1 bitaites quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

3 bitaites terça-feira, 23 de dezembro de 2008


0 bitaites domingo, 21 de dezembro de 2008

Ok, o acidente aconteceu, e voltei. Passado algum tempo, umas semanas, talvez uns meses, saiu-me um pedacinho de vidro de carro de um ouvido. Isso explicou porque às vezes sangrava por ali. Durante uns meses largos, sem explicação aparente para que acontecesse, um raio atingia a pequena rótula do dedo polegar da mão direita, provocando espasmos de dor lancinante que me imobilizavam. E depois, também sem motivo algum, a trovoada acabava. Esquizofrenia total.

Era tudo tão físico e real, mas, ao mesmo tempo, eu por vezes questionava-me quanto disso que eu sentia não viria só do meu estado de espírito, rebentado. Sempre assim com uma ocupação cerebral, julgo que um simples caso de disponibilidade emocional.

Depois decidi criar este blog, tirar os dentes e o parafuso, organizar as minhas ideias, e voltar a Timor, fechar um ciclo. Não imaginei na altura que, fechar este, abriria tantos mais.

Há seis meses dizia isto, ouvia isto, vezes sem conta
.

Entretanto, a escala que as coisas ganharam, e as proporções que as coisas vão tomando. Avançar com ideias que se distribuem por locais geagraficamente dispersos, coordenando um projecto, a partir de Portugal, onde são agora 23h de sábado, e ter de falar com pessoas que estão agora nos USA a almoçar, e com outras que estão em Timor, praia de domingo de manhãzinha. Ter agora de saber também que, se dos US não me responderam, é por causa do Thanks Giving, ou, de Timor, festejos da independência, lamentos da ocupação, do massacre. Ter vontades, projectos, sonhos, que nem sequer dão espaço ao pé de se queixar das dores nos ossos, do frio.

E vivo nestes dias uma realidade que, de virtual, se concretiza. Quando me cruzo com vidas que são a sério, e não só a ilusão do imaginado, letras e fotografias, e que representam ideias, não consigo deixar de pensar em alguma forma de as filtrar, tratar, digitalizar, e partilhar. É uma coladela que se multiplica convergindo naquilo que acredito ser o 7º sentido, uma qualquer extrapolação dos nossos dedos para as janelas do tecnológico.

4 bitaites terça-feira, 16 de dezembro de 2008


Ter o céu roxo colado à pele, nunca estes dedos gelados. Nunca o frio. Só nos momentos em que saio do mar, e por a água estar ainda mais quente que o ar que se cola, é que sinto um ligeiro arrepio. Por... Um segundo, vá!

Ouvir os espanta espíritos de bambú que fazem um tilintar, que nem se pode chamar assim porque esta palavra tem is a mais e ali o tom é outro. Mais grave e quente.

O cheiro doce no ar que são correntes de incensos que se cruzam com os cigarros kretek, e caril, quente, como a música dos espanta espíritos, dos templos hindús.

Sempre quentinha, sempre com panos, tecidos, lenços, écharpes, tapada.

Em Ubud, sozinha, acabo de conseguir trocar a viagem em cima da hora. De repente não estou em casa amanhã, mas volto sim, só que daqui a 5 semanas. Até lá, não sei. Passeio no mercado, recuso um frangipani de pôr no cabelo por 1$, páro em frente a esta senhora cujos dentes estavam da cor das sementes, e até é raro por aqueles lados. Penso o que pensará ela de mim, e o que terá dado na cabeça do outro para me pedir tantos milhares de rupias por um frangipani, e como isso seria impossível naquele momento, porque acabo de vir do banco onde levantei dois milhões e meio que estão todos num só maço, no meu colo, quando reparo já estou dentro de um labirinto e decidi que dali não saio enquanto não passar por todos os possíveis corredores antros de cor viva vestidos com todos os tecidos.

Meu dito meu feito e saio dali para fora, pela rua encontro a tasca open-space do leitão na brasa que é esquartejado à nossa frente, sento-me no chão, numa mesa de 4, o sítio está a abarrotar. Junta-se um casal, que, de serem europeus, não falam, eu na minha como a marmita saborosa, cominhos, cravinho, e de repente, PUM, cai-me no braço, cortante, peso pesado. Olho para o lado, mantenho a calma, no braço já não está. No chão, ao meu lado, uma iguana de 40 centímetros, verde fluorescente e estrábica.

