1 bitaites domingo, 28 de setembro de 2008

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«Tengo que contarte esta historia en español. Es una historia turca, muy corta, en menos de un minuto vas a saberla.

Un hombre en la aldea donde vive se queda a la puerta de la mujer que ama. De lo otro lado, se pregunta "¿quién es?" y él respondió "soy yo". Entonces ella le dice para ir a la montaña por un año y luego regresar.


Un año después, él regresa. Golpes en la puerta y le preguntan "¿Quién es?". Él responde "Eres tú".»

2 bitaites sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Festa do AdianteFeira dos usados do Grande Porto (metro do Marquês e Faria Guimarães)

VISITEM O BLOG
http://feira-do-adiante.blogspot.com

Rua do Bonjardim nº 1176
Sábado, dia 27 Setembro. Das 16:00 ás 20:00 e das 22:00 ás 24:00.
Domingo, dia 28 Setembro. Das 16:00 ás 20:00.

Esta feira dos usados, a FESTA DO ADIANTE, visa dar novas residências, renovados significados e principalmente novos companheiros às coisa que ocupam espaço e não são usadas. Com isto podem-se fazer uns trocos.Estas coisas são por exemplo objectos esquecidos, livros, cds de música, objectos de decoração, coleccionáveis e roupa.

Vem juntar-te a nós através desta troca ousada! Estamos à tua espera.Traz amigos também!

0 bitaites quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Estou outra vez dentro de um barco, ferry, velho, ferrugento.
Estou deitada num banco corrido cujo estofo plastificado sucumbiu à evidência da sua idade.
Estou a escrever uma carta de amor em tétum. Quero ser como o do Amor em Tempos de Cólera e escrever histórias assim. Aceitam-se encomendas. Estou desempregada.
O banco corrido é curto demais para estar deitada, então sorrateiramente ponho o meu pezinho no banco do senhor do lado (não deve ser muçulmano porque estamos no Ramadão, é de dia e ele está a fumar um cigarro kretek com cheiro intenso a cravinho).
Estou a trincar a tampa da caneta – há’u nia laran monu ba ó – a olhar o infinito por estar a ouvir aquela música.

O infinito do horizonte entre Bali e Lombok, um dos estreitos mais profundos e perigosos do mundo, é intersectado por duas figuras que não deviam ali estar. Muito altos, morenos, cabelo comprido com um je ne sais quoi de explorador, grandes, ombros largos. Cabelo grisalho. Sardas. Trazem um remo na mão.

O infinito do meu iPod é intersectado por um idioma que não devia ali estar. Falam francês, só podem ser do Tahiti que os franceses não são assim. Ilha da Páscoa? Lá falam francês? Bem, certamente de alguma ilha exótica do Pacífico porque destas figuras não há para os meus lados. “Excuxe me, are you from Tahiti?”.

“No, I’m not. What about you?”
“Portugal.”
“Garota portuguesaaa! Eu nássi em Isspanha. E vô aprôveitá qui você aqui está fazendo essa linda viagem comigo para partilhar consigo um sonho que tenho. Talvez você ache que é utópico, mas é um sonho que eu tenho e espero poder concretizar um dia. Que é assim: um dia eu vou conseguir juntar tooooodos os passaportes espanhóis e fazer uma grande montanha com eles. Depois vou pegar em toooodas as bandeiras, e fazer um grande monte de bandeiras amarelas e vermelhas. Ao mesmo tempo vou reunir também toooodos os passaportes portugueses e fazer outra montanha, e outra com as bandeiras de Portugal. Depois, pego num fósforo e atiro. Quando tudo for cinzas, eu, Victor Vidal, serei o Primeiro Presidente da Nova Nação de nome Ibéria.”

Assim, sem mais nem menos. Eu já não ouvia português há uns tempos. E do meio do nada, o gajo de aspecto excêntrico que interrompera o trincar da minha caneta, transformou o meu ar céptico, de quem viaja sozinha, e fez-me rir até doer os maxilares. Não me queria acreditar no que acabara de ouvir.

Disse-lhe que não me parecia bem. Então e o fado, e o hino, e a história… e a língua…
Ao que ele responde “não tem mal… faz assim, se quer ir comprar sapatos só tem de dizer Yo quero comprar uns sssssapatos. É o portunhol. Uma palavra de cada língua. Mas quando você quer dizer sapatos, tem de dizer o ss como os espanhóis. Porque isso é o que os espanhóis têm de bom.”

