sexta-feira, 31 de julho de 2009

Foi ainda antes de sair mas já tinha largado grande parte. Fosse o caderno de um ano, com tudo tudo o que acontecia - um guia para memórias fracas - que acabou, e habituar-me à textura do novo papel. O telemóvel do qual tive de desistir quando se tornou uma vergonha ter chamadas a tratar de negócios - da vida! - perdidas na imensidão do que é estática e ruído.

Algures no tempo que por ali ia, veio ninho. Só meditação, que foram as duas semanas de escadote, esfregão da loiça (lixívia) e aspirador, na mão, e um prédio. E o que já sabia, que era partir quando, de ombros mais largos, já tudo tinha um sítio, o cheiro a verniz e um recanto que fosse - o reflexo de vidro irregular de antigo, na parede em frente caso esteja deitada.

A Violeta berra lá ao fundo do átrio que há-de ter espelhos "Tiia!", e eu fui porque ouvi, e, já agora, voltava a despedir-me. Que se passa Violeta? "O Baltazar mudou de casa contigo!", apontava para um topo recôndito, mas ele lá estava. E passados poucos dias eu estava no erli sun. Gosto de ir estando com as pessoas, uma por uma, a um ritmo que imponho na aparente indiferença.

O Baltazar é uma gaivota que aparece sempre, e que não ataca os sacos do lixo na beira da estrada que aguardam o camião que ao chegar faz sempre abanar o chão e as portadas da casa de Mouzinho da Silveira. O Baltazar observa, lá de cima, mas não tem intenções, não é gaivota com grito de morte, como as outras. Disse à Violeta que com o Baltazar não precisava de falar, nem quando estávamos sozinhos, mas que olhávamos sempre um pelo outro.

Com o Baltazar numa janela diferente agora, ainda penduro cortinas, ainda organizo a lista de contactos, e tento lidar com o facto de ter o mundo à distância de uma mensagem, ou através da lente que se chama Google, com quem andei a meter-me meses a fio, e agora levo com o que dizem que pedi - saturação - quando o que mereço e me protege, dizem, tem outro nome.

3 bitaites:

Joao disse...

...era como se entrasse num blog e descobrisse que afinal a beleza ainda existe... parabens pela qualidade e pureza da prosa... e da personagem.

mãenuela disse...

Wapiti story:

They have a "sixth sense" that is sensitive to human presence. They can vanish into aspen groves so thick one would think it impossible to enter the woods. They are driven by their survival. Today, elk do not wait for hunters to show up, rather they respond to upcoming hunting pressure 48 hours before opening day. Amazing.

It was not always this way. There was a time when they roamed freely in the open – for centuries elk lived out in the prairies and grazed on the rich grasses in large numbers. Today they hide out at the timberline until heavy snows force them down in the winter. The elk have changed to survive and human beings must too. The world we live in is an ever changing place. Adapt or pay the price. If this creature we call the elk can change, we can also. Why just survive when you have the opportunity to thrive!

Aestas disse...

"Gosto de ir estando com as pessoas, uma por uma".... e que falta que isso faz nestas correrias agastadas :)

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