sábado, 21 de agosto de 2010

Deixei de conseguir escrever neste fundo cinzento, e quando assim é nada mais posso fazer senão calar-me enquanto preparo a paleta, sacola e marmita para cenário de fundo do que é dito, trocado pelo não dito, meu feito, escrevinhado - era eu em voos de regresso - ficcionado - na praia da Isla Negra, estendo a mão ao Neruda em horas de contemplar o Pacífico revolto à nossa frente - esquematizado, soluçado, alucinado, projectado, idealizado, e até mesmo calado, que "quando se ama o abismo é preciso ter asas" já dizia o outro e fica mas é para a memória o que estes olhos viram, e de nós ninguém há-de arrancar, temos muita pena mas é tudo demasiado, excessivo, amplo, abrangente e/ou complexo, nem sei dizer, mas imagino-o como o Deus das Pequenas Coisas que encontra Cem Anos de Solidão, com uma pitada de Papalagui e momentos Apocalise Now, versão lorosae, tão grande que tudo dali vem quente como um sonho de estar na Índia, ou em chás de gengibre que queimam e purificam. Eu também não sei explicar.

sem existir nos bastou
por não ter vindo foi vindo
e nos criou

1 bitaites:

Telemaco disse...

exactamente, para alem de que, as coisas, essas todas, nao sao sequer primas das palavras que lhes poderias dar.

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