quarta-feira, 3 de setembro de 2008

No momento em que o barco deu o primeiro sinal de arranque, tudo o que me estah dentro se apertou, como se enxagua uma toalha. Custa-me, que hei-de fazer?, custa-me largar esta ilha. Pensei que por terra e mar fosse mais facil do que larga-la de aviao, sem olhar para tras (e para os lados so vejo asas, calham-me sempre esses lugares). Mas mesmo assim custou, a toalha apertou, vejo agua a sair, deito-me no chao sobre o tais que estendi.
O telefone tocou, aquela voz que me eh tao familiar a outras rotacoes, tao distante para estes assuntos. "Mana, ro sa'e ona ka?". Sim, acertaste, o barco acaba de sair. Desta vez nao volto atras. Levanto-me ate a varanda, para verificar que estou no ir. Espreito o tilintar do mar de agua cristalina, sinto-me tentada a saltar. A toalha do meu dentro aperta, aperta.

Sao hobbies do coracao, os que eu invento, naqueles tempos mortos em que ate o ponteiro das horas ouco. Escolho vestir os headphones de alguma fantasia distante, inalcancavel, e ouvir, ate la chegar, a sincope platonica das minhas emocoes.

Estou num barco grande, ferrugento. Os pneus que o corpo ostenta lateralmente de derretidos, desconfio que ja passaram por um incendio. Dos cerca de 300 passageiros, diria que 250 sao muculmanos. Da multidao de tripulantes, sou o unico branco. A unica branca. Assim que me vi neste cenario, vesti as calcas, despi a saia, vesti a tunica por cima da tshirt, cobri o pescoco com outro tais. Ainda assim, os pes, as maos, a cara, o cabelo, mostram-me exotica aqueles olhos. Para me esconder mais, visto os tais headphones, e este caderno. Deitada no chao asqueroso, como os outros, mostro a minha "cara salgada" de ma (por oposicao a cara doce). Tambem eu trouxe a minha marmita de arroz embrulhada em papel castanho tipo encomenda, e como com as maos (isto eh um toque pessoal, porque me esqueci de trazer talheres). Desde o ataque de riso contagioso do pai da Zulmira que nao aguentou o meu exotismo na mesa (que eu como com a boca fechada e devagar, como uma boneca...), nestas situacoes de choque cultutal, tento ser o mais javardolas possivel. Mas so sujo quatro dedos de cada mao. O mindinho instintivamente ficar ao ar tipo bandeira.

Montes de bebes em cuecas, esteiras, colchoes, lipas, espalhadas pelo chao, mesmo debaixo dos bancos cor de laranja distribuidos simetricamente. Sao iguais aos dos antigos STCP.

0 bitaites:

Enviar um comentário

 

Copyright 2006 | Template cedido por GeckoandFly e modificado e convertido para Blogger Beta porBlogcrowds.
Muito obrigada :) Se queres conteúdo reproduzir, basta pedir!