sexta-feira, 13 de junho de 2008

Pergunto-lhe quantos anos faz e oferece-me, de prenda, a resposta que se segue.

Que nasceu no mato, onde muitos viveram durante os 24 anos de ocupação indonésia. A mãe diz que nasceu em 85. O tio (tio de casta, não é irmão do pai nem da mãe, nem casado com alguém que seja) diz que nasceu em 82. A menina que cortou o cordão umbilical diz que já não era altura das chuvas, e que as plantações de milho na planície de Lospalos tinham fruto. Então alguém escolheu o dia 5 de Junho, anos mais tarde, não se sabe quando, na altura em que houve registo de datas de nascimento. Continuo sem saber quantos anos faz. Pergunto-me como seria viver anos e anos no mato, sem saber a quantas se está, sem ter sequer mais marcas sazonais do que a fruta da época. Nós vivemos na apatia da vida que se rege por ciclos de frio e calor, e estamos sempre à espera que o tempo passe até chegarem as férias de Verão, para depois começar tudo de novo.

Se pergunto as horas, olham para a inclinação do Sol.
Se pergunto o peso ou a altura, recebo aquela resposta que mistura sorriso com ligeira inclinação da cabeça para o ombro direito, e um estender de braços com mãos abertas, palmas para o chão. A minha vida é uma agenda que existe num modelo conceptual, no pda e em papel. Porque nos preocupamos nós com tantos números?

3 bitaites:

neca disse...

Penso que também sou um pouco timorense. Deixei de me preocupar com uns números. Agora estou gordo. Mas feliz.

ines disse...

oh pah, eu tb nc sei em q dia do mês estamos, guio-me pelos dias de ensaios e concertos que tenho.

datas de aniversário... tenho que fazer um esforço doloroso em relação a isso, pois lembro-me das minhas pessoas diariamente, estou com elas todos os dias.

e, como parva que sou, adoro qdo se lembram do parabéns a mim.

afinal é melhor não acenar só com a cabeça, vêr as horas pelo sol, sorrir placidamente... se calhar os números fazem falta... o pda, é que já n sei, mas s n fossem os meus alarmes de aniversário, por agora teria menos de metade dos meus amigos...:p

sarita disse...

primo, se vissem a tua barrigona acho que largavam a descrença numérica e te perguntavam sem hesitar qual o teu peso... :)

(ihihihi, porque é que só fazemos comentários destes um ao outros? it feels good to upset you)

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