E continua…

“Eu estou muito deprimido. Você deve ter reparado que estou viajando num ferry com um remo na mão. A polícia não me deixou atravessar numa canoa e esse era um grande objectivo meu, fazer um filme com o meu amigo sobre esta travessia mítica. Estou cansado, mas antes de dormir, vou-te contar três histórias….”

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Finalmente sentei-me e comi um iogurte.
Passadas duas semanas de Porto. Exactamente um mês depois de deixar Timor e partir para a Indonésia. Com tantas histórias para contar dessa viagem roots sobre montanhas (das a sério ou figuradas) e uma mão de pessoas autênticas.

Não há nada como poder comer um iogurte natural açucarado com pepitas de straciatella enquanto lembro coisas com um grande sorriso. E poder dizer bem alto "eu fiz isto!! eu fiz isto!", "eu estive ali!", "ele disse-me assim...".

Uma das histórias mais surreais que posso lembrar assim, sem ter a certeza que foi mesmo, aconteceu num ferry público que liga Lombok a Bali. Outro barco depois de muitos dias de muitos barcos. Com a cabeça na almofada à noite a balouçar. E este barco atravessava um dos estreitos mais profundos e perigosos do mundo.

A meio da viagem, de repente, em poucos segundos, o barco imponente deu uma volta de 180 graus. Da mesma forma que os barcos podem fazer um pião no mar alto, também pessoas como o excêntrico Victor Vidal, ou Django, podem aparecer.

Foi ele que ao longo das 6 horas de viagem (com intervalo de três horas de sono porque o coração lhe doía por a polícia não o ter deixado atravessar o estreito num barco a remos), me contou três histórias, duas frases, um sonho utópico. A meia lição, estonteante.

Acabo de encontrar este post sobre o personagem. Eu também tenho muito mais a dizer por ele.

E este post apesar de ter começado em tom de "então vamos lá fazer um overview desta temporada away", significa outras coisas. Que a vida continua bem, tal como foi antes.

1 bitaites domingo, 21 de setembro de 2008

Preciso de fotografar o que é o reflexo de uma grade trabalhada num vidro fosco de portada antiga do prédio de Mouzinho da Silveira. Mas não tenho máquina portanto faço-o com palavras.

E os recortes no limite da paisagem, que é o céu, porque estou alta, multiplicam-se em formas, curvas, relógios, cúpulas vítreas, sinos, rosas do vento, cruzes, o Norte.

A chuva vertical, não oblíqua, simplesmente deixa cair o seu peso frio de lágrimas atravessadas por raios de Sol. Todos batem nas pedras da calçada.

0 bitaites quarta-feira, 17 de setembro de 2008


3 bitaites terça-feira, 16 de setembro de 2008

Não é que essas diferenças me sejam indiferentes. Não! De todo! … Mas penso que simplesmente aprendi a aceitar, a não julgar por ser mais fácil.
Contaram-me a seguinte história, sucinta, passada numa tribo amazónica: um homem está sentado numa cadeira sobre um tapete e uma mulher, sentada no chão, perto dele, lava-lhe os pés com dedicação.
Aos ocidentais presentes é pedido que comentem tal cenário. Para todos a descriminação da mulher é facto assente. Qual a surpresa quando nos é desvendado que naquela tribo nada de mais sagrado há do que a terra. Só as mulheres estão autorizadas a tocá-la. Os homens, para terem permissão, precisam da bênção delas.
Por isto não julgo.

Viajei do leste do oriente animista, passei pelo mix católico esotérico, fui-me aproximando de uma vertente mais ortodoxa, daí foi um salto para o islamismo. Com alívio, no final, o jeito relaxado dos hindus, com o seu cuidar das flores e oferendas. E depois, aqui, o ateísmo convicto, lê-se nos olhos a descrença.

Em Bali, não critico as loiras em topless nem as gordas em fio dental. Só fico chocada porque vim de onde o banho em público no feminino é feito em calções até ao joelho e t-shirt sem decote. Também não critico os risos histéricos dos japoneses quando posam teatralmente para as mil e uma fotos de grupo na praia. Nem a conversa dos surfistas da praia de Kuta.
Em Lombok, não critico os casais gay. Até os admiro. Também não critico os risos sem respeito de quem lhes vende abrigo.
Nos aeroportos, não julgo os chinocas stressados que me ultrapassam descarada e violentamente nas filas de aeroporto. Na terra deles devem ter sido obrigados a desenvolver esse instinto animal.
Cantores pop indonésios a dançar como o Michael Jackson.

