sexta-feira, 27 de junho de 2008

Aproveitem a benção da banda larga e ouçam enquanto lêem:



Maria tulipa e Pompeu. Gosto de nomes decorados de flores, é assim que se vão chamar os meus filhos (talvez ele não seja flor mas podia bem ser). Talvez por isso simpatize com a Margarida, e era com ela que estava a falar, no terraço do Motion, onde temos reaggea ao vivo às quintas feiras à noite. Depois de eles tocarem o No Woman No Cry, houve acesa discussão acerca do verdadeiro significado da balada. Reunimos as seguintes hipóteses:

• Não há mulher que não chore
• Mulher, não chores!
• Não! As mulheres não choram…
• Não tenho mulher mas não choro

A minha conclusão foi circular: tal como dizia no início da performance, não gosto da música. No entanto, essa não está no top five das piores de sempre para mim.

Há aquela do assobio, muito recente, que passa na rádio. Essa é das que menos gosto. Tocava no outro dia na praia do Caz Bar, na baía da Areia Branca. Éramos só quatro no areal feito pista de dança, sem havaianas sequer, pés enterrados na areia, com velas espalhadas pela praia, uma fogueira, cadeiras baixas de madeira, a música a tocar. Já deviam ser quase quatro da manhã, fujo até ao mar, olho para Díli, duas baías à frente, e penso que tem mais luzes do que devia ter, e quase não tem! Lado a lado, lá ao fundo, aqueles que apanham polvos, de lanterna na mão na maré baixa que se estende longos metros distanciando-se do areal. Pousada no meu ombro a entropia de constelações! Adoro não as reconhecer, embora diga, sempre que o queixo me cai com um céu daqueles, que devia ter trazido um mapa que permitisse reconhecer-lhes alguma ordem. Sei que nessa noite tocou a do assobio, e sei que será difícil esquecer-me do surrealismo da festa de quatro que se proporcionou.

Na lista das mais odiadas vêm a seguir duas veraneantes que sempre que ouço recuso-me, bato o pé e sento-me de braços cruzados. Summer Jam e Summer of 69.
We Are the Champions, iaque…

Troféu entregue à I Will Survive. Odeio odeio odeio as reacções que aquilo provoca nas pessoas, os comportamentos semi-selvátivos que se geram espontaneamente de pessoal aos abraços e pontapés com cervejas na mão, como se de um jogo de futebol se tratasse.

E foi com essa música que aconteceu a noite em que tudo parou e os batuques entraram sonantes. Estávamos então a discutir o cerne do Bob Marley… se é machista, egoísta ou simplesmente um solitário. Eu disse, pronto não gosto, mas até gosto de ouvir o No Woman No Cry tocada por estes gajos, agora se me viessem tocar o I Will Survive… Isso é que não! E pimbas. A menina indonésia desafinada salta para o palco onde a banda já estava a aquecer um som agradável e de repente… At first I was afraid… e eu NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOO POR FAVOR! Como é possível? Eu não quero! Eu não gosto! Não deixem! E todos os que participavam na conversa anterior só se riam. O mais cómico foi eu ter dito ao ouvido do australiano 2 minutos antes “The worst song ever is I Will Survive”, ele foi para o palco com o seu batuque, sem saber qual iam tocar e saiu essa. Esperneei, zangada. Queixei-me muito, quis muito que aquilo acabasse e, a verdade foi que passados trinta segundos, um curto-circuito acabou com a brincadeira, a electricidade foi abaixo. A cantoria parou.

Pensam que foi só isso? A cantoria parou para dar lugar a uma longa improvisação instrumental dos rastafararis em palco, aos quais se foram juntando mais e mais elementos, a fazer sons com tudo e mais alguma coisa: pauzinhos, latas de cerveja, copos, batuques, areia em garrafas. E os pés começaram a mexer-se muito e rápido e foi ESPECTACULAR. Voltámos ao bairro com a moral ao auge, ouvimos a Mariza na palhota enquanto comíamos leite creme às colherzinhas de café.

8 bitaites:

mãenuela disse...

vamos por ordem.
boa ideia de os meus netos serem um jardim florido.
há a Violeta, pode vir a roisa, a margarida, o narciso, o jacinto, e por aí fora.
No woman no cry, quer dizer para mim, que se não tiver mulher não tem motivo para chorar, ou falando na positiva, se tiver mulher vai chorar.
Eu gosto da I will survive! adora a letra, muito positiva.
Vou-te mandar um mapa celeste do hemisferio sul , pensando melhor, tira do google imagens.Pensava que já tinhas perdido as ideias da astronomia.
Viste como "O Segredo" funciona? querias mesmo que a musica parasse , houve o curto circuito. È assim, tanto dá com pedidos simples como complicados.
Grande pagode...

raquel disse...

LOOOL! Sarinha, Sarinha...imagino perfeitamente o teu ataque de panico ao som do 'i wil survive'!Nunca me esquecerei daquela noite na Taberna em que ias tendo uma apoplexia nervosa quando começaram, no refrão, a cantar o pam parapampam pararararaa pa ra pampam :D a única diferença é que na altura não tinhas o poder de mandar o sistema de som abaixo!

Beijo*

Francisco disse...

Eu acho que a única interpretação correcta é o mulher não chores. O comentário da tianuela poderia estar correcto se estivéssemos a descontextualizar o refrão do resto da letra. E bem sei que a música começa logo pelo refrão mas é uma espécie de media-res.

Senão reparemos nesta estrofe:

"My feet is my only carriage,
So Ive got to push on through.
But while Im gone: No, woman, no cry."

Ele está a explicar que tem que partir, sair dali e depois pede à mulher que não chore.

Ou seja, o refrão é um pedido directo a uma mulher para não chorar.

Ouvindo o resto da música vemos que há uma constante memória do passado e uma alusão ao futuro. Pelo que provavelmente a "woman" da letra se refere a um sítio...

Quanto ao "Segredo" refiro encarecidamente o artigo do José Diogo Quintela no Público de Domingo passado.

paulomoreirainfo disse...

nao interpreto 'no woman no cry' de nenhuma das 4 maneiras de que falas no post. a que mais se aproxima é 'Não tenho mulher mas não choro'. no entanto, esse 'mas' faz toda a diferença. eu interpreto 'nao tenho mulher e exactamente por isso nao choro'.

mãenuela disse...

ora aí está um rapaz que tira conclusões sensatas e ainda por cima sabe traduzir do inglês!!! não admira, com a mãe que tem...
é isso mesmo, morpau,explicaste ainda melhor do que eu .
Conhecem a versão "No men no cries"?

sarita disse...

frankie, seu maldoso! falas de um vídeo do quintela, mesmo sabendo que eu não o posso ver aqui! búuuu (manda lá o link directo, please, a ver se os meus super poderes fazem com que a ligação de toda a gente em timor vá abaixo, ficando eu com a banda toda só para os incorrigíveis)

a todos, o meu grande obrigada pelas vossas opinioes.

mãenuela disse...

chico, meu sobrinho mais novo, o Quintela é bom para nos fazer rir, não para levar a sério...

Anónimo disse...

pois eu tenho a dizer que devo ser a única pessoa no mundo que não tem colunas no computador. quando preciso mesmo mesmo mesmo vou a outro ouvir...

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