sábado, 13 de dezembro de 2008

Era uma vez um menino que se chamava Melchior.
Este menino tinha um amigo de quem gostava muito e que estava sempre com ele. Ao colo, era o galo. Manu era o nome do galo.

Como ele gostava muito de cantar, eram os amigo perfeitos e passavam todo o tempo do mundo juntos. Se ele acordava de manhã, levava o Manu e pousava-o no lavatório, enquanto lavava os dentes. Ao pequeno almoço, o galo ficava ao lado a comer os grãos de milho, impecável. Passeavam, com uma cordinha na pata porque o Melchior não queria o Manu longe dele.

Chegou um dia em que o Melchior teve de ir para a escola, e, claro, o que achou mais natural, foi levar o Manu com ele, porque andavam sempre juntos. Na sala de aulas, a professora não reparou no galo porque o Melchior foi assim discreto, disfarçar para uma mesa, onde se sentou e que era longe da mesa da professora. Até que a meio da aula, COCOIOCOCO, o Manu cantou muito alto, e ainda para mais não sabia dizer o R de Cocorococó, que é igual ao R e de Sara, saia, ra, ra, ra. Dizia que queria era ir passear pela cidade com o Melchior (melchioi). Ali era uma seca. Mas a professora nem entendeu nada disso, só ouviu o que considerou um berro e que deixou todos os meninos a rir. Furiosa disse "olha Melchior, isto assim não pode ser! onde é que já se viu trazer um galo para a escola que canta assim e os meninos já não pensam mais neste números e letras que escrevo no meu quadro?"

E depois eles foram embora, muito tristes, um ao colo do outro (já não me lembro quem era...), a pensar como é que se ia resolver aquela história toda. Até que o menino se lembrou de uma solução que era fingir que nada tinha acontecido, para os pais não se chatearem, e no dia seguinte levar o Manu na mesma, mas dentro da mochila. Nessa noite dormiram bem, na mesma cama, o Melchior pousava o braço sobre o Manu, sempre impecável, branco e de crista vermelha.

E no dia seguinte, meu-dito-meu-feito. Escova de dentes, cereais (se calhar foi ao contrário), e siga para as aulas com o Manu na mochila. Só que o problema foi que estava outra vez a professora a fazer sozinha desenhos no quadro e mais ninguém podia falar, e aquilo voltou a acontecer, de repente, outra vez COOOOOCOIOCOCO. Ui ela ficou furiosa, saía-lhe fumo pelas orelhas, e a cara, de vermelha, era igualzinha a um tomate ou um morango ou uma cereja grande.

E pronto, foi assim. Já se sabe, raspanete, não pode ser. Ele em casa contou o problema aos pais que lhe explicaram como há um tempo para tudo, e a partir de então passaram a encontrar-se desde o final das aulas até de manhãzinha. Decidiram aproveitar melhor o tempo, e passaram a dedicar uma hora por dia juntos a treinar as músicas que mais gostam. E a verdade é que, depois de tanto treinar (todos os dias, ao pôr do sol), amanhã, vão dar o primeiro espectáculo juntos!, num palco, com imensas pessoas lá em baixo a ver e a ouvir, e que vão ter de ficar caladinhas e bater palmas do final.

(Começo a pensar que tenho um problema grave em pôr um fim em algumas histórias, mas ele, eventualmente, acaba por aparecer. A Violeta percebe e faz-lhe sentido que acabe assim... A ver como corre a "primeira performance pública", como o pai, carinhosamente, gosta de anunciar.)

3 bitaites:

formiga disse...

http://www.last.fm/music/Irm%C3%A3os+Verdades/+videos/+1-9Yd4hqN6Jt8

sarita disse...

AHAHAHAHA
É mesmo isso! :)

Anónimo disse...

Fantástica árvore... a história, essa não tem fim estará sempre a ser escrita. : )

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