quarta-feira, 22 de julho de 2009

Já no destino, que não é mais do que ponto de partida, folheio de trás para a frente ainda sem tempo de o pensar. O toque à janela quando menos era esperado, em noite de luar lulik, em forma de bela tal qual o acessório tradicional. O lábio inferior a tremer, a cabeça apontada para baixo, pousada nuns joelhos à frente, soluço que desagua em riso de lágrimas, ou vice versa, não percebi. Três noites num colchão na praia, como lençol só o manto de céu estrelado. Sala de partos, quase a desmaiar só de ouvir (ver não via que fechei os olhos com força), a futura mãe a arfar silenciosamente, a médica cubana de bisturi na mão "preparem-na! tem de ser cesariana! Sara, vamos lá?" Ai onde... E logo depois o funeral em Santa Cruz, missa cantada por baixo do Sol intenso, e pessoas espalhadas pelas campas. A síncope no coração ao avistar Timor aproximar-se do avião.
A maratona pelo aeroporto de Frankfurt, correndo desalmadamente em menos de 10 minutos o que no regresso demorei 45 a andar. Para não perder, não perder, chegar rápido lá, a Díli, onde deixo, mais uma vez, a pele e sensações que num clique se apagam e duvido que tenham mesmo acontecido. Voltarei, para verificar.

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