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Canto de Ossanha - Maria João

Acompanhar o passo, que é estar assim no vai-não-vai de quem quer entrar nos carrinhos de choque, que é estar a dar saltinhos em falso na berma de piscina, que é estar a ver uma coreografia de fora e querer entrar na dança. Querer, mas ficar com um abacate no estômago, voyeurimo desta janela, que já não mostra o que se sabia, porque as coisas tomaram proporções diferentes.

Ó menina, que homem que escreve assim não se pode descurar! E isso de juntar facas e peito na mesma frase, é porque o caldo já está entornado!...

Brrr são caixas que se multiplicam enquanto os cenários se trocam, olho uma parede branca, e sai, em tremor, "ESTOU A DEMORAR MUITO TEMPO". Tento desenhar os limites exactos para que os galhos não se confudam, da árvore dos macacos. Luto uma luta constante de interesses caoticamente diversos por motivos diferentes em determinadas acções.

Ó menina, que o casamento não vem das letras! Posso querer porque canta assim, para ser porque escreve assim. Porque pinta assim. Porque toca assim. (E entretanto vou ficando para tia.)

Tenho a certeza que vivendo assim neste limbo a coisa há-de resvalar, dentro ou fora do carrinho de choque, dentro ou fora das águas azuis, dentro ou fora da pista de dança. Quando atingir o insuportável, vou manter o passo. Acompanhar o passo. Ei, eu quero entrar, estás a ouvir? Eu quero.

3 bitaites sábado, 13 de dezembro de 2008

Era uma vez um menino que se chamava Melchior.
Este menino tinha um amigo de quem gostava muito e que estava sempre com ele. Ao colo, era o galo. Manu era o nome do galo.

Como ele gostava muito de cantar, eram os amigo perfeitos e passavam todo o tempo do mundo juntos. Se ele acordava de manhã, levava o Manu e pousava-o no lavatório, enquanto lavava os dentes. Ao pequeno almoço, o galo ficava ao lado a comer os grãos de milho, impecável. Passeavam, com uma cordinha na pata porque o Melchior não queria o Manu longe dele.

Chegou um dia em que o Melchior teve de ir para a escola, e, claro, o que achou mais natural, foi levar o Manu com ele, porque andavam sempre juntos. Na sala de aulas, a professora não reparou no galo porque o Melchior foi assim discreto, disfarçar para uma mesa, onde se sentou e que era longe da mesa da professora. Até que a meio da aula, COCOIOCOCO, o Manu cantou muito alto, e ainda para mais não sabia dizer o R de Cocorococó, que é igual ao R e de Sara, saia, ra, ra, ra. Dizia que queria era ir passear pela cidade com o Melchior (melchioi). Ali era uma seca. Mas a professora nem entendeu nada disso, só ouviu o que considerou um berro e que deixou todos os meninos a rir. Furiosa disse "olha Melchior, isto assim não pode ser! onde é que já se viu trazer um galo para a escola que canta assim e os meninos já não pensam mais neste números e letras que escrevo no meu quadro?"

E depois eles foram embora, muito tristes, um ao colo do outro (já não me lembro quem era...), a pensar como é que se ia resolver aquela história toda. Até que o menino se lembrou de uma solução que era fingir que nada tinha acontecido, para os pais não se chatearem, e no dia seguinte levar o Manu na mesma, mas dentro da mochila. Nessa noite dormiram bem, na mesma cama, o Melchior pousava o braço sobre o Manu, sempre impecável, branco e de crista vermelha.

E no dia seguinte, meu-dito-meu-feito. Escova de dentes, cereais (se calhar foi ao contrário), e siga para as aulas com o Manu na mochila. Só que o problema foi que estava outra vez a professora a fazer sozinha desenhos no quadro e mais ninguém podia falar, e aquilo voltou a acontecer, de repente, outra vez COOOOOCOIOCOCO. Ui ela ficou furiosa, saía-lhe fumo pelas orelhas, e a cara, de vermelha, era igualzinha a um tomate ou um morango ou uma cereja grande.

E pronto, foi assim. Já se sabe, raspanete, não pode ser. Ele em casa contou o problema aos pais que lhe explicaram como há um tempo para tudo, e a partir de então passaram a encontrar-se desde o final das aulas até de manhãzinha. Decidiram aproveitar melhor o tempo, e passaram a dedicar uma hora por dia juntos a treinar as músicas que mais gostam. E a verdade é que, depois de tanto treinar (todos os dias, ao pôr do sol), amanhã, vão dar o primeiro espectáculo juntos!, num palco, com imensas pessoas lá em baixo a ver e a ouvir, e que vão ter de ficar caladinhas e bater palmas do final.

