sábado, 15 de agosto de 2009

Gostava de lavar a roupa à mão, foi esse o final de uma história e o início da resposta a uma pergunta, que veio depois de caminhada distante, longa até amanhecer, até o pé doer. Que gostava de pegar em cada peça sua, e deixar a água passar, esfregar o sítio de cada nódoa que não tinha mais que a sua própria história também.
E é isso motivo de separação?
Que começaram a ver a vida com caminhos diferentes, e aparecem máquinas de lavar a roupa, que diz que não quer usar, porque gosta de cuidar das suas coisas assim, com tempo.
Seguiu, ouve esta história, de um casal que vive na montanha. Ele, passa os dias no campo e à noite traz de modo os vegetais. Ela fica em casa, vende no mercado ou aos vizinhos, põe o olho nas crianças. Só que um dia ele não pode ir porque tem o pé ferido. Ela embrulha o cabelo numa lipa, pega no cesto e segue para o arrozal.
Ao regressar a casa, na estrada, baixa-se para apanhar uma flor, frangipani, lágrima de um santo qualquer. Coloca-a no cabelo e volta.

2 bitaites:

mãenuela disse...

..."Ao regressar a casa, na estrada, baixa-se para apanhar uma flor, frangipani, lágrima de um santo qualquer. Coloca-a no cabelo e volta".
E desde esse momento, confortado com o delicado destino da sua lágrima, o santo deixou de chorar.
E os frangipani passaram a brotar das gotas de suor das mulheres que lavam a roupa à mão.

Carlos César Pacheco disse...

gosto muito deste conto

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