quarta-feira, 23 de julho de 2008

No fim de semana fui até Ataúro.
Mmmmmmm que bom! espectacular, incrível, e outros adjectivos mais e tantas interjeições descritivas do estar bem.

Por mais vontade, ocasional, que tenha de partilhar, de vez em quando, alguns momentos (de ter este ou aquele ao meu lado), digo que sozinha é sempre melhor (que horror eu não disse isto).

É assim, foram todos passear, eu fiquei sozinha naquela palhota elevada 3 metros do chão por canas de bambú, sem portas nem janelas, só colchão no chão, lençóis brancos e o mosquiteiro a dançar de brisa ao som sereníssimo do mar. E para lá fui sozinha. Passei a cerca baixa, despi a túnica e entrei na água quente, olhando para baixo a ver os pés tão nítidos, uma flor de verniz vermelho desenhada no dedão, em cada arrepio de temperatura, subtil, não fosse aquela a temperatura, só pensava que bom que bom que bom que isto é.

Quando eles voltaram somos poucos e ainda bem, porque fico com a guitarrinha suave do argentino Jose Larralde e os ensinamentos de "Herencia pa un hijo Gaucho". Lindo.

Tudo à flor da pele, sinto que caminho sobre um presente eterno (escolho palavras a dedo).
Do fim de semana resultaram:

  • duas sessões de cinema/curtas na Vila para os locais
  • um workshop de animação para os jovens
  • um artigo para o jornal sobre o potencial da ilha, os empregos das senhoras em artesanato
  • e ainda... o índice da minha tese de mestrado!
O ponto alto foi mesmo quando depois de muitas horas de conversa com as senhoras (só eu e elas, entre os 30 e os 56 anos) repartidas entre sábado à tarde e domingo o dia inteiro, conversas essas que tinham como objectivo dar-me a perceber como é que a vida delas mudou desde que começaram a trabalhar nos bordados e bonecas, lhes contei, em tétum, uma lenda timorense que mostra uma explicação fantasiada para o isolamento delas, o motivo pelo qual a ilha de Ataúro e se separou da ilha de Timor. Foi lindo. Lindo lindo lindo lindo lindo lindo lindo. Queria que elas encontrassem formas de se adaptar ao facto de não terem mais do que uma vez por semana barco público que as ligue à capital. Porque Ataúro tem potencial turístico, porque precisam de comprar materiais, porque o trabalho delas tem de ser divulgado.

Ficaram todas incendiadas, tagarelas, revolucionárias. Começaram a escrever um manifesto para o Governo, que eu traduzi para português, e há-de sair no jornal daqui, bem como as minhas palavras de enquadramento.









3 bitaites:

SpootlessMind disse...

és a verdadeira princesa saída dos contos de fadas...beijo de saudades
inex

SinjinSmith disse...

afinal o cinema para os distritos sempre veio a acontecer :) e ainda bem!

Atauro...

Anónimo disse...

As fabulosas Bonecas de Ataúro merecem ser divulgadas. Era bom que os contentores que vão indo, na volta trouxessem coisas destas ... http://www.bonecasdeatauro.com/

São bem mais simpáticas que as "barbies".

Bom trabalho :)

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