(Começo a pensar que tenho um problema grave em pôr um fim em algumas histórias, mas ele, eventualmente, acaba por aparecer. A Violeta percebe e faz-lhe sentido que acabe assim... A ver como corre a "primeira performance pública", como o pai, carinhosamente, gosta de anunciar.)

0 bitaites segunda-feira, 8 de dezembro de 2008


One Love - Sara Tavares

7 bitaites domingo, 7 de dezembro de 2008

The results of the giveaway contest are out!

(Ohh if only I could write this in Portuguese there would be so many sharp adjectives to fluently use!...)

I feel such a huge thrill that I cannot stay in bed for one minute. So I really need to write this as a way to bring all my guts out (hmmmm maybe this doesn’t sound good in English - translating by word - but I hope you get the idea…). I have to explain to you, Liz, the meaning of the choice you have made.

I have just had a really depressive, woman-in-a-bad-day, greyish, cold Saturday. Feeling homesick from my other home, East Timor: I am back in Portugal since September. There, I can feel a warm life going through my veins, feeling sure, all the time, about the following dogmas: perseverance, truth, and will.

So today I was hiding under this low vibe umbrella… Two good friends came by for dinner, and as soon as I opened the door, both of them said: “what’s the matter? I hadn’t seen you with that look on your face since those days before you knew you would go back to Timor, in March…” The truth is that what I have been going through since I am back home is standing in a limbo between “I really want to do this” and “it is so hard, I am going to give up the dream for a more conventional future for myself”.

In order to make myself clearer (I hope!), let me go back to that period when I went for the first time to Timor, in March 2007. It was a short experience, because, after almost two months of teaching Artificial Intelligence and Internet Technology at the National University, I had a terrible car accident in the mountains. (You can check some breathtaking pictures about this in here .) The year that followed the accident, for me was a confusing blur of injustice, pain and will. I was evacuated back home in a drastic way when I was starting to develop a giant crush by that land, Timor. Leaving at that time was somewhat similar to abandoning an unresolved issue. I have also had my share of wheel chairs, which made me totally sympathetic with that cause (in Timor and Portugal the infrastructures accessibility for disabled people are a shame…). That unfortunate event taught me a lot about life goals and missions.

I broke
something
today,
and I realized
I should break
something
once a week...
to remind me how
fragile
life
is.
Andy Warhol
Therefore, after a hard self-confrontation period, and only in the moment I felt ready to go back (after 3 surgeries, long physiotherapy sessions and an unexplained “have-to” will), I simply did not hesitate. I packed for a new journey.

In my experience in Timor this year I have learnt several valuable lessons… Not only related with my job as a teacher, but especially about social issues, cultural differences, information gaps. Many times the question “but what do people really need?” has travelled my thoughts. The fact that I also learnt how to speak the local language enabled me to have direct contact with a reality that goes far beyond the one that we, westerners, are used to.

So now I have chosen as a cause to offer all my possible efforts to the digital divide problematic, and I want to relate digital exclusion issues with social entrepreneurship answers, specifically in Timor, for now.

Today, even though I was feeling so sad, I accepted my friends’ invitation to go out. We ended up singing Pixies Hey song under the cold December rain: “been trying to meet you, uh uuuuh”.

When I arrived home, almost dawn, and checked my inbox (geeky girls don’t go to bed before checking email…), I found out about your choice, your decision.

And from all this, once again I have learnt: it doesn’t matter how grey your day has been. What matters is that you carry with yourself the strength to sing really loud the things you truly believe in. And have faith in it, because if you do believe, then it will all turn into reality.

It is almost 8 a.m. now. I can finally go to bed with a big smile on my face. Thank you Liz.

5 bitaites quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Liz, and all,

I want you to have an idea of the very little that people in Timor have so that you can appreciate the very much that your laptops would bring to young women there.

I took the following photos when I was teaching Computer Engineerig in Dili from March to August this year. On the first one you see me with a good friend's familly (wonderful people!) and on another one, you see the interior of their house. So this is a 'privileged ' Dili's citizen (one with access to the University) familly house, in the mountains. At night the family gathers around the old radio to hear the news. Cost of the Internet is 3.000 USD a month for a 256 kbps connection.



As you can see, your laptops would truly make a difference for young women in Dili, Timor!

[Me teaching girls at the National University]

6 bitaites terça-feira, 2 de dezembro de 2008

PROCURA-SE
homem da bricolage para tapar os buracos nas minhas janelas.

 

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