A leveza com que se circunscreve o mundo inteiro em curtas semanas passando pelas culturas como por corredores de supermercado. E das prateleiras só os preços se decora. Não critico, mas não quero isso para mim.
Não julgo quem dá e espera reconhecimento.
Não critico a ganância, a preguiça, a má disposição, a mentira. Mas dou de mim tudo quando recebo o oposto.
Há espaço para todos aqui.

5 bitaites quarta-feira, 3 de setembro de 2008



Cheguei a Moni ao final da tarde. Do meu bungalow virado para a montanha inspiro proteccao. Montanha e Paz. Foho no Dame. Cansada da viagem de barco, 17 horas no esterco, exausta ainda pelos ultimos dias em Timor. As 4h30 da manha o ojek (motorista de moto) esperaria-me em frente ao bungalow, para me levar a subir o Kelimutu com o intuito de ver la o Sol nascer.

As 4h30 da manha desco do quarto, esta la o ojek. Aparece o Heru, com cara de pai para cima de mim. Marca presenca, faz olhar protector. Pede-me o numero de telefone. Olha mais uma vez para o ojek e diz-me em bahasa indonesia ate ja, em ingles que lhe telefone se precisar de alguma coisa.

Conheci-o na noite anterior no restaurante ali ao lado. Nao havia electricidade, o gerador nao estava a funcionar. O pequeno bungalow de montanha parecia idilico a luz de 3 ou 4 velas, e uma mesa corrida. Sentei-me ao lado do grupo dele: a mulher e a filha. So ele eh que falava ingles e parece-me que ficou todo comovido com a minha viagem. Um homem bom, bonito, com presenca, olhar directo. No dia seguinte, quando voltei do Kelimutu, ofereceu-me boleia ate Ende, tratou do meu transporte ate Bajawa, ofereceu-me cha de gengibre.

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Tem-me aparecido as pessoas mais incriveis nesta viagem. Em cada ponto de descanso, se comeco a ansiar pela minha solidao, ou por isto ou aquilo, aparece sempre uma pessoa boa. Sem eu procurar! A pessoa boa ajuda-me, mesmo que eu nao precise. Leva-me, liga-me a quem preciso, alimenta-me, protege-me. Sei que a pessoa eh boa porque da para ver no olhar dela. E porque sempre me oferece comida.

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Os mentos de morangos sao sempre maravilhosos. Na praia tropical, em frente a lareira, numa montanha enregelada, em viagem solitaria, rodeada de amigos, a ouvir musica ou na igreja. Abro uma embalagem e como-a compulsivamente sem oferecer.

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Geologicamente falando, a ilha das Flores eh uma sucessiva sobreposicao de planos incriveis de montanhas vulcanicas, densamente cobertas por uma vegetacao que transborda vida verde. Biologicamente falando eh um museu vivo de frutas e madeira, embora nao tenha visto de memoravel aquilo que justifica tal nome de baptismo.

A ilha eh linda e grande. A ilha era dos portugueses, mas os portugueses ofereceram-na aos holandeses, em troca do mini-distrito de Liquica (Maubara) em Timor Leste. Tenho pensado muito nisto. Porque raio eh que terao trocado uma ilha inteira cheia de riquezas como esta, por mais um bocadinho de Timor?

Cheguei a conclusao que eu tambem ja fiz o mesmo, ao trocar a possibilidade do meu mes e tal de ferias a explorar a Indonesia por mais uns dias em Timor, e depois so duas semanas para esta viagem. Sao opcoes que nao se justificam e so se sentem. De coisas mais praticas, falarei ao vivo.

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Ainda na demanda do tasi mane, fiz-me a estrada na biskota Dili-Maliana. Terca feira as 6 da manha. Era para ter saido na Segunda, mas a noite de Domingo foi demasiada em divagacoes e nao acordei depois. Em Maliana tinha ficado de ligar ao Pedro Laranjeira, ex-aluno UNTL/FUP, uma pessoa boa, engracada, sorriso aberto, olhar cativante, bigode, pai de quase 2, com quem ja troquei boas e algumas conversas. O telemovel esta desligado. Vou ou nao vou para Bobonaro? Ele disse que estaria por la a fazer o projecto de medicao florestal com a cooperacao Portuguesa (dar-lhe-a passaporte para portugal daqui a pouco tempo). Esta indecisao nem chegou a ser porque os colegas da biskota ja me tinham enfiado na outra com aquele destino, onde o pessoal estava animado, mesmo apesar dos sacos de arroz serem mais que muitos. Nao sabem que os percebo e mandam bitaites "porque eh que ela pode trazer esta mochila enorme ca dentro e as minhas coisas estao em cima do tecto?". Fecho o bico e rio-me por dentro.

