, é que não há regras de todo.

A única conversa que tive nestes dias, ao vivo e a cores, com entoação e expressão, foi com um rapaz de 3 anos que dizia chamar-se Caubói e que corria às voltas no terraço da Casa do Ló. Caubói caíu, trocou-se todo, e quando retomou a corrida, partiu no sentido contrário, ao do ponteiro dos relógios, e eu disse-lhe "olha que te enganaste no caminho!", e ele parou, puxou de uma cadeira, roubou-me uma bolacha de canela e perguntou quanto custava o meu café, que me queria oferecer. Depois ficamos à conversa sobre técnicas e ferramentas de jardinagem, nomes de flores e plantas, e as formigas sempre por baixo a passar.

De volta à grande matrix na qual a vida se enreda em teias de informação, a minha irmã virtual partilhou comigo um vídeo sobre a História das Coisas - www.storyofstuff.com - onde Annie Leonard explica "como funciona o sistema linear do capitalismo, e como isso prejudica a o planeta":



"Temos muito mais coisas mas temos menos tempo para as coisas que nos deixam realmente felizes." O dia a dia que a sociedade ocidental leva é descrito - aos 17 minutos - como um ciclo trabalho-inércia-consumo em que cada indivíduo, cada vez mais solitário, trabalha muito mais horas do que devia, se calhar até tem dois trabalhos, quando pára, exausto, arrasta-se para a sua casa a crédito e estende-se no sofá novo, para ver televisão no plasma sagrado, que só lhe diz - YOU SUCK - que tudo o que tem, faz e CONSOME está errado, portanto tem mas é de ir ao centro comercial, comprar coisas, para preencher esse vazio, que só o faz sentir-se com o peso de quem tem de trabalhar ainda mais e mais para pagar as necessidades que o próprio deixou em si serem criadas.

Como se a nossa ambição passasse por ter em vez de ser e compreender, porque "estamos nesse impulso de trabalhar-assistir-gastar, quando poderíamos simplesmente parar".

Culpo os media - que já agora aproveito para anunciar que a partir de hoje passarei a chamar mídia - pela lavagem cerebral lubrificante do caminho para o colapso do actual estilo de vida, que não pode mais ser. Fico contente por ter um trabalho (vários!) que pretende complementar a falha que existe na sustentação de uma consciência social ao invés da letargia pelo consumo em ciclos que nos mantêm bem longe do outro lado da lua, tudo o que está por trás da exploração desenfreada e criminosa de recursos finitos.


Desde que deixei de ver televisão que o trabalho passou a ser a vida e a luta por ser, por estar, bem, por fazer e compreender que a humanidade é grande, e que todos estamos ligados.

E por isso não me culpo por mergulhar sem hesitar na matrix.

1 bitaites sábado, 21 de agosto de 2010

Deixei de conseguir escrever neste fundo cinzento, e quando assim é nada mais posso fazer senão calar-me enquanto preparo a paleta, sacola e marmita para cenário de fundo do que é dito, trocado pelo não dito, meu feito, escrevinhado - era eu em voos de regresso - ficcionado - na praia da Isla Negra, estendo a mão ao Neruda em horas de contemplar o Pacífico revolto à nossa frente - esquematizado, soluçado, alucinado, projectado, idealizado, e até mesmo calado, que "quando se ama o abismo é preciso ter asas" já dizia o outro e fica mas é para a memória o que estes olhos viram, e de nós ninguém há-de arrancar, temos muita pena mas é tudo demasiado, excessivo, amplo, abrangente e/ou complexo, nem sei dizer, mas imagino-o como o Deus das Pequenas Coisas que encontra Cem Anos de Solidão, com uma pitada de Papalagui e momentos Apocalise Now, versão lorosae, tão grande que tudo dali vem quente como um sonho de estar na Índia, ou em chás de gengibre que queimam e purificam. Eu também não sei explicar.

sem existir nos bastou
por não ter vindo foi vindo
e nos criou

 

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