quarta-feira, 14 de maio de 2008

No fim-de-semana fui a Liquiçá com a Marisa, à festa de aniversário do irmão mais novo – 17 – de um aluno dela. Fomos no autocarro “Timor Tours” do tio do aniversariante (nunca tinha visto transporte terrestre tão luxuoso em Timor Leste, já nem me lembrava que existiam autocarros assim – mas não se deixem enganar, era um minibus foleiro), estava o céu laranja, no mar à nossa frente, o Sol a pôr-se, voltamos com o céu cor-de-rosa o Sol que se levantava à nossa frente na montanha. Escrevo para reter que:

… houve discurso no altar das sobremesas, com toalha lilás e flores a enfeitar ligadas por pequenas fitas verdes,

… primeiro a mãe cortou, ao estilo casamento, a fatia de bolo verde cor-de-alface, depois cantou-se os parabéns (primeiro em inglês, depois em bahasa-indonesia), ninguém comeu o bolo, e só depois é que o jantar começou.

… a mesa do jantar tinha frango assado, noodles, arroz amarelo, arroz branco desenxabido (sim, escreve-se assim, fui ver ao dicionário, e também quer dizer insípido, desgracioso, sensaborão – no fundo basta chamar-lhe arroz timorense = água e arroz, sem sal ou estrugido), cogumelos cozinhados com bambu, flor de papaia, coração de bananeira, búfalo assado com batata frita, salada de tomate e pepino, tempé, tofu, mostarda cozida, e não me lembro de mais.

… as meninas, sentadas nas cadeiras de plástico à direita, escreveram os nomes num papel; os meninos à volta das cadeiras à esquerda, escreveram os nomes num papel; a animadora da festa – uma prima do aniversariante – leu os nomes duns e doutros (o meu, “Professora Sara”, foi o primeiro embora eu não o tenha escrito), os convocados juntaram-se na pista e começou o bailarico com o greatest hit “Lá em cima está o tiroliroliro”, versão timorense.

… um grupo fez a dança das cadeiras. A vencedora foi premiada com um pedaço do bolo verde cor-de-alface, oferecido directamente da mão do aniversariante para a boca da contemplada. A isto seguiu-se uma dança só dos dois.

… os meninos vinham da ala deles convidar as meninas para dançar com as mãos atrás das costas, estendiam ligeiramente um dos braços, faziam um aceno subtil com a cabeça e iam-se embora. As convidadas, caso aceitassem, deviam ir atrás deles.

… enquanto assistia e participava nesta cena de outro mundo, por três vezes levei a mão à cabeça e encontrei grilos nos meus caracóis.

… depois de muitas baladas, passou uma música indiana que alimentou nos imberbes (obrigada por esta palavra, Raquel) seres que ali estavam um espectáculo hilariante de se ver. Tal qual este vídeo.

… quando eu e a Marisa nos fomos deitar, começou a verdadeira festa, que não nos deixou dormir. Quando nos levantámos, às 6 da manhã, estavam todos a tomar banho de balde (isto não é surpreendente para ocidental).

… sumptuoso pequeno almoço em Díli às 7 no restaurante Tropical, com croissants, compotas, capuccino e sumo de manga-banana.

3 bitaites:

mãenuela disse...

quer dizer, recolheste-te a penates no melhor da festa!

sarita disse...

não! recolhemos todos de bus quando a festa começou a descambar. já estava a ouvir, em tétum, muitas vezes a palavra malai (eu e marisa éramos as únicas, em 100 convidados) associada à palavra bé (água).

recolhemos ao colchão, da casa, quando a festa estava no melhor, mas penso que só ficou melhor por nós termos recolhido... a nossa presença é demasiado importante, demasiado cerimoniosa para eles.

Anónimo disse...

Oh sara...
Gostava tanto de ter ido contigo a essa festa :(
Devia ser mesmo muito giro...
Aproveita bem todos esses momentos...

Elisabete

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