350
3 bitaites domingo, 18 de outubro de 2009

Foto de Marisa Gonçalves

350, diz hoje o mundo em uníssono. E já tem vindo a repeti-lo, apelando à acção climática, exigindo o pagamento da dívida que principalmente os países do Norte têm de pagar ao Sul do mundo, que são quem mais sofre pelas alterações provocadas pela mão do Homem no ambiente.

350, dizem, é o número mais importante do mundo. Indica o nível que os cientistas consideram ser o limite máximo de segurança para a concentração de dióxido de carbono na atmosfera.
Há dois anos, climatologistas de topo, após terem observado o rápido derretimento do gelo do Árctico e outros sinais assustadores de alterações climáticas, publicaram uma série de estudos segundo os quais o planeta estava em risco de catástrofe natural e humana se as concentrações de CO2 atmosférico se mantivessem acima das 350 partes por milhão.
Da meta global estabelecida para sustentar o planeta e evitar a completa catástrofe, se por um lado a Europa dos 15 tem conseguido reduzir em 5% as emissões de gases que provocam o efeito de estufa, Portugal, encontra-se no 2º lugar negativo do ranking, tendo aumentado as suas emissões em 36%, logo a seguir a Espanha que aumentou 52%. (dados de 2007)

Este retrocesso esteve bem explícito durante o dia de hoje na inércia intensa que se viu na cidade do Porto. Ao mesmo tempo, mundo fora, apelava-se aos líderes mundiais que em Dezembro em Copenhaga, seja assinado um ambicioso, justo e vinculativo tratado global de clima. Desenhem-se estratégias de acção, políticas climáticas com base nos mais recentes dados científicos e suficientemente fortes para baixar os níveis até aos 350.
Neste momento, sobretudo porque queimamos tanto combustível fóssil, a concentração atmosférica de CO2 é de 390 ppm – o que é muitíssimo elevado, e é por isso que o gelo está a derreter, a seca está a espalhar-se, as florestas estão a morrer. Para fazer este número descer, a primeira tarefa será parar de pôr mais carbono na atmosfera. Isto implica uma transição muito rápida para energia solar e eólica e outras formas de energia renovável. Se pararmos de lançar mais carbono na atmosfera, as florestas e oceanos irão lentamente sugar parte dele do ar e trazer-nos de volta a níveis mais seguros.
É difícil quebrar com os vícios, sei. E muito mais quando a lavagem cerebral com que os media presenteiam as vidas de muita gente manipula hábitos ao ponto de fazer crer que o consumo sem escrúpulos, a dívida desregrada, a vida em crédito, é que são a opção. As mudanças climáticas são efeito de um estilo de vida que não pode ser mais.

Contaram-me que nos Açores os locais compram batatas de Espanha, que custam só 40 cêntimos e que as batatas locais, de produção biológica e baixo consumo, custam 80 cêntimos o Kg e não pode ser. A mesma pessoa que o disse, usa roupas de marca e um relógio caro no pulso. Não comprou essas peças na feira para poupar 20€, mas acha fulcral poupar aqueles 40 cêntimos das batatas.

Eu cá ando a repensar a minha forma de vida, aquilo que (e como) consumo.
Eu cá, quanto mais coisas tenho, mais pobre me sinto e as pessoas mais felizes que conheci só tinham duas ou três coisas, mas sempre comida boa na mesa.

 

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