quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Conheci em tempos uma pessoa, sem a conhecer bem.
Bem como àquilo a que estamos habituados! E que falava muito sem parar dizia tudo em camadas confusas, em nuvens de relâmpago, em vertigens de inquidetude, em náuseas do desregrado. E desse tudo muito que deixou - e foi, de facto, muito! - descobri uma fenómeno que me intriga: não há uma coisa que tenha dito que eu consiga reproduzir.

É como fazer uma pesquisa no gmail e não conseguir descobrir a palavra que se achava dita, porque sempre outra foi usada no seu lugar! Tipo ficheiros secretos.

Curiosamente, o seguinte texto que aqui deixo, é de autor que desconheço. (Outra variante, de coisas que faltam.) E no texto dele, contou-me o meu tio, falta também uma coisa, em abundância. Guess what?

Sem nenhum tropeço posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo isso permitindo mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter com impossível. Pode-se dizer tudo, com sentido completo, mesmo sendo como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr inibido pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.
Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo. Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o 'E' ou sem o 'I' ou sem o 'O' e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo sem o 'P', 'R' ou 'F', o que quiser escolher, podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?
Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.

1 bitaites:

mãenuela disse...

Pensei que fosse impossivel escrever um texto longo sem o uso do primeiro simbolo. Vou ver se consigo repetir esse feito.

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