quarta-feira, 22 de julho de 2009

Primeira escala. No bater do coração que abranda, sinto uma morte lenta que quero à força evitar. Afinal não é dos cheiros, não é do calor, porque aqui também há, e mais. Vamos jogar a um jogo: decido agora que este laço vem do hemisfério ou de outra decisão aleatória qualquer, imagino que a carta nunca chegou a ser aberta, e procuro conceptualizar o meu sorriso a outra latitude. Mas não basta.
Tento não parar a viagem, para não chorar, ao contrário do que esperava. Motivos mais altos de levantam, mas adio o táxi e sento-me ao calor. Resigno-me, aceno ao táxi mas não é assim que funciona aqui. E assim a torneira abre-se do céu roxo carregado que trago dentro dos meus olhos entrando em Singapura. Arrasto-me para a fila religiosamente organizada de espera de táxis. Entro, não regateio. Chego a casa de olheiras, olhos mais tristes, braços para baixo. Desculpem, mas poderão não falar comigo hoje? É que como reacção só poderei balbuciar uma nostalgia desmesurada que me enjoa e entristece, que as últimas três semanas foram só de violência emocional, os últimos dois meses foram de uma confusão brutal, e desconfio que na próxima semana vai chegar o desgaste final. E depois disso não prometo que fique, quero assumir aquela vida onde, dizem, faço parte de um documentário, sobre cores, cheiros, e quero sentir na pele uma textura que só esta pequena Leonor tem igual. E a surpresa do desconhecido que é não saber qual a língua em que dirá a primeira palavra.

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