quarta-feira, 22 de julho de 2009

Segunda escala, em Frankfurt, passadas exactamente 48 horas de ter deixado Díli, e sem ainda ter chegado ao destino. Pudera! Parece que vou no sentido errado. Observo todo e qualquer um que passa e só me apetece saltar do banco num berro “PÁRA TUDO!! A partir de agora cada um fica no seu sítio, vamos lá parar de causar estragos mundo fora." Mas calo-me e planeio já a próxima viagem.
D’O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, para os amores platónicos e consequentes concretizações, descubro a pólvora aqui. É que isto de ir assim é ter o privilégio de sair da caverna que Platão alegorizou. E depois como se explica? Sombras de vida que vemos com sinais de fumo em forma de cifrão e valores deturpados para um sentido que se quer desumano. E o tempo sempre a passar.
Daí a ânsia constante na véspera de toda e qualquer viagem. Não tenho medo dos aviões. "Eu sou um solitário", tal como o tio guerrilheiro que morreu com um balázio das mílicias indonésias em Lospalos. Foram buscá-lo a meio da noite. Quando a aldeia ouvia o carro a aproximar-se, já sabia o que ia acontecer. Só não sabia a porta que seria aberta em cada noite. Escrevia em português na janela "Eu sou um solitário", e era de facto.
O que temo sempre antes de partir é saber que ao voltar nada mais será igual, como o par de dados que se baralha em palmas de mão fechadas em coração, dados atirados à mesa, certo que resultado incerto. Todas as referências são abaladas o que causa profunda estranheza no reencontro com o que é próximo. O que é próximo? "Sara, sabes, é que não se percebe totalmente essa forma de olhar." Pois sei, sim, see you.

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