9 bitaites terça-feira, 25 de novembro de 2008

2 bitaites segunda-feira, 24 de novembro de 2008

"Quando queremos muito uma coisa, arriscamo-nos a consegui-la", repetia não demasiadas vezes, e só em situações cruciais.
Foi o meu primeiro chefe, num primeiro emprego que eu queria muito. Não estava completamente certa, na altura em que me candidatei, de estar à altura daquilo que a empresa procurava num gestor de projectos.

Às vezes, deixava-me nervosa, com aquela pica que talvez até faça corar um pouco, e pensar que vou conseguir, vou ter de conseguir. Fazia-me duvidar. No bom sentido! (na direcção de quem encontra as respostas). Privilegiava a assertividade. Ensinou-me muito, não só nas duas semanas iniciais de formação intensiva, oito horas por dia fechados numa sala de reuniões. Injecção de conhecimento, lavagem cerebral de posturas, atitudes, palavras. Ensinava sempre, com calma, virava as arestas do projecto para a incidencia da luz certa, clarificava, confiava, acalmava. Ensinou-me a vida em metáforas de gestão.

"Quando queremos muito uma coisa arriscamo-nos a consegui-la."
O respeito que lhe tinha. Talvez por ser músico também. E pai. E excelente profissionalmente, não só aos meus olhos.
"Sara, é o Tinoco?", já sabiam, e perguntavam, se ao Sábado de manhã, eu com cara de nó na garganta, recebia aquela mensagem com os valores semanais de controlo de gestão. E o maior sorriso do mundo: "espectacular, conseguimos bater o record!"

"Quando queremos muito uma coisa arriscamo-nos a consegui-la."
Olhei-o como um laço. Não sabia como lhe dizer quando decidi ir para Timor. Demorei duas semanas a tomar coragem, e fui de mãos frias e suadas: "é isto que eu quero fazer agora". Parecia que estava a dizer ao meu pai que ia ser avô, ao que ele me respondeu que se é isso o que quero, "vamos preparar a passagem de pasta."

1 bitaites quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Foi mesmo cómico de manhãzinha.
Ainda o Sol não tinha nascido mas já deixava, lá ao fundo, longe, sombras de pássaros grandes, pretos, muito longe, muitos!, em bando de emigração, sobre uma linha ténue de horizonte, que drasticamente passava do negro da noite para um rosa que lhe ficava suave.

A dormir em pé, enquanto conduzo, vejo já que a poeira no vidro da frente está prestes a espelhar os primeiros raios de Sol, que cegam.
E então parei na bomba da circunvalação, dirigi-me à água, sem ver que a mangueira não estava colocada, rodei a torneira, molhei pés e calças. E meias. Com frio e sono, com vontade de mais conforto.

O senhor de uniforme - baixo, 50, bigode - veio avisar que a mangueira estava fora do sítio, quando já estava eu ali em pé, ao lado do carro, eu de braços caídos, a olhar para a injustiça que me humedecia os tornozelos. Ele viu, e eu e sei que fez aquele risinho interior que não sei descrever por palavras. E então ligou a mangueira à torneira, e eu apontei-lhe para os óculos.

E depois já não quis voltar à cama, tomei um grande pequeno almoço na Praça Velasquez e fui fazendo a minha vida.

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Conheci em tempos uma pessoa, sem a conhecer bem.
Bem como àquilo a que estamos habituados! E que falava muito sem parar dizia tudo em camadas confusas, em nuvens de relâmpago, em vertigens de inquidetude, em náuseas do desregrado. E desse tudo muito que deixou - e foi, de facto, muito! - descobri uma fenómeno que me intriga: não há uma coisa que tenha dito que eu consiga reproduzir.

É como fazer uma pesquisa no gmail e não conseguir descobrir a palavra que se achava dita, porque sempre outra foi usada no seu lugar! Tipo ficheiros secretos.

Curiosamente, o seguinte texto que aqui deixo, é de autor que desconheço. (Outra variante, de coisas que faltam.) E no texto dele, contou-me o meu tio, falta também uma coisa, em abundância. Guess what?

Sem nenhum tropeço posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo isso permitindo mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter com impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, mesmo sendo como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr inibido pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.
Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o 'E' ou sem o 'I' ou sem o 'O' e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo sem o 'P', 'R' ou 'F', o que quiser escolher, podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?
Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.

0 bitaites segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Opções, Vontades
Não sei agora se foi no metro de Madrid, no dia anterior, ou se estava já no avião de regresso a Portugal, sozinha. Vi-as ficar para trás, no aeroporto, e curiosamente fui eu só quem correu e conseguiu partir, de bengala na mão, pé dorido frio, e aquela pele colada de um sono demasiado curto após reveillon. Era o 1º dia de 2008. Foi numa dessas duas situações que escrevi a lista de objectivos para o ano, eram 12, dos quais 2 demasiado utópicos e que não dependem de mim, 1 que troquei por outro que entretanto se tornou melhor, 1 que desisti de conseguir (era juntar dinheiro... mas a crise...), 1 que ainda não consegui, e os outros 8 estão feitos.

Prioridades, Objectivos
É que é obsessivo, de doente, por me parecer a mim - aos outros! - o que uma pessoa é capaz de reflectir no tom de voz, quando perdeu o rumo. Ou encaminhou-se! Mas para bem longe de tudo aquilo que passa pelas mãos dos outros. É ter de, ter que, dizer aquilo assim e pronto. Que pareçam loucos descompensados.

Causas, Percursos
A minha vida é o surf. Sou um geek with a heart. Faço tudo pela protecção dos animais. Recuso-me a usar derivados do petróleo. A minha vida é jogar na bolsa. Não fumo antes das 17h. Leio todos os livros do Gabriel Garcia Marquez. Sempre e só. O Open Source é o meu coração. Só descansarei quando houver um ecoponto no meu bairro. Tenho todo o merchandising da Guerra das Estrelas. Vivo para o traçadinho do final do dia ali no café. Que acabe a violência contra as mulheres! (lindo...) Vou saber todas as línguas! O que procuro é uma mulher asiática, um varanda sobre o mar, o pôr do sol perfeito, o monstro de Lochness, um modelo de carro antigo, reproduzir o som dos pássaros. Não como cebola. Nem alho.

Estados de Espírito
Desenho uma estratégia em estratagemas esquemáticos de labirintos. É o que acontece quando não sabemos o rumo, sabemos o fim. Enfeito de uma forma tão minha aquilo que mais ninguém veria assim. Sei, sei das manobras de diversão e divagações, dos pontos de fuga e conspirações.

 

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