0 bitaites quinta-feira, 31 de janeiro de 2008


Oliver Twist, Charles Dickens

0 bitaites terça-feira, 29 de janeiro de 2008

do que ouvir pessoas a comer maçãs e/ou bananas.

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Espreitem-no!
(e o original, que se não fosse tão grave, até tinha piada).

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Lembro-me não do respirar, mas de ouvir o respirar ao teu ouvido, como se estivesse a respirar para dentro do copo do qual bebo. Ecoante, qual ponteiro de relógio parado. Gosto de casas com relógios parados.

Um suspiro que se esgota de paixão inesgotável ao compasso do tempo que passa incessante.

Crio um monumento ao tempo
Prendo-lhe os ponteiros
Como o relógio
Da rotunda
Na cidade
Cujos ponteiros para além de parados, também recuam ao avesso.

Citavas Nietzsche, que "quando se ama o abismo é preciso ter asas", e dizias mergulha, mergulha, mas depois o tanque estava vazio. Surgiu a exteriorização de uma necessidade puramente egoísta de desmoronar a possibilidade dessa vida para além de mim, que me ultrapassa e mata. Disse porque me apeteceu fazer. Quis tocar o que nunca tinha visto (as pessoas não calam o que se faz diferente).
(arte mais arte, só)
Não poderei explicar coisas que ainda não foram explicadas, porque como é que eu hei-de explicar esse predicado do pensamento que é a capacidade de se dar?

E vi então que alguns vivem em ruas a direito, e outros há que vivem em ruas de linhas tortas, sinuosas.
E deixei de sonhar para passar a acreditar nas coisas.

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Time is short
For the weasel, time is a weasel
For the hero, time is heroic
For a whore, time is just another dread.
If you're gentle, time is gentle
If you're in a hurry, time flies
Time is a servant if you are his master
Time is a master if your are it's dog
We are the creators of time,
the victims of time
and the killers of time.
Time is timeless
you are the clock.
Wim Wenders

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use me or lose me.

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- Um dia um monge foi visitar um mestre e disse-lhe: "Vim sem trazer nada."
Sabes o que é que o mestre lhe respondeu? "Então pouse-o."
- Mas ele não tinha nada.
- Tinha sim. Não trazer nada é ter a ideia de que se podia trazer qualquer coisa. O monge não percebeu. Zangou-se. Então calmamente, o mestre disse: "Por favor, pegue nisso e volte para casa." Pousa o teu nada de hoje, Théo, porque não perdeste nada. A Viagem de Théo, Catherine Clément
A Viagem de Théo, Catherine Clément

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"Era como se desfocasse os olhos", disse e continuou. Em mim qual revelação do silêncio em surdina no vácuo. Que a vida não é bem recebida no deserto de Atacama. É lentamente absorvida pela morte imensa que a rodeia. No cimo da desmesurada duna de areia, à luz do luar pleno, nem é urgente fechar os olhos para ouvir o silêncio ao ritmo do coração. Sentir-se-á doutra forma, e apesar do sorriso, da harmonia invasora, a esterilidade grita ao ouvido o berro ausente, o silêncio de morte, espesso de vida, opaco e denso o ar que respiro.

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in girum imus nocte et consumimur igni
[rodamos na noite e somos consumidos pelo fogo]
Sabia por experiência que tudo lhe deixava marcas, que na sua memória cada acontecimento punha uma nódoa e que por vezes passava muito tempo antes de se dar conta que um episódio o tinha marcado profundamente era como se a recordação tivesse congelado em qualquer sítio e de repente por algum mecanismo de associação aparecesse diante dos seus olhos com intolerável intensidade.
Isabel Allende

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Recebi uma dádiva do Duarte-dos-Bálticos, que foi o endereço do Myspace do Jorge Cruz (clique com o botão direito do rato, abrir numa janela nova, para que possam ouvir enquanto continuam a ler).

Tão bom ouvir cantar e cantar em português.
No domingo meti-me no carro e fui ouvir o concerto de apresentação do álbum Poeira na FNAC do Norteshopping. Ainda com os lábios à Angelina Jolie, da cirurgia, e com os químicos todos no corpo, alto programinha, ir pró shopping em domingo de saldos. Mas lá, quando me sentei mesmo à frente dele e, palavras com som, as deixei entrar em mim, que bom. Apeteceu-me chorar.

*[Anda Menina] ninguém ensina o amor ou o silêncio quando houver espaço eles vão morar em ti
Primeiro: Não é que esta música tenha sido a melhor opção de arranque, até porque me irrita um bocado tanta ternura, mas permitiu desfocalizar do som para conhecer o artista dos 6 instrumentos e o seu fantástico “one man show”: guitarra acústica, guitarra eléctrica, harmónica, pandeireta, maracas, voz, real-time samples.