Bobonaro, o fim do mundo, nao so por ser longe de tudo, isolado, mas porque tem aquele aspecto de que o mundo ali ja acabou e o que sobra sao so as ruinas de tudo escavacado, desleixado, incendiado, abandonado. Ai meu deus onde me vim meter levem-me a policia. Na policia descubro o acampamento. Descubro tambem que ao contrario do que pensava nao so la esta o Pedro e o Marco (coordenador portugues, recem-caloiro em Timor), mas tambem 15 outros agrarios timorenses. Tasse bem, uma tenda para mim, outras duas para voces. Entre o passeio as termas, o jantar partilhado de marmita, o desfazer do acampamento na manha seguinte, ouco-os a discutir muito, mas nao percebo nada. "Pedro, hau la hatene... Bele explica mai hau?", "Depois explico professora." Entro na pickup ao lado dele, os outros marmanjos todos atras, na caixa aberta, coordenador inclusive:

"Eh que nos queremos leva-la ao tasi mane, e pensavamos que o coordenador hoje nao vinha para o campo conosco. Mas ele afinal veio e nao conseguimos assim fazer o desvio de 4h as escondidas dele! Estamos a tentar arranjar uma forma..."

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No momento em que o barco deu o primeiro sinal de arranque, tudo o que me estah dentro se apertou, como se enxagua uma toalha. Custa-me, que hei-de fazer?, custa-me largar esta ilha. Pensei que por terra e mar fosse mais facil do que larga-la de aviao, sem olhar para tras (e para os lados so vejo asas, calham-me sempre esses lugares). Mas mesmo assim custou, a toalha apertou, vejo agua a sair, deito-me no chao sobre o tais que estendi.
O telefone tocou, aquela voz que me eh tao familiar a outras rotacoes, tao distante para estes assuntos. "Mana, ro sa'e ona ka?". Sim, acertaste, o barco acaba de sair. Desta vez nao volto atras. Levanto-me ate a varanda, para verificar que estou no ir. Espreito o tilintar do mar de agua cristalina, sinto-me tentada a saltar. A toalha do meu dentro aperta, aperta.

Sao hobbies do coracao, os que eu invento, naqueles tempos mortos em que ate o ponteiro das horas ouco. Escolho vestir os headphones de alguma fantasia distante, inalcancavel, e ouvir, ate la chegar, a sincope platonica das minhas emocoes.

Estou num barco grande, ferrugento. Os pneus que o corpo ostenta lateralmente de derretidos, desconfio que ja passaram por um incendio. Dos cerca de 300 passageiros, diria que 250 sao muculmanos. Da multidao de tripulantes, sou o unico branco. A unica branca. Assim que me vi neste cenario, vesti as calcas, despi a saia, vesti a tunica por cima da tshirt, cobri o pescoco com outro tais. Ainda assim, os pes, as maos, a cara, o cabelo, mostram-me exotica aqueles olhos. Para me esconder mais, visto os tais headphones, e este caderno. Deitada no chao asqueroso, como os outros, mostro a minha "cara salgada" de ma (por oposicao a cara doce). Tambem eu trouxe a minha marmita de arroz embrulhada em papel castanho tipo encomenda, e como com as maos (isto eh um toque pessoal, porque me esqueci de trazer talheres). Desde o ataque de riso contagioso do pai da Zulmira que nao aguentou o meu exotismo na mesa (que eu como com a boca fechada e devagar, como uma boneca...), nestas situacoes de choque cultutal, tento ser o mais javardolas possivel. Mas so sujo quatro dedos de cada mao. O mindinho instintivamente ficar ao ar tipo bandeira.

Montes de bebes em cuecas, esteiras, colchoes, lipas, espalhadas pelo chao, mesmo debaixo dos bancos cor de laranja distribuidos simetricamente. Sao iguais aos dos antigos STCP.

 

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