*[Canção da tua Rua] ando a ver se te descubro noutro corpo num qualquer
Segundo: Eu gosto de homens que não têm vergonha de serpentear o tronco.

* [Adriana] mas se te vejo Adriana eu quero ir eu quero ir eu quero ir eu quero ir atrás de ti, eu quero ver-te no meu espelho para intimidar-te com o meu olhar e confessar-te que foste eleita para eu me dar
Terceiro: Gosto do uivo do Jorge Cruz a querer muito ir atrás dela, Adriana. Dá-me vontade também… e bato com o pé, faço ondas com os ombros, baloiço a cintura e dou aquela sequência de berros suspirados “eu quero ir eu quero ir eu quero ir”, e quero tanto.

*[Canção desta Cidade] só quero fugir desta cidade talvez transplantar o coração
Quarto: A temática da fuga e das vontades é uma constante, e nesta grande balada é contagiante. Achei fenomenal o transplante da viagem.

*[Nada] nada te empurra nada se ri quando te esmurra nada te chefia nada te guia nada te ofende ou te desvia nada te pára tu és a escala a mão que embala
Quinto: fiz uma maluquice, comprei o cd, não me arrependo, obrigada Duarte :)

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Ele possui cinco maneiras de lidar com um engrama: pode atacá-lo e à sua parte exterior correspondente no mundo; pode fugir dele e da sua parte correspondente; pode evitá-lo e à sua parte correspondente; pode desprezá-lo e à sua parte correspondente;
ou pode sucumbir a ele.
L. Ron Hubbard, Dianética: A Evolução de uma Ciência

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Em vez de jogar com os genes,
vai jogar com as essências
ouvir o sussurro do vento que percorre as nossas montanhas do avesso.

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É uma reacção exagerada do corpo a uma situação de stress. Chamam-lhe síncope, ou hipertonia, vagal:

"Síncope ou desmaio (do grego Synkope, interromper subitamente, parar de repente) é a perda súbita, transitória e reversível da consciência. Trata-se de um sintoma e não de uma doença primária como muita gente pensa. E essa perda transitória da consciência é causada gradualmente pela redução do oxigênio cerebral ou por liberação diminuida de glicose, devidas quer à baixa dessas substâncias no sangue quer à redução do fluxo cerebral. A síncope vasomotora (vasodepressora) caracteriza-se por uma perda súbita da consciência (desmaio) causada por um ataque vaso-vagal. A atividade simpática é inibida e a atividade parassimpática do nervo vago é aumentada, resultando em redução do débito cardiaco e da resistência vascular periférica, vasodilatação e bradicardia. De acordo com Franz Alexander, o medo agudo ou terror inibe o impulso de luta ou fuga, provocando o acúmulo de sangue nas extremidades inferiores, devido à vasodilatação nas extremidades. Esta reação resulta em redução do enchimento ventricular e queda no suprimento de sangue ao cérebro, com conseqüente hipóxia cerebral e perda da consciência." (retirado daqui)

Tudo isto para mostrar quem sou...
Existe um vago centro no meu corpo, errante, incerto, inconstante, confuso, desordenado, vazio, desocupado, que se estende demais, suspendendo todos os referenciais à sua volta, quando vive algo que não quer ver. O corpo silencia, a mente viaja.

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Era 6ª feira, e aproveitei a consulta do trabalho às 11h para nem ir trabalhar de manhã. Troca por troca, escolhi a fisioterapia, embora o tédio da conversa de há meses seja equiparável ao templo entediante onde tenho fingido que laboro, por opção patronal. Já não sei bem porquê, estava de trombas, apesar de ser uma manhã que aquecia e a sequência na rádio estava em harmonia com as minhas vontades. Entrei na clínica e aquelas perguntas iniciais ainda demoraram algum tempo. Lá ao fundo, sem olhar, sentia o olhar colado de uma bata branca. Entre mim e ele, só o balcão, a administrativa e uma carrada de perguntas, papéis e canetas. Não olhei, mas já sabia que o doutor era jovem e a intromissão visual começava a incomodar. Prolongou-se, eu respondia, assinava, um metro e sessenta, corava e via sem olhar os braços cruzados, entrei dia 26 de Novembro, a mão esquerda a coçar o queixo como quem está a perceber tudo, e cabeça a acenar para cima e para baixo, como se fosse um expert, e eu irritadíssima, 52 quilos, desviei os olhos um grau à esquerda da administrativa e olhei para ele no tom mais arrogante, a verdadeira bitch, "sim... que foi?!?!??".

- Eu conheço-te. Conheço-te sim. - e abanava a cabeça e coçava o queixo e tinha um sorriso. Só franzi as sobrancelhas, fiz cara de má e nem perguntei de onde. Fiquei a olhar, à espera, tirei a cara de má e pus a de expectante, com a testa levantada. - Eu conheço-te e já te vi a desmaiar.

Sorrio, confirmo, mesmo estando a olhar para o Dr. Perfect-Stranger. Em média desmaio uma vez por ano. Em 2007, apesar de tudo, não desmaiei. Pelo menos da forma como entendo que é o desmaio.

25 de Dezembro de 2006
Tarde passada em casa dos avós. Para abrir o bolo de anos do Menino Jesus vou à cozinha buscar uma faca. Meto a mão na gaveta. Tiro a mão da gaveta e sinto aquele frio que até podia ser uma carícia. Mas na gaveta não há ternuras. Nem olho para a mão e só digo "cortei o dedo" (que não se entenda que cortei o dedo fora). O pai começou logo a esbracejar imenso "tem calma! tem calma! isso não é nada! não vais desmaiar! tem calma". Eu ainda nem tinha olhado (nem ele), estava só a apertar o dedo e a virar-me para voltar para a sala. No virar da cabeça uma mancha no chão de duas ou três pingas de sangue chamou-me a atenção. O pai esbracejava, eu fui andando para o sofá onde estava o tio a gozar com a situação "mete o dedo na boca que assim o sangue sai por um lado e entra por outro".

Gota de sangue. Gota de água.

Começo a sentir aquela invasão que é a evasão de sentidos, começa por um cheiro asséptico que sinto sempre e não existe, como se me estivessem já a acordar como fazem nos filmes, cheirando éter ou lá o que é. Depois sinto uma pancada seca no sítio onde o pescoço encontra o peito, naquela parte do osso que tem uma quebra. É neste ponto que digo "vou desmaiar". Depois vou deixando de sentir por partes, de baixo para cima, e entro numa dimensão
v
e
r
t
i
g
i
n
o
s
a
de completa desorientação
de dúvidas
de sufoco
que aconteceu? onde estou? que se passa? quem são estes? que estão a dizer? porque falam tão alto? quem me está a mexer? quero respirar, quero sair, estou a cair, quem sou? fiz alguma asneira? estão-me a matar? larguem-me, quero ir, quero respirar, quero sair, não consigo, não consigo, não consigo, onde estou? o que é isto? quem são? o que querem? o que é que eu fiz? que está a acontecer? como vai acabar? isto não tem fim? vou cair? vou cair vou cair vou cair

vou cair.

Expiro inspiro expiro fundo,
Fico branca, fria, suada, a tremer.
Desmaiei. Quanto tempo? Para aí 10 segundos.
Mas as ideias não são as imagens, os 10 segundos podiam ter sido um dia inteiro de viagem, uma longa metragem de transe psicadélico, da luz ao fundo do túnel, imagens que correm o espaço, muitas coisas que acontecem e passam por mim e na minha cabeça aquelas perguntas e à minha volta sempre atitudes de desespero.

Nota: se alguma vez me vires desmaiar provavelmente antes irei anunciar. Nesta altura deves ajudar-me a deitar, levantar as pernas de forma manter a cabeça num plano mais baixo que o resto do corpo, permitindo assim que o sangue corra para o cérebro. Não berres, não atires água para a cara, não batas, não dês sinais de angústia. Isso influencia o "sonho" que estou a ter inconsciente.

De cada vez que desmaio nada volta a ser igual. É uma pequena morte. Cada vez que desmaio, perco um bocadinho de mim, nem que sejam só os 10 segundos que o desmaio leva.

16 de Janeiro de 2008
ela dizia
- euvoupicá/euvoupicá /euvoupicá, - como se fosse uma criança de 7 anos a dar lanço para mergulhar na piscina dos grandes. "Eu vou picar agora!", e só picou passado uns segundos.
- Parece que está a gozar comigo! Olhe que eu costumo desmaiar!
- Eu já piquei. Rebentou tudo! Arranja-me álcool, algodão, depressa! - desta vez não disse que parecia que estava a gozar comigo, mas pensei. Não olhei para o braço, olhei para a enfermeira e vejo-a vermelha, a suar, atrapalhada. Olho para a minha mãe encolhendo os ombros (tipo "que se passa? esta gaja não se cala? tem de dizer tudo o que está a fazer e mal?").

Cheiro, baque.
- Estou a sentir-me mal. Vou desmaiar.




[la petite morte roubada de typeforyou.org]

1 bitaites sábado, 19 de janeiro de 2008

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porque nenhum me soube tocar esta música:


Entrei com a malinha na mão naquela sala fria de azulejos e vitrais e só disse "vim para ser internada" num tom mais trágico que o necessário porque não revela mais que aquilo que faço é sempre só meu.

Enquanto esperava pelo quarto leio a seguinte afirmação:
"A amargura de um não é a do outro e ninguém consegue estabelecer se o isolamento voluntário dói mais que o forçado." Ricardo J. Rodrigues Os Invisíveis

3 bitaites sexta-feira, 18 de janeiro de 2008


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...e eu pintei com o sumo da manga que comíamos.

 

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